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Aleksandr Golovin – A Premier League a 2500 Km de distância

Joel Amorim · 4 min

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Cabeçalho Futebol Internacional

“O meu objectivo é ficar no CSKA e representar o clube durante o máximo de tempo possível; para me tornar um dos melhores jogadores da equipa e para talvez passar lá toda a minha carreira.” – Aleksandr Golovin

Kaltan é uma pequena e pouco conhecida cidade no oblast de Kemerovo, sudoeste da Sibéria, com pouco mais de 20 mil habitantes, mas é também o local que viu nascer Aleksandr Golovin, aquele que será porventura um dos jovens jogadores russos mais talentosos da actualidade.

Após a eliminação do combinado russo da Taça das Confederações no passado Sábado em Kazan, Golovin virará, muito provavelmente, todas as suas atenções para o futuro da sua carreira, que poderá, de acordo com a imprensa russa e inglesa, passar pela Premier League. O médio do CSKA Moscovo realizou uma época bastante positiva ao serviço dos Armeitsy e veio, de certa forma, reforçar a ideia de que estamos perante um dos jovens jogadores russos mais talentosos da última década. Titular indiscutível na formação moscovita, Golovin não tardou em convencer o novo seleccionador russo, Stanislav Cherchesov, que também seria um elemento de enorme importância na Sbornaya. Apesar da selecção russa não ter ido para além da fase de grupos da Taça das Confederações, Golovin deu excelente conta de si em todos os jogos e passou por ele a responsabilidade de organizar todo o jogo de ataque da sua equipa. A ausência de Alan Dzagoev por lesão permitiu a Golovin partilhar com Aleksandr Erokhin a responsabilidade de criar jogo e de fazer a engrenagem do meio-campo da Rússia funcionar sem maiores sobressaltos. A falta de opções à altura no banco de suplentes poderia ser a explicação para o facto de Golovin ter jogado os 90 minutos em todos os jogos da fase de grupos da competição, mas a verdade está bem longe disso, uma vez que o médio do CSKA Moscovo é um jogador altamente influente nas transições ofensivas da sua selecção e é também, porventura, o médio com a técnica mais apurada e com maior qualidade de passe do combinado russo.

Golovin e Kutepov após a eliminação da Taça das Confederações Fonte: Sport Express
Golovin e Kutepov após a eliminação da Taça das Confederações
Fonte: Sport Express

Natural de Kaltan, Golovin começou a sua carreira futebolística na Metallurg-Kuzbass Academy ainda em tenra idade, mas foi após ter representado as reservas da selecção olímpica russa e uma equipa de jogadores da região da Sibéria que começou a chamar a atenção dos Scouts das grandes equipas russas que procuram jovens jogadores no vasto território da Federação Russa. Com vários clubes do escalão principal do futebol russo interessados em garantir os seus serviços, em 2012, Golovin escolheu mudar-se para a capital do país para representar o CSKA Moscovo. Um ano mais tarde, quando já era presença habitual na selecção russa de Sub-17, o jovem Aleksandr vence o Campeonato Europeu da categoria, disputado na Eslováquia, e assume-se de vez como uma pedra basilar do futebol jovem na Rússia. Após várias passagens pelos mais diversos escalões de formação russos, Golovin chega à selecção principal com apenas 19 anos de idade num jogo amigável diante da Bielorrússia em 2015, substituindo um dos seus ídolos da altura, Roman Shirokov, durante a segunda-parte do encontro e apontando o segundo golo da sua equipa na vitória por quatro bolas a duas.

Golovin é acima de tudo um médio extremamente versátil, mas é a jogar no centro do terreno, com funções mais ofensivas, onde o seu rendimento é maior. Dono de uma técnica excepcional, Golovin tem no controlo de bola uma das armas mais fortes. As suas raízes como jogador de futsal ajudam provavelmente a explicar a forma como roda sobre os adversários com a bola colada ao pé sem que ninguém lha consiga tirar. A forma como lê todas as situações do jogo, a forma como antecipa todos os movimentos da sua equipa e a sua capacidade de mudar o ritmo de jogo ao mesmo tempo que faz um passe a rasgar para algum dos seus companheiros fazem com que se destaque entre os demais, tal como lembrou Dmitri Khomukha, antigo seleccionador do Sub-21 russos, ao site da UEFA no ano passado.

Golovin a substituir um dos seus ídolos de infância Roman Shirokov no CSKA Moscovo Fonte: CSKA Moscovo
Golovin a substituir um dos seus ídolos de infância Roman Shirokov no CSKA Moscovo
Fonte: CSKA Moscovo

Aos 21 anos de idade, Golovin é um pequeno prodígio e terá certamente uma carreira extremamente risonha, caso seja capaz de dar os passos certos no momento certo. A possibilidade de uma mudança para Londres para representar o Arsenal FC de Arsène Wenger poderá ser um passo de 2500 km de comprimento e, por isso, algo prematuro para um jogador que, apesar do enorme talento, que possuí, precisa de mais algum tempo “debaixo do manto protector russo” para poder amadurecer convenientemente. A imprensa russa sugere que poderá estar em cima da mesa uma transferência a rondar os 10 milhões de euros e a cedência ao Hull City de Leonid Slutsky por um ano, de forma a Golovin se poder habituar ao futebol inglês e ao próprio país num ambiente, por assim dizer, “menos exigente” e ao lado de alguém que sempre o protegeu nos tempos do CSKA Moscovo e que o conhece como ninguém. A possibilidade de ser contratado pelo emblema londrino e passar mais um ano ao serviço do CSKA parece também ser outra das possibilidades, uma vez que o clube russo não tem de momento nenhum jogador capaz de substituir Golovin no seu plantel.

Em 2015, um ano após a sua estreia na equipa principal do CSKA Moscovo, o presidente do emblema da capital russa, Yevgeni Giner, foi peremptório ao afirmar que Golovin “não era o Ronaldo russo, mas sim um jovem jogador que estava a construir a sua própria carreira” e, apesar de muitos discordarem da sua afirmação, faz todo o sentido, uma vez que este tipo de comparações, muitas vezes fabricadas pela comunicação social, servem apenas para colocar rótulos em jovens jogadores, muitas vezes prejudicando de certa forma as suas carreiras.

Foto de Capa: rsport.ru

Joel Amorim

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