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Os emblemas da Bélgica têm mostrado que sabem vender e, simultaneamente, manter um plantel que lhes permita competir na Europa.
A Belgica e a Liga Belga já são conhecidas há muito como viveiros de talento. Seja a partir da formação ou do recrutamento de seniores jovens, clubes como Genk, Anderlecht e Gent foram a montra que exibiu vários jogadores de classe mundial.
Em anos recentes, os emblemas da Bélgica têm mostrado que sabem vender e, simultaneamente, manter um plantel que lhes permita competir na Europa. Sem o poder financeiro dos três grandes portugueses, os clubes belgas provam que o critério nas negociações e os projetos desportivos coerentes podem dar excelentes resultados.
Os alvos dos seus scouts têm um perfil evidente: jovens promissores com características físicas/atléticas acima da média. Assim, os jogadores contratados conseguem integrar-se rapidamente nos plantéis e, frequentemente nas equipas titulares, jogando com a intensidade necessária para os desafios europeus.
Os clubes belgas estão confortáveis com o seu papel de “rampa de lançamento” para mercados maiores. Sabe-se desde cedo que os jogadores mais talentosos vão sair em pouco tempo e, como tal, existe uma shortlist de substitutos com as mesmas características para ocupar o lugar. Esta gestão permitiu a escalada no ranking e a ultrapassagem dos vizinhos Países Baixos.
O Club Brugge tem sido a principal âncora belga no contexto europeu, com oito participações na Champions League nas últimas 10 temporadas e a chegada às meias-finais da Conference League de 2023/24 como campanha mais bem conseguida.
A criação da Conference League é precisamente um dos fatores que favoreceu esta subida dos belgas no ranking. As suas equipas de “segunda linha” têm conseguido performances bastante superiores às dos clubes portugueses, que foram frequentemente afastados nas pré-eliminatórias. Só nesta competição, estima-se uma recuperação de aproximadamente 13 pontos perante Portugal.
Mas mesmo analisando as duas maiores competições europeias (Europa League e Champions League), a diferença entre os dois países tem sido esbatida. Se considerarmos as últimas 10 épocas, a diferença foi de cerca de 30 pontos a favor de Portugal. Por outro lado, se nos focarmos apenas nas últimas cinco temporadas, a vantagem baixa para menos de sete pontos.
Não é um mistério particularmente intrincado este melhor desempenho das equipas belgas. Para o entender, basta atentar na competitividade da liga: nas últimas 10 temporadas, o top quatro mostra 11 emblemas diferentes. Em Portugal, apenas cinco clubes figuram nesse top.
O formato de play-off, em vigor desde 2009/2010 contribuiu também para este nível de variabilidade. O top seis da fase regular disputava uma ronda de apuramento de campeão (a 10 jogos), começando com metade dos pontos conseguidos até então. Este modelo competitivo tornava cada jogo da fase final decisivo, o que ajudou também as equipas belgas a jogar melhor sob pressão. Em 2026/27, a liga belga voltou, no entanto, ao formato “normal” de 18 equipas e 34 jornadas regulares.
Se o formato anterior era vantajoso para a competitividade interna, o regresso ao formato tradicional traduz-se numa redução de seis jogos por época, permitindo maior descanso entre jornadas e uma preparação mais eficiente dos duelos europeus.
Resta perceber se os clubes vão continuar a dar prioridade às competições europeias no que toca à gestão do plantel. Nos últimos anos, as rotações mais significativas do plantel numa fase inicial da época eram feitas em jogos do campeonato (já que os principais favoritos acreditavam numa chegada relativamente fácil ao play-off).
Em termos do mercado interno, a rede de observaçãoda Pro League é das mais desenvolvidas da Europa, com a presença de câmaras e outros dispositivos de coleção de dados biométricosa ser implementada desde as camadas jovens até às equipas principais. A centralização dos dados recolhidos permite aos clubes aceder à informação necessária para decisões táticas e de recrutamento.
A vitória do Club Brugge em pleno Giuseppe Meazza, na segunda jornada de Champions League, é um exemplo do tipo de surpresas que os clubes belgas têm vindo (e podem continuar) a produzir.
Nesta quinta-feira, teremos um confronto direto nesta disputa pelo sexto lugar do ranking da UEFA. O Braga vai receber o Genk, atual líder da liga belga, em busca dos primeiros pontos nesta edição da Conference League.












