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No passado dia 11 de Maio, o FC Krylya Sovetov do antigo técnico leonino Frank Vercauteren deslocou-se ao Kuban Stadium para medir forças com o FC Krasnodar e levava consigo uma racha de jogos extremamente positiva, na qual se contavam quatro vitórias e dois empates nas últimas seis partidas disputadas. O histórico emblema russo procurava assim incomodar uma das equipas mais regulares da segunda metade da liga russa e que contava por vitórias seis dos seus últimos sete jogos. Apesar do entusiasmo reinante entre as hostes do FC Krylya Sovetov, os pupilos de Frank Vercauteren foram incapazes de contrariar o ascendente da formação da casa muito por causa de Fyodor Smolov, que apontou os três golos da vitória do FC Krasnodar nessa partida e cimentou a sua posição como melhor artilheiro da Liga Russa (Росгосстрах — Чемпионат России по футболу).
Não é necessário recuarmos muito no tempo para darmos de caras com um Fyodor Smolov que vagueava pelas reservas do FC Dynamo Moscovo e que contribua pouco, ou até mesmo nada, para fazer jus ao rótulo de jovem promissor que lhe havia sido atribuído uns anos antes. Nascido em Saratov, uma cidade com perto de 820 mil habitantes a norte de Volvogrado, Fyodor Smolov mudou-se para o oblast de Moscovo para representar as academias do já extinto FC Saturn Ramenskoye e aquilo que lá aprendeu serviu-lhe de rampa de lançamento para o outrora gigante soviético FC Dynamo Moscovo, clube ao qual se juntou em 2007.
Versátil, dotado de uma técnica refinada e de uma colocação de remate verdadeiramente assinável, o jovem Fyodor começou por jogar na segunda equipa dos Musora, mas nos anos que seguiram conseguiu somar alguns minutos de primeira liga ao participar em cerca de duas dezenas de jogos. Os responsáveis do FC Dynamo entenderam, no entanto, que Smolov não reunia ainda as características necessárias para ser um titular indiscutível da primeira equipa e optaram por cedê-lo por empréstimo ao Feyenoord durante um ano, algo que não teve, contudo, os resultados inicialmente esperados.

Fonte: Live-Football.ru
Fyodor regressa à Rússia no final de 2010 e consegue, desta vez, mais algum tempo de jogo num FC Dynamo Moscovo que andava um pouco à deriva no escalão maior do futebol russo, dominado à época pelo FC Zenit, o FC Rubin Kazan e os restantes grandes emblemas moscovitas. Com o seu instinto goleador muito pouco apurado, Smolov foi perdendo espaço e oportunidades no FC Dynamo e a direcção do clube decidiu voltar a emprestá-lo, desta vez aos novos milionários do Daguestão, o FC Anzhi do auto-proclamado filantropo Suleyman Kerimov.
Apesar de ter minutos e fazer parte da equipa principal com alguma frequência, faltavam os golos e as boas exibições àquele que tinha sido indicado, anos antes, como uma das maiores promessas do futebol russo. Após duas temporadas no emblema de Makhachkala, onde apontou apenas 3 golos, Smolov regressa a Moscovo, onde o seu promissor passado havia já sido atirado para baixo do tapete e onde seria apenas mais um jogador de recurso num clube onde, desde há muito tempo, não havia lugar para ele.
Na temporada passada, Fyodor partiu para Yekaterimburgo em busca de mais uma aventura na sua ainda não muito longa carreira, para representar o FC Ural em mais um penoso empréstimo da formação moscovita. Contra todas as expectativas, Smolov puxou dos galões e realizou uma época bastante interessante na formação orientada pelo antigo internacional soviético Aleksandr Tarkhanov, tendo apontado oito golos em 24 partidas realizadas a contar para a Liga Russa, o dobro daqueles que havia marcado durante as inúmeras temporadas em que esteve ao serviço do velho gigante moscovita. Smolov encaixou bem no modelo de jogo da equipa e isso trouxe-lhe confiança para voltar a marcar, para dar a marcar e para produzir exibições de bitola elevada.

Fonte: RFPL
Depois de muito se especular sobre qual seria o seu futuro uma vez terminado o empréstimo à formação do FC Ural, Fyodor Smolov acabou por ser transferido a custo zero para o FC Krasnodar de Oleg Kononov, um treinador altamente experimentado que é conhecido por tirar o melhor rendimento dos seus jogadores, mesmo daqueles casos que aparentam já estar perdidos.
Smolov talvez não tivesse sido uma primeira escolha da formação da terra dos Cossacos, mas as restrições impostas pelo UEFA Financial Fair Play obrigaram o presidente do clube, Sergey Galitsky, a comprar barato ou se possível a custo zero e o outrora talentoso avançado russo de 25 anos encaixava nesse perfil.
A aposta foi totalmente ganha e Smolov é agora visto pela crítica como um dos melhores, senão mesmo o melhor avançado a actuar no país e “arrisca” tornar-se no melhor marcador da Liga Russa, algo que nenhum jogador russo consegue desde 2007, quando Roman Pavlyuchenko e Roman Adamov partilharam o prémio após terem apontado 14 golos cada.
Fyodor, agora com 26 anos de idade, está já muito à frente dos dois antigos internacionais russos e os 20 golos apontados em 28 jogos da Liga Russa (até à data deste artigo) tornam-no num jogador apetecível para qualquer emblema de topo europeu, como defende o seu agente German Tkachenko. O próprio presidente da Federação Russa de Futebol afirmou recentemente que é para ele um orgulho ver o avançado do FC Krasnodar no topo da lista de melhores marcadores, mostrando-se bastante satisfeito por ter dois jogadores de nacionalidade russa, Smolov e Artem Dzyuba, no top 4 dos goleadores da Liga Russa.
O seu antigo treinador, aquando da passagem pelo FC Ural, Aleksandr Tarkhanov contou ao website russo www.championat.com, que durante o tempo que passou em Yekaterimburgo, ele e a sua equipa técnica trabalharam muito com Smolov e conseguiram devolver-lhe a confiança que ele havia perdido. Tarkhanov afirmou também que Fyodor é um daqueles jogadores com quem tem de se construir uma relação de amizade e dar-lhe liberdade para expressar a sua criatividade dentro das quatro linhas. O homem que esta temporada orientou o PFC Slavia Sofia do escalão maior do futebol búlgaro não hesitou por um só momento em afirmar que grandes voos estão reservados para Smolov e que ele tem ainda muito para dar ao futebol russo nos próximos anos.

Fonte: EuroSport
Quem porventura não terá a mesma opinião é o seleccionador russo Leonid Slutsky, que continua a dar-lhe poucos minutos em jogos oficiais e que por só uma vez lhe permitiu actuar durante toda partida, quando a Rússia recebeu a Croácia em Rostov num encontro de carácter amigável disputado em Novembro passado. O talentoso avançado de Saratov não goza também, porventura, da admiração de alguns dos seus colegas de selecção, como é o caso do experiente Roman Shirokov, que num momento profundamente lamentável (um de muitos na sua já longa carreira), o apelidou publicamente de gay pelo simples facto de este ter pintado o cabelo de louro.
Smolov, no entanto, parece continuar indiferente a todo o ruído que tem sido criado à sua volta e leva já 13 golos apontados nos últimos sete encontros. Assim vai, até ao momento, a breve história de Fyodor Smolov, o improvável melhor marcador da Liga Russa.













