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Quando a bola começa a rolar, mesmo um fim-de-semana ensolarado consegue ficar mais bonito. Numa altura em que a segunda volta de muitos campeonatos já se iniciou, cada jornada se torna mais decisiva. Da luta dos aflitos que buscam incessantemente a permanência, às histórias de clubes com menos meios que procuram a gloriosa chegada a competições europeias e aos crónicos candidatos ao título, todas as semanas há voltas e reviravoltas pelo futebol na Europa e no mundo fora.
Esta é uma lista que entre surpresas e certezas faz do futebol o protagonista. As grandes histórias são feitas também destes momentos e esta semana foi propícia em bons jogos de futebol. Muitos – como o épico confronto entre o Real Bétis e o Celta de Vigo – ficaram de fora, infelizmente, mas a lista é restrita. Estes são os cinco destaques deste fim-de-semana de bom futebol.
5. Mundial de Clubes
É muitas vezes desvalorizado por parte dos representantes da Europa e visto como um desnecessário porque, afinal, ganham sempre os mesmos. É uma perspetiva muito redutora e que não se deixa levar pela beleza destas competições: aproximar do grande público um lado mais alternativo, mas não menos relevante por isso, do futebol.
Realizado em Marrocos – um local desde logo especial pela euforia dos adeptos marroquinos – o Mundial de Clubes reúne os campeões de cada confederação. Este fim-de-semana (e já depois da eliminação do Auckland City) defrontaram-se o anfitrião e campeão africano Wydad AC (Regragui levou os marroquinos ao título) e Al-Hilal, campeão asiático, bem como os representantes da CONCACF – Seattle Sounders – que defrontaram o vice-campeão africano, o Al Ahly.
Attiyat Allah contra Al-Dawsari, Lodeiro contra Kahraba. É sempre interessante ver nomes fortes do futebol fora da Europa assumirem o protagonismo em palcos maiores. Haverá oportunidade para voltar a ver, entre outros, El-Shenawy, Ali Maâlaoul (Al Ahly), Ighalo ou Marega (Al-Hilal).
Esta semana realizam-se os confrontos das meias-finais, que já terão os representantes da América do Sul e da Europa em jogo. O Flamengo acabou derrotado pelo Al-Hilal, no dia 7 de fevereiro, enquanto Real Madrid e Al Ahly lutam pelo outro lugar na final, no dia 8 de fevereiro.
4. Fim da linha para o Real Madrid?
E, por falar no Real Madrid, os merengues estão no pior momento da temporada. O deslize frente ao Mallorca (1-0) aumentou a distância para Barcelona na liderança da Liga Espanhola. Os blaugranas venceram o Sevilha (3-0) e estão oito pontos à frente do maior rival. O resultado é volumoso num jogo que não foi um passeio, mas o Barcelona parece estar a entrar nos trilhos (a exibição de Jordi Alba é imensa e Gavi a partir da esquerda parece ser um casamento perfeito).
A história não vale de muito, mas o Barcelona nunca perdeu um campeonato com oito pontos de avanço. Também o Real Madrid nunca venceu um recuperando tal desvantagem pontual. Mais do que um acaso fortuito, a derrota dos merengues é reflexo do pior momento da temporada. Há muitas lesões, mas tem de haver lugar para considerações. De acordo com várias fontes o clube não contratou ninguém por opção quando tem Camavinga a jogar a lateral esquerdo e Mariano a sair do banco. Ceballos tem-se assumido a bom nível – é uma pena não jogar num clube onde possa assumir maior protagonismo – mas a equipa de Ancelloti sente demasiado a ausência de Benzema. Contra o Mallorca, Vinícius e Rodrygo não estiveram mal, mas não foram decisivos e Asensio ainda desperdiçou uma grande penalidade. O momento é complicado: além de Benzema, também Courtois, Militão, Mendy, Lucas Vásquez e Hazard estão lesionados e não irão ajudar os merengues.
Não sendo uma das atrações da Liga, há que dar destaque ao Mallorca. Kang-in-Lee é um talento especial (muitas vezes algo desenquadrado e preso ao corredor), Maffeo está a recuperar anos para cumprir o potencial e Muriqui – obriga Nacho a cortar a bola para a baliza – funciona como referência ofensiva (garante golos e jogo direto).
3. Deslize dos Líderes
A primeira grande queda da temporada do Arsenal. Os londrinos estão num ano de sonho e são, neste momento, os grandes favoritos ao título, mas não são imunes ao tropeção. O Everton faz uma má temporada, mas o bombeiro das descidas – Sean Dyche, pois claro – está em Liverpool para salvar os toffes. O primeiro jogo foi positivo.
A proposta do treinador inglês não muda. Aposta num jogo direto – Calvert-Lewin como referência – e em cruzamentos, aproveitamento das bolas paradas ofensivas – o 1-0 constrói-se num canto – e solidariedade no trabalho defensivo, com o apoio dos extremos aos laterais (procurando evitar situações de 1X1) e com o meio-campo organizado em V (interiores coordenados e sustentados por um médio de cariz mais defensivo).
O Arsenal não conseguiu colocar no jogo a fluidez habitual. Orientado para os corredores onde esteve permanentemente em desvantagem numérica e sem capacidade para desmarcar os extremos de fora para dentro a equipa do Norte de Londres sofreu. Não é preocupante para já, mas os gunners não se podem dar ao luxo de perder pontos, sob pena de hipotecar o desejo de reconquistar o título da Premier League.
O resultado só não foi mais pesado porque no jogo grande da jornada o Manchester City, maior concorrente do Arsenal, também perdeu. O golo de Harry Kane – quem mais – resolveu uma partida que evidenciou, novamente, os problemas da equipa de Guardiola em jogo corrido. Haaland – doença ou cura, fica a questão – não chega para tudo.
2. Segue o Líder
Por terras transalpinas não há espaço para escorregadelas. O Nápoles – a par do Arsenal a equipa mais engraçada de ver jogar – continua a encantar e a cavar um fosso para o segundo lugar. No terreno do Spezia não deixou espaço para dúvidas com um contundente 3-0.
Os golos só surgiram na segunda parte e os elementos da linha defensiva do Spezia não ficam isentos de culpas. A abordagem imprudente de Nikolaou dá penalti, Dragowski sai mal da baliza no segundo golo e Caldara perde a bola em zona proibida no terceiro. Em nada desmerece a exibição do Nápoles que se vai provando – cada vez mais – como a mais forte equipa italiana da temporada.
É também cada vez mais impossível falar dos napolitanos sem mencionar dois nomes: Kvaratskhelia e Osimhen. O georgiano tem sido a revelação da temporada europeia e vai justificando todas as semanas o apelido com que carinhosamente é tratado: Kvaradona. D10S estará certamente feliz. O nigeriano é um avançado total. Fisicamente imponente, recebe de costas, dá em apoio e ataca o espaço. Tudo isto complementado pela capacidade técnica para conduzir e driblar. Os dois são os principais nomes da equipa de Spalletti e têm tudo para alcançar a eternidade em Nápoles.
É difícil imaginar um 2022/2023 em que o Nápoles não se sagre campeão italiano. O Milan voltou a perder – dérbi de Milão em San Siro – e está longe do nível exibicional da temporada passada. O Inter, apesar de em crescendo, continua sem encantar e Roma e Lazio estão um patamar abaixo no que a qualidade individual diz respeito. Parece estar escrito nas estrelas o título do Nápoles.
1. Haller: o mais desejado regresso
Disse outrora Arrigo Sacchi: “o futebol é a coisa mais importante entre as coisas menos importantes da vida”. O italiano sempre soube muito de futebol e da vida.
Haller é o destaque do fim-de-semana. O Borussia Dortmund goleou o Freiburg e morde os calcanhares de Bayern e Union Berlin naquela que é, por agora, uma das edições mais imprevisíveis da Liga Alemã. Tudo isso é supérfluo. O marfinense já teve a vitória mais importante da época e de toda a carreira.
No verão e recém-contratado pelo Dortmund, Haller foi diagnosticado com um cancro nos testículos. Depois de meses afastado dos relvados e a lutar pela vida, o ponta-de-lança marcou o golo mais importante da carreira e venceu a luta contra o cancro. Cancro 0 – 1 Haller.
Dia 4 de fevereiro de 2022, Haller regressou aos golos. Precisamente no Dia Mundial da Luta contra o Cancro. A equipa correu para o abraçar, as bancadas do Signal Iduna Park entraram em delírio e Haller apontou para a chuteira onde carrega uma forte mensagem. Poesia num dia em que o futebol mostrou novamente que é muito menos importante que a vida.










