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Os 5 jogadores que mais vão brilhar no futebol europeu em 2023

Diogo Ribeiro · 7 min

Erling Haaland melhores jogadores futebol
Foto: Manchester City FC

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2023 está a chegar e, se trouxer tantas histórias como 2022, será um ano em cheio no que ao futebol diz respeito. Depois de vermos Benzema e Messi brilhar durante um ano, começam a surgir os primeiros palpites sobre os jogadores que se destacarão durante os próximos 365 dias.

Muitos serão destaque nas suas equipas e nos seus campeonatos. Por hoje e após uma complicada tarefa de seleção, cinco são destaque. Podem ter em 2023 um ano positivo individualmente, com golos, assistências e protagonismo nos maiores palcos, mas também a nível coletivo, com as respetivas equipas na luta pelo título nacional e pela Liga dos Campeões.

São todos jogadores de presente, mas também de futuro, capazes de marcar os adeptos no próximo fim-de-semana e de marcar a próxima década do futebol. Entusiasmam adeptos no estádio e no sofá com apontamentos deliciosos, com passes a rasgar defesas e com golos atrás de golos e estão aí para serem falados em 2023.

VINICIUS JÚNIOR

Depois de começar a bailar, nunca mais quis parar. Continua a ser o malabarista que era no Brasil, capaz de arrancar em velocidade e de conquistar metros através do drible e, com Ancelotti, tem aperfeiçoado o remate. Cumpre os requisitos de um extremo moderno, com uma objetividade tremenda para procurar a melhor definição e o remate – que deixou de ser ponto fraco – não deixando de ser o Vini que, de sorriso na cara, brinca no Bernabéu como quem brinca nas ruas do Rio de Janeiro.

Tem tido um amadurecimento entusiasmante e a sinergia com Benzema é das mais poderosas nos dias que correm. Aproveitando a mobilidade do francês para atrair atenções e libertar espaços, as combinações entre os dois fazem espaços curtos parecer autênticas avenidas. 

O Real Madrid procura revalidar o título espanhol e o título europeu. Ancelotti trouxe uma nova alegria ao jogar dos merengues que continuam a ter na Europa o teatro máximo das reviravoltas impossíveis. A estabilidade do clube da capital espanhola trouxe regularidade às exibições de Vinícius Júnior. Se continuar a bailar continuará a calar as críticas – profundamente mal-intencionadas – dos incapazes de ver nos relvados uma pista de dança para a arte dos pés. Porque, mesmo debaixo dos coros insultuosos, muitas vezes racistas, Vinícius – ou Vini da Malvadeza, para os apreciadores – responde com dribles e golos. Os fãs retribuem com sorrisos a cada maldade do brasileiro.

KYLIAN MBAPPÉ

Criaram um monstro, agora é preciso lidar com ele. Perder uma final não é novidade para Mbappé (basta recuar até à Liga dos Campeões de 2020). Porém, perder uma final da maior competição do mundo mesmo marcando um hat-trick (e o penálti a que teve direito), foi o ponto mais doloroso da carreira da Tartaruga Ninja de Paris.

Curiosamente o vilão da França de Mbappé – Messi, pois claro – vestirá a capa de maior ajudante do francês no PSG. Mbappé, Messi e Neymar procuram levar os parisienses ao inédito título da Liga dos Campeões que teima em fugir ano após ano. 

Mbappé é jogador para marcar gerações. Partindo da esquerda tem capacidade mais que reconhecida para ser mortífero em campo aberto. Pela rapidez, pela capacidade de mudar de velocidade é, quiçá, o jogador mais perigoso do mundo quando encontra espaço para acelerar. Menos valorizada, mas também de qualidade superlativa, é a capacidade para jogar em terrenos mais reduzidos. O drible curto, a bola colada ao pé, a imprevisibilidade e a mudança de direção fazem de Mbappé uma arma perante defesas mais compactas, que procurem reduzir o campo. Importa também não esquecer – nem normalizar – a capacidade de Mbappé ludibriar o guarda-redes, simulando um remate aberto para depois procurar o poste mais próximo.

Depois da tempestade vem a bonança, diz o ditado. Mbappé parece focado depois do Mundial e,a paragem atípica para a competição pode ter sido o elixir para o que resta da temporada e para o ano que se adivinha.

JAMAL MUSIALA

O primeiro adversário do PSG de Mbappé será o Bayern de Munique de… Jamal Musiala. Com apenas 19 anos já é protagonista do maior clube alemão dos últimos anos e em 2023 pode explodir definitivamente.

É um fenómeno na maneira como recebe orientado e transforma cada lance numa oportunidade de perigo. Pode jogar a partir da faixa ou a partir do corredor central, desde que tenha liberdade para procurar um futebol mais associativo. Acrescenta fluidez ao jogo dos bávaros, tem recorte técnico diferenciado e colegas que falam a mesma linguagem (desde logo Sané, Gnabry ou Mané nas zonas mais avançadas).

É encarado em Munique como o sucessor de Muller, mas as características são diferentes. Desde logo o protagonismo que chamam a si. Muller foi sempre um coadjuvante de luxo, muitas vezes encarado como patinho feio, e que, sem grande brilhantismo, era capaz de resolver cada jogada, segurando os holofotes apontados aos colegas. Pela qualidade técnica, Musiala tem outros argumentos no que à estética do jogo diz respeito. Não tem ainda uma leitura de jogo e um entendimento deste ao nível do compatriota, mas tem uma carreira toda pela frente para limar as arestas que faltam.

Chegou como promessa, hoje já se pode dizer que seja uma das referências. O crescimento de Musiala tem sido galopante e as boas sensações dadas num Mundial infeliz para a Mannschaft deixam água na boca para o seu 2023.

ERLING HAALAND

Promete golos para o ano que se avizinha. Poucos jogadores tiveram impacto tão imediato na Premier League no que a este quesito diz respeito. 

São, à data, 18 golos em 14 jogos naquela que é, por muitos, perspetivada como a maior e melhor liga nacional no que ao futebol diz respeito. Haaland é uma máquina no que toca à finalização. Alia instinto, técnica e mentalidade. Basta recordar as declarações do norueguês – “O meu sonho é tocar cinco vezes na bola e marcar cinco golos”.

Tem argumentos em campo aberto – pela potência física e capacidade de ganhar duelos – e em apoio – não sendo o mais exuberante, é capaz de contribuir de costas para a baliza – que necessitam de ser mais enquadrados. Apesar dos golos, ter Haaland muitas vezes tão pouco em jogo não é benéfico para o City que tem sido capaz de resolver jogos – De Bruyne a cruzar para Haaland – mas, exibicionalmente, parece ainda algo afetado por um corpo estranho. Depois do Mundial já voltou a marcar.

Além do papel no clube, Haaland pode ter um ano de destaque ao nível da seleção. Com o alargar do número de seleções no Europeu, a Noruega fica mais próxima de uma fase final que só atingiu por uma vez na história (2000). Cabe aos miúdos – Haaland e Odegaard acima dos outros – lutarem pelo sonho.

KHVICHA KVARATSKHELIA

Deixou de ser o extremo com um nome impronunciável para ser um dos melhores da atual temporada. Chegou ao Nápoles com a complicada tarefa de substituir Insigne, e tem sido o destaque no conto de fadas napolitano.

É, possivelmente, o trabalho mais entusiasmante do Velho Continente. Spalleti assumiu o Nápoles, libertou os talentos num futebol funcional sem grandes amarras e, além de cativar espectadores, tem garantindo resultados. Está nas 16 melhores da Europa e é líder isolado do campeonato italiano. A política de contratações – jovens de ligas periféricas ou de clubes inferiores em Itália – tem dado frutos e Kvaratskhelia é o expoente máximo.

O apelido carinhoso de Kvaradona – referência ao maior ídolo do clube e da cidade de Nápoles – personifica as esperanças dos adeptos num regresso ao topo. As comparações com o argentino são exageradas, naturalmente, mas não é descabido encontrar traços de Maradona em Kvaratskhelia. Pela ousadia, pela capacidade de drible, pela facilidade em fazer o difícil parecer simples. Mais do que um craque – que também o é – Kvaratskhelia é o representante máximo de uma cidade que sonha em homenagear o seu principal Deus – D10S em linguagem divina.

Poucos imaginavam no início do ano que um jovem georgiano do Rubin Kazan conquistaria o topo de forma tão rápida e fácil. O futebol, mais uma vez, mostrou que a qualidade não se mede pela popularidade, muito menos pelo passaporte. E, por falar em passaporte, 2023 é um ano para observar a Geórgia. Muitas vezes desvalorizada, a Liga das Nações é um palco do futebol alternativo e, nesse campeonato, nenhuma seleção está ao nível da Geórgia. Em três edições escalou duas ligas: este ano alcançou a promoção à Liga B. Com novos talentos como Mamardashvili, Chakvetadze, Davitashvili, Tsitaishvili e, claro está, Kvaratskelia, a Geórgia tem tido um desenvolvimento bem interessante. Com o Euro 2024 à porta, 2023 pode ser o ano de ouro para o futebol georgiano.

Diogo Ribeiro

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