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Uma cidade unida, porque está dividida. Rivalidade eterna. Motivações políticas, religiosas, históricas ou apenas geográficas. Famílias que se dividem e amigos que se antagonizam. São os jogos mais aguardados do ano, independentemente da classificação dos clubes na tabela. Dérbis são dérbis e vice-versa.
Em dia de jogo, a cidade transfigura-se para um cenário de guerra. As cores com que nos vestimos identificam a nossa causa e a paixão que nos move. As autoridades reforçam a segurança e o trânsito fica condicionado. Nos casos extremos, os adeptos do clube visitante nem têm autorização para assistir ao jogo no estádio.
Neste artigo, elegemos os cinco maiores dérbis do mundo. Dérbis, não clássicos. Estamos a falar de jogos que fazem uma cidade parar, porque se defrontam os maiores clubes que lá coabitam. Um dérbi é muito mais do que um jogo, e este Top 5 faz disso prova.
5.
Last night’s Eternal Derby was intense 👀 pic.twitter.com/EC4h6KDKRe
— B/R Football (@brfootball) December 14, 2017
FK Estrela Vermelha x FK Partizan Belgrado: Dérbi Eterno – Os dois clubes nasceram na reconstrução da Jugoslávia no pós-guerra: o Estrela Vermelha criado pela Aliança Unida da Juventude Antifascista, e o Partizan fundado pelo exército comunista da Jugoslávia. O primeiro dérbi de Belgrado data de 1947 e, desde aí, o Estrela foi quem mais vitórias somou: 109 contra 81 do Partizan. Para se ter uma noção do domínio interno destes dois clubes, desde 98/99 que o campeão nacional é sempre um deles os dois. É fazer as contas.
Estamos a falar de um dérbi que começou na Jugoslávia, sobreviveu às guerras, passou pela Sérvia e Montenegro e agora continua a existir na Sérvia. É por isso que é Eterno. Desde os primórdios desta rivalidade que opõe civis (Estrela) e militares (Partizan) que o ambiente sempre foi hostil.
Os episódios de violência, dentro e fora de campo, são inúmeros. Já houve mortos em confrontos, e os cânticos são ensurdecedores num dérbi com uma forte conjuntura política e que é um autêntico barril de pólvora prestes a explodir, como prova o espetáculo de pirotecnia que é apanágio em Belgrado. Porque nesta cidade, dérbi que é dérbi começa normalmente depois da hora marcada, tal é a quantidade de fumo que torna impossível ver o campo.
4.
No dia 30 de julho de 2006, Internacional e Grêmio empatavam em 0x0, num jogo que ficou marcado como o “Gre-Nal dos banheiros químicos”.
📅 30/07/2006 pic.twitter.com/7B45pja6ls
— Memória Colorada (@memoriacolorada) July 30, 2020
Grémio FB x SC Internacional: Gre-Nal – O maior dérbi do Brasil. Diz quem conhece que, se nasce em Porto Alegre, ou é Grémio ou Internacional. Não há volta a dar. O Grémio nasceu primeiro e o direito a lá jogar era restrito aos seus sócios. Vai daí e os irmãos Poppe, recém-chegados a Porto Alegre e rejeitados no Grémio, decidem criar o seu próprio time, o Internacional. Fazendo jus ao nome, o clube aceitava tanto jogadores brasileiros como estrangeiros.
1909 é o ano do primeiro jogo entre os dois, cujo resultado foi uma vitória categórica do Grémio por 10-0. Desde aí, o Internacional esteve mais vezes por cima nesta rivalidade e soma 156 vitórias contra 135 do Grémio. A intensidade, agressividade e paixão com que este dérbi é jogado supera o Fla-Flu e o dérbi paulista, a um nível em que até na moeda ao ar já houve confrontos.
Este dérbi não tem fama de gerar muitos desacatos entre adeptos, relegando-se para dentro de campo toda a animosidade de uma rivalidade centenária. O caso mais recente passou-se já este ano, quando os dois conjuntos se defrontaram, pela primeira vez na história, na Copa Libertadores. O resultado? 0-0, uma batalha campal e oito(!) expulsões.
3.
Wow.
The Istanbul derby ended in a brawl of 30 players and staff.
Full story👇https://t.co/yi9HdkMRGE pic.twitter.com/Uv6KYRbS0p
— BBC Sport (@BBCSport) November 2, 2018
Fenerbahçe SK x Galatasaray SK: Dérbi Intercontinental – O dérbi de Istambul é escaldante. Dois clubes separados pelo Bósforo: Fenerbahçe do lado asiático da Turquia representa a classe mais humilde, ao passo que o Galatasaray está no lado europeu e é conotado com a elite. Daqueles dérbis eletrizantes.
O primeiro jogo entre ambos remonta a 1909 e a vantagem no confronto pende para leste do estreito de Bósforo. A rivalidade entre os dois clubes manteve-se relativamente calma até ao ano de 1934, onde num amigável, que de amigável pouco teve, a tensão escalou e trocaram-se agressões de parte a parte, o que acabou por fazer deste dérbi um jogo de vida ou morte.
Os espetáculos de pirotecnia são garantidos nos duelos entre os dois clubes, assim como coreografias e cânticos que representam fielmente a hostilidade do ambiente vivido no Dérbi Intercontinental. Esta rivalidade transcende a própria cidade e alarga-se ao país inteiro, sendo muitos os episódios de violência e mortes, não só em Istambul, como noutras cidades, assim como casos de racismo.
2.
Old Firm!
162 vitórias para o Celtic, 162 para o Rangers.
A rivalidade mais antiga da Escócia e uma das mais antigas do mundo. O primeiro confronto data de 1888.
Tem a peculiaridade de juntar à rivalidade futebolística questões políticas e religiosas.https://t.co/rVGCKXOjXV pic.twitter.com/qifL4Srmo5
— Malavita (@malavitoi) July 29, 2020
Celtic FC x Rangers FC: Old Firm – Católicos de um lado, protestantes do outro. Um dérbi que divide a já de si dividida cidade de Glasgow, desde o longínquo ano de 1888. As provocações entre adeptos rivais são uma constante, como foi o caso em 2012 da coreografia dos adeptos do Celtic relativamente à iminente falência do Rangers, que se confirmou mais tarde.
Num total de 420 jogos oficiais entre os rivais de Glasgow, o Rangers conta com 162 vitórias, e o Celtic 159. Desde que esta rivalidade existe, já ocorreram diversos episódios de violência por parte de adeptos, invasões de campo, confrontos com a polícia e cânticos e tarjas provocadoras. A intensidade com que cada Old Firm é disputado alcança níveis tais que é raro o jogo em que não há jogadores expulsos.
Um dos dérbis mais violentos entre os dois emblemas remonta à época 98/99, onde o Rangers venceu o Celtic no Celtic Park (0-3) e sagrou-se campeão no recinto do rival. Houve várias expulsões, invasões de campo e até o árbitro teve de ser suturado.
1.
O sonho de todo amante de futebol sul-americano SERÁ realizado.
Boca Juniors x River Plate fazem a final da Libertadores 2018.
Torceremos para que a bola jogada sobreponha à violência e o excesso de “vontade”.#Superclasico ❤️🖤//💛💙 pic.twitter.com/5njinNS6Bo
— G. de Light (@Profetanista) November 1, 2018
CA Boca Juniors x CA River Plate: El Superclásico – Um dos dérbis que é um clássico e vice-versa. Ambos os clubes nasceram no bairro de La Boca, em Buenos Aires, capital da Argentina. Apesar dos Xeneizes serem conotados com as classes mais humildes e os Millonarios com a classe mais alta, a verdade é que a falange de apoio de ambos é bastante alargada e encontra adeptos em todas as classes sociais.
O primeiro jogo oficial entre os dois rivais de Buenos Aires realizou-se em 1913 e, desde aí, o Boca Juniors somou 89 vitórias contra 83 do River Plate. Este dérbi escaldante é vivido com uma intensidade tremenda, não só dentro de campo, mas também fora dele. Adeptos dos dois lados criam uma atmosfera aterradora com cânticos, bandeiras, tarjas e muita pirotecnia. Os confrontos entre adeptos rivais foram mais que muitos e obrigam a uma operação policial apertada em dia de jogo. Em 2015, em duelo da Copa Libertadores, os adeptos do Boca largaram gás pimenta sobre os jogadores do River, o que obrigou a suspender o jogo e levou à desqualificação do Boca da competição.
Este ambiente escaldante é muitas vezes replicado também fora do estádio, o que deu origem a confrontos entre adeptos e também com a polícia, assim como ataques ao autocarro do rival. Basta recordar que, em 2018, a segunda mão da final da Copa Libertadores teve de ser deslocada não para outra cidade ou para outro país, mas para outro continente: a Europa, mais precisamente em Madrid. O motivo? Adeptos do River atacaram o autocarro do Boca com pedras e gás pimenta e as autoridades não conseguiram assegurar as condições de segurança para o jogo se realizar no país.
Artigo revisto









