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Os 5 momentos chave da carreira de Nicolas Anelka

Clara Maria Oliveira · 7 min

Foto de capa: Arsenal FC

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O nome de Nicolas Anelka voltou a estar na ordem do dia. Depois da estreia do documentário da Netflix, Anelka: O Incompreendido, o avançado francês tentou explicar alguns dos muitos episódios polémicos dos quase 20 anos ligados ao futebol. 7 países, 12 clubes e uma figura emblemática que marcou uma geração.

A ambição e a irreverência já se notavam desde o primeiro treino no modesto FC Trappes. O próprio dizia, muitas vezes, que não queria ser apenas um jogador de futebol, mas sim uma estrela do desporto. O talento era tão notório que, aos 16 anos, já jogava e marcava pela equipa principal do Paris Saint-Germain. No documentário, Thierry Henry menciona que considerava o colega o melhor dos dois.

Muitos consideram a ascensão do atleta demasiado rápida. Em poucos anos, Anelka passou uma curta temporada no clube parisiense, assinando logo pelo Arsenal, e pouco depois estava no Real Madrid. Aliado a isso, a personalidade pouco ortodoxa também nunca causou consenso na comunidade futebolística.

Apesar de o documentário não explorar o outro lado da barricada, fica a ideia que é fundamental uma boa relação do jogador com a imprensa. Caso contrário, a carreira pode terminar de uma forma diferente do esperado.

Com isto, não foi nada fácil escolher apenas cinco momentos da carreira do francês. Apesar de ter caído um pouco no esquecimento nos últimos anos, só um jogador como estes poderia ter tanto material para um documentário cheio de histórias para contar. Foi, sem dúvida alguma, uma das figuras desportivas do início do século XXI.

Foto de capa: Arsenal FC

5.

O MIÚDO SEM MEDO DE NADA

Como referido anteriormente, Nicolas Anelka despertou cedo interesse no futebol profissional. Aos 17 anos e poucos jogos pelo PSG depois, Arsene Wenger uniu esforços para trazer o jovem para o Arsenal. Na época, a transferência veio envolta em polémica, porque ainda não tinha assinado contrato profissional com o clube de Paris.

Mesmo com tenra idade, não tinha medo. Invocou o caso Bosman e seguiu para terras de sua majestade. Pelos Gunners, o ponta de lança jogou 82 partidas, marcou 26 golos e assistiu os seus por 11 vezes. Apesar de ter tido algumas dificuldades em se ambientar a um novo futebol, não demorou até se tornar titular e se transferir para um clube superior.

4. 

O SONHO E O PESADELO MERENGUE

As transferências no futebol começaram a movimentar muito mais dinheiro. No verão de 1999, o jovem Anelka protagonizou a mudança mais cara do desporto até à data. O Real Madrid pagou cerca de 35 milhões de euros pelos serviços de um dos jogadores mais talentosos da sua geração.

A estadia na capital espanhola não foi um mar de rosas, tudo pelo contrário. A imprensa e os próprios colegas de equipa tornaram a vida difícil a um rapaz que estava habituado a ser o centro das atenções em qualquer lado por onde passasse. Inclusive, algo impossível nos dias de hoje, ninguém lhe emprestou um simples equipamento para treinar.

O rendimento em campo não coincidia com o valor pago e, depois de uma discussão acesa com o treinador, Anelka voltou a fazer das suas. Não aparecia nos treinos e parecia estar a brincar um pouco com a situação. Todo o drama criado pelos jornais não ajudou em nada na resolução do problema.

Pouco depois, pediu desculpa, e foi a tempo de fazer parte da conquista da oitava Liga dos Campeões dos madridistas. O próprio admite que errou muito no clube e assume que não foi a melhor escolha ir tão novo para um clube como o Real Madrid. Foi o caso de uma mudança certa no momento errado.

3.

O REGRESSO AO PSG E A PASSAGEM POR LIVERPOOL

Exatamente um ano depois, o clube que o formou, o PSG, resgatou o jogador por 35 milhões de euros. Depois de o ter vendido por pouco menos de um milhão para o Arsenal, os parisienses decidiram que era o momento para o “menino da casa” regressar.

No entanto, o regresso não correu como o esperado. No mercado de inverno de 2002, Nicolas rumou por empréstimo ao Liverpool, e voltou a ganhar o prazer de jogar e encantar como já tinha habituado. Na cidade dos Beatles, jogou 22 jogos e marcou cinco golos em meia época que até prometia uma transferência definitiva.

Essa decisão embateu no treinador dos Reds, Gérard Houllier, que não gostou dos telefonemas dos irmãos de Anelka com outros clubes interessados nos serviços do futebolista. Por conseguinte, voltou a Paris e depressa rumou de novo a Inglaterra, para jogar pelo Manchester City.

2.

O RENASCIMENTO EM LONDRES E A POLÉMICA EM BIRMINGHAM

Depois de uma aventura na Turquia e de aceitar jogar pelo Bolton Wanderers, voltou a surgir o convite de um grande clube europeu: o Chelsea. Apesar de alguns momentos menos bons com a camisola dos blues, como o penálti falhado na final da Liga Dos Campeões frente ao Manchester United, Anelka voltou a ganhar a alcunha de goleador.

Na temporada de 2008/2009, o francês marcou 19 golos e juntou a bota de ouro à prateleira de troféus individuais e coletivos que já tinha conquistado. Depois do grande momento, passou pela China e por Itália, com uma má passagem pela Juventus.

Numa fase claramente descendente da carreira, surgiu o West Bromwich Albion, onde passou por um dos piores momentos como profissional. Uma celebração que para o jogador era banal, depressa se repercutiu por toda a comunicação social, porque efetivamente se tratava de um gesto antissemita.

Uma multa e vários jogos de suspensão depois, o atleta explicou no documentário o que quis passar com o festejo. Tudo se tratava de uma provocação ao ex-treinador do WBA.

1. 

RELAÇÃO DIFÍCIL COM A SELEÇÃO FRANCESA

Apesar de pensarmos quase automaticamente em 2010 quando pensamos em polémica, já lá vamos. Antes disso, Anelka já tinha problemas antigos com a seleção que defendia. Em 1998, o então jovem avançado foi retirado da lista de convocados dos futuros campeões do mundo sem qualquer explicação, apenas um “Tu? É lógico.”

Mais tarde, o francês conquistou um europeu e completou 69 internacionalizações com as cores gaulesas, onde marcou 14 golos. Ao lado de Thierry Henry, um dos seus melhores amigos, fez sonhar uma geração de adeptos do país.

Voltando, caro leitor, à principal polémica. Nicolas Anelka nunca tinha tido oportunidade de jogar num campeonato do mundo, e a competição que se iria realizar na África do Sul era a última oportunidade de colocar mais um carimbo no passaporte dos sonhos de qualquer futebolista.

No entanto, depois de um jogo mal conseguido e da necessidade de vencer frente ao México, acontece o episódio que marca ainda mais pela negativa a carreira do atleta. No intervalo desse segundo encontro, o avançado descontrola-se e dirige palavras menos próprias a Raymond Domenech, o selecionador nacional.

A partir desse momento, estalou o verniz no seio dos convocados. Depois de uma capa que é inédita na história do jornalismo desportivo, os jogadores franceses recusaram-se a treinar e até houve relatos de algumas agressões de Evrá. Apenas oito anos depois, o selecionador veio desmentir tudo.

Durante todo este período, Anelka era o alvo mais fácil a abater por parte da imprensa. O historial de bad boy e as inúmeras polémicas em que se viu envolvido não ajudaram no episódio, mas depois de tudo isto, sabemos que o jogador era, provavelmente, o menos culpado de todas as acusações que lhe foram feitas.

Artigo revisto por Joana Mendes

Clara Maria Oliveira

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