Publicidade

“A Filosofia dos Expected Goals – O que é e para que serve?”

Nuno Oliveira · 3 min

“A Filosofia dos Expected Goals – O que é e para que serve?”
Foto: Premier League

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

É uma realidade que o futebol tem mudado ao longo dos tempos: as táticas, os jogadores, as novas tecnologias como a linha de golo, o tão criticado VAR e, temos ainda outro lado menos falado – novas estatísticas como o Expected Goals. Chama-se evolução e faz parte de qualquer jogo, qualquer modalidade.

Realidade também é que o Futebol, ao contrário de outras modalidades, como o Basquetebol, Basebol e o Hóquei, tem sido mais resistente à natural proximidade da matemática como ciência para explicar o jogo de uma forma mais racional e lúcida. Mas já existem exceções, digamos que Billy Beane está para o tão conhecido “MoneyBall” e para os Oakland Athletics como Ramón Rodríguez Verdejo, conhecido como Monchi, esta para o Sevilla ou Matthew Benham para o Brentford FC e FC Midtjylland.

Mas o que é isto dos Expected Goals?

Não consegui encontrar melhor definição para o apelidado de (xG) como li no livro da autoria de James Tippet – “The expected goals philosophy”, a qual passo a resumir.

De forma simples, Expected Goals (xG) diz-nos a quantidade, mas principalmente a qualidade de oportunidades de golo que uma equipa criou num jogo. É normal, quando fazemos a retrospetiva de um jogo e dizemos «Se tivéssemos marcado aquele golo de penalty, tínhamos ganho!» Ou em bom português, «Se o árbitro tivesse marcado aquela falta, tínhamos ganho!» ou até mesmo, «Rematamos tantas vezes, como não marcamos golos?», nem sempre o que os nossos olhos dizem, é verdade. O papel da estatística Expected goals (xG) é repor um pouco dessa verdade, é uma maneira simples de quantificar as oportunidades de golo.

Como funciona?

De forma simples, Expected Goals (xG) indica-nos a quantidade de oportunidades de golo que uma equipa deveria ter concretizado face a quantidade e a qualidade criadas durante a partida.

Medimos o Expected Goals (xG), a probabilidade de um remate resultar num golo. Parece-nos obvio que a probabilidade de um remate a 30 metros da baliza com três ou quatro adversários pela frente será baixa. Por outro lado, um remate dentro da área, “só” com o guarda-redes pela frente, terá uma probabilidade muito mais alta de se tornar num golo.

É claro que a distância a que o remate é feito é uma das principais métricas para determinar a probabilidade de um remate, mas de longe, que seja a única. Nas melhores casas de Sports Science, para a construção do Expected Goals, é levado em conta se o remate é proveniente de um cruzamento, se é feito com a cabeça, em volley, o ângulo do remate e até mesmo se o remate é feito com o pé dominante do jogador.

Caso prático (Fictício):

Domingo à tarde, Liverpool vs Mancherster City, jogo importante para as contas do título. Infelizmente não conseguimos assistir ao jogo, mas no final do mesmo, vamos ver as estatísticas porque queremos ter a noção do que se passou no jogo.

Liverpool ganhou 1-0 aos azuis de Manchester, no entanto, as estatísticas revelam-nos que o Manchester City rematou 4x mais que os Reds.

 

Vamos às estatísticas:

Equipa Remates à baliza Expected Goals (xG)
Liverpool 2 0.3 + 0.4 = 0.7
Manchester City 8 0.1 + 0.1 + 0.1 + 0.1 + 0.1 + 0.1 + 0.1 + 0.1 = 0.8

 

Por miúdos, sem ver o jogo e olhando só para os “Remates à baliza”, vamos calcular que o Manchester City foi sem dúvida a melhor equipa em campo e vamos apelidar de uma tremenda injustiça ou até mesmo um milagre o que se passou em Anfield. Através da estatística dos Expected Goals podemos constatar que não é bem assim. É verdade que o Manchester City rematou mais, mas foram remates de longe, mal-enquadrados, sem uma construção eficaz que os aproximasse das verdadeiras oportunidades de golo. Remataram oito vezes, com cada remate a ter uma probabilidade de 10% de se tornar um remate vitorioso.

Por outro lado, constatamos que o Liverpool foi uma equipa criteriosa na construção da sua manobra ofensiva, concluindo dois remates. Um com 30% de probabilidade de acabar nas redes adversarias e outro com 40%, um remate de Firmino, bem enquadrado com a baliza que decidiu o contendo entre as duas equipas.

Concluído e de uma forma bastante resumida, a estatística Expected Goals (xG) aproxima-nos da verdade do jogo através de números. São inúmeros os casos onde podemos utilizar esta ferramenta para melhorar a nossa compreensão sobre o jogo e melhorar o mesmo. Ainda não chegámos lá, mas está mais próximo o dia em que qualquer equipa poderá usar esta métrica para melhorar o seu jogo.

Nuno Oliveira

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quando a tática explica tudo e, mesmo assim, passa para 2.º plano | Torreense

Não é que a tática não seja importante. Ela é, aliás, crucial para entender o jogo e o seu caminho. Ainda assim, depois de dois golos dos descontos e de uma nova vitória - a primeira em casa - do Torreense, qualquer pensamento, qualquer sentimento, qualquer nota sobre o jogo tende a lembrar a magia de, não um, mas dois golos anotados nos descontos para mudar completamente o resultado e o apelo de um clube a uma prova. Só a tática, na forma como o Torreense se organizou 11x10, 10x11 e 10x10, explica uma vitória construída com base em pensamento, em estrutura e em alterações constantes, num dinamismo tal que precisa de múltiplos cantos para escrever uma epopeia. Mas também só a emoção ou, pelo menos, a capacidade de a exteriorizar, explica a forma como, quando todos já poderiam deitar a toalha ao chão, um clube da Segunda Liga se consegue superiorizar na Europa e, depois de sofrer uma reviravolta, responder na mesma moeda, depois de, em casa, perder pontos nos descontos, recuperá-los e triplicá-los. 

Diogo Ribeiro · 9 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.