Publicidade

De Kokorin e Mamaev a um problema cultural

João Brandão · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Foi no dia 7 de outubro que Zenit St.Petersburgo e FK Krasnodar se encontraram, num jogo que terminou com vitória da turma de St. Petersburgo por 2-1. Mas o resultado até é o mais irrelevante nesta história. No fim do jogo, Aleksandr Kokorin e Pavel Mamaev, adversários em campo mas amigos fora do mesmo, juntaram-se para celebrar o 10º aniversário da sua amizade.

Alugaram um vagão inteiro do TGV que liga St.Petersburgo a Moscovo e logo aí começaram a desencadear desacatos com os elementos da tripulação, consumindo todo o álcool disponível. O que foram fazer a Moscovo? Foram a um famoso bar de alterne, onde ficaram até às 7h do dia seguinte. Sem terem medo de dar nas vistas, seguiam pelas ruas da capital russa, perturbando quem lá passava e danificando várias viaturas estacionadas. Alertados por várias pessoas, que pediram para que parassem com tais comportamentos, os dois jogadores reagiram com violência, agredindo uma das pessoas que interveio, por coincidência chefe de um dos canais mais importantes da televisão russa.

Nesta longa odisseia, entraram num café por volta das nove da manhã. Mais uma vez, a sua má conduta veio ao de cima, tendo um individuo tentando tranquilizar os dois jogadores, que contestaram com frases xenófobas “Chinês, não chateies. Vai para o teu país pedir ordem”. Mas a resposta não ficou por aqui, tendo passado para a violência, agredindo varias pessoas com socos e com cadeiras, entre as quais dois dos mais altos funcionários do estado russo.

Poucas horas depois, terão oferecido cinco milhões de rublos para que os donos do café apagassem os registos das câmaras de videovigilância, algo que não foi aceite. No dia seguinte, foram notificados a comparecer perante a polícia para prestarem declarações, tendo ambos admitido os factos e ficado em prisão preventiva até 8 de dezembro, dia em que se saberá o veredicto final. Os dois clubes suspenderam de imediato os contratos dos jogadores, esperando também eles o desfecho judicial para tomar medidas mais drásticas.

Outro caso polémico recente envolvendo jogadores russos foi o de Denis Glushakov, que foi apanhado pela sua mulher com uma prostituta, que o jogador diz ser… uma amiga de infância. A mulher filmou tudo e publicou o vídeo, tornando-se viral.

Estes são apenas dois de uma imensidão de problemas disciplinares de jogadores russos nos últimos anos. No entanto, estes recebem maior atenção por se tratarem de jogadores internacionais e de referência para muitos jovens. Depois do sucesso que foi receber o Mundial, não só pela organização excelente bem como o digníssimo desempenho da seleção, eliminando a Espanha e apenas caindo nos penáltis perante a Croácia, espera-se que o futebol crescesse exponencialmente no país, influenciando positivamente os mais jovens, pelo que casos destes só vêm devastar o que tão bom foi feito.

Infelizmente, o sangue soviético parece não coadunar com os valores necessários para ser uma referência do desporto rei, podendo até pensar-se numa correlação entre a cultura russa e o falhanço no futebol. O futebol exige profissionalismo, determinação, sacrifícios entre muitas outras valências, algo que os russos não parecem conseguir levar muito a sério.

Foto de capa: Ktelegram.com

Artigo revisto por: Jorge Neves

João Brandão

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Benfica

2 anjos e 2 diabos convertidos | Benfica

O mundo não é transparente, preto e branco ou qualquer outra singularidade imutável. Como diria Bruno Nogueira no Último a Sair, "O mundo é bué cenas". E, fazendo uso da expressão, é a evolução, a mutação e o desenvolvimento dessas cenas o motor para a passagem dos dias não ser apenas isso. A sucessão de acontecimentos do Benfica funciona desta maneira. Nos últimos anos, sucederam-se treinadores, mudanças estruturais e conjunturais e mercados de transferência que, na sua sequência, levaram a que, ao dia de hoje, Andreas Schjelerup e Gianluca Prestianni sejam os grandes dínamos do futebol encarnado. Quando foram contratados, o norueguês em janeiro de 2023, o argentino um ano depois, não era propriamente surpreendente vislumbrar na dupla criativa o futuro das águias. Os meses - mesmo anos - seguintes deixaram algumas dúvidas e hesitações sobre o assunto, quase sempre mais pertinentes pela qualidade da aposta do que pela qualidade dos intérpretes, mas 2026 tem ajudado nos esclarecimentos. Já não é só o futuro que passa pela dupla criativa. O presente também o é. 

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.