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O campeonato é suficiente, Villas-Boas?

Fernando Gamito · 3 min

O campeonato é suficiente, Villas-Boas?

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Com o final da temporada a aproximar-se na Rússia, é tempo de fazer o balanço de 2014/15. O Zenit, comandado pelo técnico português André Villas-Boas (que já passou por FC Porto, Chelsea, Tottenham), conquistou o campeonato, com duas jornadas ainda por disputar na competição, e pôs fim a um jejum de dois anos (o CSKA de Moscovo foi campeão em 2012/13 e 2013/14). Mas, será esta conquista suficiente para uma época, tendo em conta os objetivos que o orçamento do clube permite e os jogadores de classe mundial de que dispõe?

No que ao plantel concerne, o emblema de São Petersburgo está recheado de estrelas, jogadores que podiam bem figurar nos onzes inicias de vários clubes de topo do futebol mundial. A sua baliza está bem guardada por Yuri Lodygin, guarda-redes russo, internacional por oito vezes, que cumpre a segunda época no Zenit e tem vindo a assinalar exibições de nível positivo e defesas importantes para as aspirações de Villas-Boas.

Na defesa, nomes bem conhecidos do povo português como o do argentino Ezequiel Garay, ex-defesa central do Benfica, imperial no que à arte de defender diz respeito, e do português Luís Neto são figuras de destaque. A juntar a eles estão, ainda, o italiano Domenico Criscito e o belga Nicolas Lombaerts, que com os russos Smolnikov e Anyukov formam uma defesa bem coesa (apenas 16 golos consentidos em 28 jogos na Premier League russa).

A nível de meio-campo, a figura de proa é Axel Witsel, que passou pelo Benfica em 2011/12 e custou cerca de 40 milhões de euros aos cofres do Zenit. A qualidade técnica e o conhecimento tático do médio belga permitem que seja um dos ativos mais atrativos do mercado neste momento, sendo que, à terceira época, está a viver o melhor momento e ano na Rússia. O virtuosismo e capacidade de construir jogo de Witsel são catapultados pela consistência defensiva que o espanhol Javi García, também com passagem pelo Benfica, oferece – funciona como um autêntico “bombeiro” no miolo defensivo do Zenit, bem ao estilo do que nos habituou por terras lusas. Esta dupla conta, ainda, com a ajuda dos russos Oleg Shatov (cada vez mais fundamental no esquema de Villas-Boas) e Alexander Ryazantsev.

Witsel (direita) é uma das jóias da coroa do Zenit Fonte: Facebook oficial Zenit
Witsel (direita) é uma das jóias da coroa do Zenit
Fonte: Facebook oficial Zenit

No que ao ataque diz respeito, é necessário fazer referência ao internacional português Danny, capitão da equipa, que com uma tremenda capacidade no que ao capítulo do passe diz respeito, conta 11 assistências para golo na liga russa. Os principais visados dos passes magistrais do luso venezuelano são Salomón Rondón e o ex-Porto Hulk. Esta dupla atacante leva 27 golos no campeonato (15 de Hulk e 12 de Rondón), sendo dos melhores marcadores.

Com toda esta qualidade no plantel era de esperar que o clube de Villas-Boas lograsse muitas vitórias, conquistas e se exibisse a um nível competitivo comum ao de muitos outros emblemas de topo europeu. Porém, feitas as contas à época, o Zenit apenas triunfou no campeonato. Na Taça da Rússia, não foi além dos oitavos de final, onde não conseguiu impor o favoritismo atribuído e foi derrotado pelo Arsenal Tula no seu próprio estádio. Na Europa, o seu papel na Liga dos Campeões ficou-se pelo terceiro lugar na fase de grupos, embora pese o facto de ter ficado no considerado “grupo da morte”, junto a Benfica, Mónaco e Bayer Leverkusen. Arredado para a Liga Europa, competição menosprezada pela maioria dos clubes, partia com favoritismo para a conquista da competição, mas tal não se verificou. O Sevilha, atual detentor do troféu e finalista desta edição, levou a melhor sobre a turma de São Petersburgo nos quartos de final.

Com somente o campeonato no “bolso”, pode-se considerar esta como uma época menos conseguida do Zenit. E, face a isto, as críticas são constantes – o futebol do Zenit foi já apelidado de “chato”, “aborrecido” e os resultados europeus da equipa considerados como penosos, tendo em conta o potencial da equipa. Outro dos temas quentes passa pela quantidade de jogadores estrangeiros que têm chegado, em tempos recentes, ao clube, algo com que as mentes mais nacionalistas no futebol do país não concordam.

Assim sendo, o que se segue para Villas-Boas? Será a próxima temporada de afirmação europeia na principal competição de clubes do mundo, a Champions? Para já, o Zenit já tem um fator a seu favor, pois sabe, à partida, que estará presente no pote 1 do sorteio da fase de grupos. Por agora, resta esperar pela próxima época e ver o quão alto consegue André Villas-Boas voar com este Zenit.

Foto de Capa: Facebook oficial Zenit

Fernando Gamito

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