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O melhor 11 de 2020 | Futebol Internacional

Guilherme Vilabril Rodrigues · 9 min

Equipa do ano 2020
Foto: FC Bayern Munich

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A época de 2019-2020 não foi em nada semelhante às anteriores e tudo decorreu de forma inesperada e pouco planeada. Inevitavelmente o vírus da Covid-19 colocou o mundo em pausa e nem o futebol pôde fugir à regra. Jogadores e treinadores estiveram fora da atividade mais de dois meses consecutivos e a incerteza sobre o término dos campeonatos manteve-se até ao fim. Nas ligas de maior relevo houve espaço para as equipas disputarem os respetivos campeonatos até ao fim, com exceção de França, que deu por terminada a competição. Também a Liga dos Campeões, numa versão mais curta, pôde ser disputada em Lisboa, e por isso maior parte das equipas acabaram por, ainda que num reduzido espaço de tempo, cumprir o restante calendário.

Apesar de todo este contexto e do infinito tempo em que não vimos a bola rolar, todos os profissionais mostraram que não seria um vírus a tirar a beleza do futebol e continuaram a proporcionar-nos momentos incríveis, ainda que com os estádios vazios. Quem sabe nunca esquece e apesar das saudades que todos sentiram, as competições voltaram em grande nível e os jogadores continuaram a fazer o que melhor sabem.

Como acontece todos os anos, uns destacaram-se mais do que outros e elevaram assim as suas equipas a patamares superiores posicionadas no centro de todas as atenções. Fazemos então um 11 dos melhores jogadores da época de 2019/20 ainda que esta seja sempre uma missão injusta devido à enorme qualidade existente em todas as posições.

Guarda-redes


Oblak –É verdade que Alisson e Neuer foram os condecorados no prémios “The Best” mas penso que essa é uma avaliação que sofre influência dos títulos coletivos. Como este é um mérito individual, penso que o esloveno que defende as redes do Club Atlético de Madrid é o nome mais indicado. Oblak sofreu apenas 27 golos em 38 jogos e juntando às estatísticas as enormes defesas que o gigante fez durante toda a temporada, acredito que ele foi sem dúvida o melhor guarda-redes da época de 2019/20, mesmo que isso não se tenha refletido em títulos coletivos. Um dos gigantes do futebol mundial

 

Defesa-direito


Trent Alexander-Arnold –O menino de apenas 21 anos (na altura) assentou que nem uma luva na manobra de Jurgen Klopp. Já se tinha mostrado a um bom nível há duas épocas atrás, mas foi o ano passado que deu o salto que lhe permitiu ser uma das peças fundamentais para as conquistas do Liverpool FC. Apesar de ser defesa, o inglês foi decisivo na manobra ofensiva da equipa e foi responsável por nove golos ao longo dos 38 jogos que disputou. Impressionou tudo e todos e tem neste momento o estatuto de melhor defesa direito a atuar no futebol mundial. Parece ter um pouco de tudo e todos os treinadores gostam de ter jogadores assim na equipa.

Defesa-central


Virgil Van Dijk –O gigante defesa-central foi contratado ao Southampton FC e rapidamente fez sentir a sua influência na equipa. Teve durante muito tempo o título de nunca ter sofrido um drible com a camisola do Liverpool FC e sempre foi implacável nas suas ações defensivas, sendo um pilar para Jurgen Klopp. Para além disso é dotado de uma capacidade técnica bastante satisfatória para alguém da sua posição e por isso acabou também por ser importantíssimo na conquista do campeonato que fugia há 18 anos à equipa dos reds. Para muitos o melhor central do futebol nesta altura.

 

Defesa-central


Sérgio Ramos –O espanhol está mais do que habituado a estas andanças e este prémio não é novidade para ele. Capitão e senhor da equipa do Real Madrid CF, Sérgio Ramos acabou por ser o grande responsável pela reviravolta que os merengues deram no campeonato. Depois de uma primeira fase antes do Covid-19 onde a equipa não estava realmente bem, o defesa foi essencial no pós-covid tendo marcado muitos dos golos que valeram pontos ao blancos e que lhes permitiu revalidarem o título de campeões espanhóis.

Defesa-esquerdo


Alphonso Davies –Um menino de 19 anos apareceu para tomar conta do lado esquerdo da defesa do FC Bayern de Munique, empurrando assim David Alava para o centro do terreno. O canadiano rapidamente impressionou pela sua velocidade, atingindo picos raramente registados e foi também muito importante na manobra de Hans Flick, tanto a nível defensivo como a nível ofensivo. Juntou-se a uma série de jogadores experientes da equipa alemã e acabou por, aos 20 anos, conquistar também o estatuto de melhor defesa-esquerdo do mundo. A sua carreira ainda é muito curta mas certamente que será recheada de sucessos quer individuais quer coletivos.

 

Médio-centro


Joshua Kimmich – O alemão é provavelmente um dos jogadores mais polivalentes do mundo. Fez grande parte da sua ainda curta carreira a lateral-direito e foi lá que se destacou ao serviço dos bávaros. Ainda assim, já tinha dado sinais que poderia ser aproveitado noutra zona do terreno e com a chegada de Pavard isso acabou mesmo por acontecer. Não é a sua posição de raíz mas é como se fosse. Kimmich joga com uma garra, uma inteligência e uma classe pouco comum e é sem dúvida um dos melhores médios do mundo que tem vindo a crescer cada vez mais. É um daqueles que dá gosto ver jogar.

 

Médio-centro


Thiago Alcântara –Até hoje não se entende como o FC Barcelona desperdiçou um talento tão grande. Thiago parece jogar de fato e gravata e todas as suas ações são leves, simples e eficazes. Joga como se visse o jogo de cima e tivesse um comando de PlayStation na mão. Os espaços que vemos cá de cima são os mesmos onde ele coloca a bola. Joga, mas mais do que isso, faz jogar, e merece todo o mérito que lhe possa ser dado. Foi um dos grandes responsáveis pela conquista da Liga dos Campeões e agora no Liverpool FC esperemos que continue a dar cartas, desta vez na melhor liga do mundo.

 

Médio-centro


Kevin de Bruyne – Ainda que não tenha conseguido levar a sua equipa a grandes conquistas, o belga é um dos jogadores mais talentosos que temos oportunidade de ver. Consegue meter a bola onde quer e é o braço direito de Pép Guardiola dentro das quatro linhas. Faltam palavras para descrever o quão bom o De Bruyne é e aquilo que consegue fazer, mesmo em situações de maior aperto. Foi nomeado como o melhor jogador da Primeira Liga Inglesa e merece todos os prémios que possam ser dados. Um senhor dentro do campo.

 

Extremo-esquerdo


Neymar –Por incrível que pareça, Neymar Júnior acabou por ficar em nono na votação para o prémio “The Best”, numa avaliação que me parece injusta e sem fundamento. O brasileiro jogou muito durante toda a temporada apesar da infelicidade de ter perdido na final da Liga dos Campeões. Ainda assim, isso não invalida tudo aquilo que ele fez para levar a equipa até ao jogo mais importante da história do Paris Saint-Germain e por isso merece muito mais mérito do que aquele que lhe tem sido dado. Joga como se brincasse e trata a bola como poucos, fazendo dos adversários meras barreiras fáceis de ultrapassar. É um dos melhores jogadores do mundo e goste-se ou não do estilo, tem de se aceitar.

 

Extremo-direito


Lionel Messi – Esta seria uma posição sempre difícil de escolher uma vez que entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi só haveria espaço para um. Neymar, por aquilo que fez, não poderia estar fora deste onze, e estes dois jogadores apesar de terem sido incríveis como sempre, acabaram por ser verdadeiros fracassos na Liga dos Campeões e viram outros superiorizarem-se. Assim sendo, escolhi Lionel Messi porque apesar de todas as adversidades e de tudo à sua volta estar tremido, conseguiu faturar por 31 vezes e fazer 27 assistências, numa contribuição total de 58 ações para golo. Disputou 44 partidas o que dá uma média de golos/assistências por jogo simplesmente incrível, uma das mais altas da Europa. Pecou pelo facto de não ter conseguido levar o seu FC Barcelona a grandes títulos, mas nem por isso deixou de ser um dos melhores jogadores da temporada. Um autêntico monstro do futebol mundial de sempre.

 

Ponta-de-lança


Robert Lewandowski –O polaco foi por grande parte dos adeptos e analistas de futebol considerado como o melhor jogador do ano, tendo inclusivé vencido o prémio do “The Best”. Parece ser como o vinho, e quanto mais velho fica, mais letal se torna. Marcou incríveis 55 golos em 47 partidas e fez ainda 10 assistências, atingindo números simplesmente inexplicáveis. Este foi sem dúvida o seu ano e o único defeito foi mesmo não ter sido atribuída a Bola de Ouro uma vez que ele seria, sem qualquer dúvida, o vencedor. Não vale a pena tentar explicar aquilo que este avançado é capaz de fazer. Consegue marcar golos de olhos fechados, como quem muda de camisa todos os dias. Simplesmente incrível.

 

Treinador


Hans-Dieter Flick –O treinador do FC Bayern de Munique chegou ao comando da equipa sensivelmente a meio da temporada e fez algo que ninguém acreditava que ele faria. Os Bávaros não estavam numa fase boa e a sua classificação no campeonato era prova disso. Após o despedimento de Niko Kovac a equipa ganhou outra vida e começou a varrer adversários com aparente facilidade. Um excelente futebol. Sem tirar nem pôr, ganhou tudo aquilo que havia para ganhar e não deixou nem uma pequena amostra para os adversários. A equipa ganhou uma identidade bem visível e começou a jogar um futebol demolidor. O treinador encaixou que nem uma luva e é sem dúvida o maior responsável pelo ano de sonho do FC Bayern de Munique.

Guilherme Vilabril Rodrigues

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