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Estadio Pedro Escartín, 24 de Março, Guadalajara, região autónoma de Castilla-La Mancha, Espanha.
Uma tarde de sol no Estadio Pedro Escartín, em Guadalajara, serviu de mote ao tão desejado regresso ao futebol de um nomes mais marcantes da modalidade nos últimos 30 anos. David Vidal, 65 anos, um currículo invejável, regressa ao activo após uma ausência de quase três anos para tentar salvar o CD Guadalajara, que se encontra perigosamente perto dos lugares de descida à terceira divisão do futebol espanhol. O jogo é contra o CF Rayo Majadahonda, outro emblema a precisar desesperadamente de pontos, pelo mesmo motivo que move os donos da casa, e por isso a vitória é da maior importância para ambas as equipas.
A David Vidal foi-lhe incumbida a tarefa de conseguir a vitória para um CD Guadalajara que já não ganha há quatro jogos e que só havia somado os três pontos uma vez nos últimos nove jogos. David Vidal pisou o relvado do Estadio Pedro Escartín enquanto contemplava os cerca de mil adeptos que ocupavam a bancada central e que o procuravam saudar. Uma vez que não se pôde sentar no banco de suplentes por questões federativas, o experiente técnico ocupou um lugar nessa mesma bancada, bem perto do banco e do terreno de jogo, enquanto transmitia ao seu adjunto as indicações necessárias à medida que o jogo corria. Não precisou, no entanto, de esperar muito para ver o seu trabalho de cerca de uma semana começar a dar frutos, uma vez que, logo aos dois minutos de jogo, Miguélez apontou o primeiro golo para a equipa da casa. O domínio do CD Guadalajara foi total e foi sem surpresa que chegaram ao intervalo a vencer por três bolas a zero. A segunda metade, já numa toada mais lenta, serviu apenas para os donos da casa cimentarem a vantagem e apontarem mais um golo por intermédio de José Vega, o que colocaria o resultado final em 4-0.
Foi só e apenas a nona vitória do CD Guadalajara em 31 jogos na Segunda División B espanhola esta temporada, mas a resposta positiva dada pelos jogadores após a chegada David Vidal deixa antever um percurso mais tranquilo para aquilo que falta jogar esta época.

Fonte: A Marca
David Vidal: “Soy un trotamundos y un salvador de las cosas que no tienen remedio.”
David Vidal nasceu a 2 de Agosto de 1950 em Portosín, na Corunha, numa família de posses humildes, que vivia do mar. Filho de pescador e irmão de pescador, como costuma dizer diversas vezes, a David Vidal não restaria outra saída senão a arte da pesca, caso não fosse a oportunidade oferecida pelo emblemático Arsenio Iglesias, que o levou o Deportivo de La Coruña em 1967. Era um defesa central disciplinado, como gosta de lembrar, mas nunca jogou na divisão maior do futebol espanhol e, ao fim de 14 anos de carreira, decidiu pendurar as botas ao serviço do Cádiz CF.
Foi precisamente ao serviço do emblema da Andaluzia que David Vidal deu início à sua carreira como treinador, primeiro nas camadas jovens, depois como adjunto e, em duas ocasiões, como treinador principal, no período entre 1986 e 1990. Do seu período ao leme do Cádiz CF, há muita coisa a reter, sendo os momentos mais importantes os factos de o emblema andaluz nunca ter descido de categoria enquanto David Vidal esteve como treinador principal e de ter atingido as meias-finais da Copa del Rey na temporada de 1989-90. David Vidal tinha, por essa altura, 16 jogadores naturais de Cádiz na primeira equipa e orgulha-se do trabalho que fez na cantera do clube Andaluz durante nove anos, como confessou ao site Los Otros 18 numa entrevista concedida no ano passado. Enquanto treinador do Cádiz CF, o experiente treinador contou com os préstimos de um jogador extraordinário, de seu nome Jorge González, que ficaria conhecido como Mágico González, tal era a qualidade que emanava na altura. David Vidal terá mesmo dito uma vez que o jogador nascido em El Salvador tinha uma técnica superior à de Diego Maradona e que, mesmo quando passava largos períodos sem treinar, devido à vida boémia que levava, era melhor do que todos os outros.
Para David Vidal, seguiu-se o CD Logroñes, onde conseguiu um honroso décimo lugar em 1990-91 e em 1991-92 e onde privou, entre outros, com talentosos jogadores como Quique Setién e o goleador austróaco Anton “Hat-trick” Polster.
David Vidal treinou diversas equipas ao longo da sua carreira e, para além das já referidas, há que destacar a sua passagem pelo Rayo Vallecano, o Villarreal CF, o SD Compostela, o UD Las Palmas, o Albacete Balompié e o Xerez CD, a última equipa que orientou antes de ingressar no CD Guadalajara na passada semana.
David Vidal é um apaixonado pelo futebol, um treinador da velha escola, que entende a essência da modalidade e que não precisa das novas tecnologias e das tão famigeradas práticas modernas para fazer passar a sua mensagem. O experiente técnico galego vê-se a si próprio como um professor de futebol e não como um treinador convencional. Na entrevista acima referida, David Vidal voltou a afirmar aquilo que já repetiu uma centena de vezes: “…estamos equivocados todos. El que entrena es el preparador físico. El entrenador es profesor de técnica, táctica y estrategia. Controla cómo juega el equipo.”
David Vidal dedica-se a ensinar e, talvez por isso, se auto-intitule “professor”. Se dúvidas restassem, bastaria ouvi-lo a “ensinar” os guarda-redes do CD Guadalajara no primeiro treino à frente do conjunto andaluz, num curto vídeo captado pelo Canal + espanhol. Vidal explicava numa linguagem simples, aos guarda-redes, como deveriam colocar os pitões na chuteiras e como deveriam sair a jogar, nunca para os homens do meio, mas sim pelas laterais, para evitar que a equipa fosse apanhada em contrapé.

Fonte: A Marca
David Vidal: “Estamos viviendo de lo que inventó Cruyff”
Na semana em que o génio holandês nos deixou, será porventura interessante lembrar a admiração que David Vidal tinha por ele. Numa entrevista à revista Kaiser Football em Dezembro de 2014, o experiente técnico galego lembra a paixão e a mestria de Johan Cruyff e é perentório ao afirmar que todos aprenderam com o génio holandês: “…Cruyff además de haber sido un gran futbolista, fue el entrenador que innovó. Hizo cambios tácticos, hizo movimientos y toques de balón con una triangulaciones en el medio del campo que no era normal y te jugaba con tres delanteros, que aquí eramos todos amarrategui y jugábamos tres atrás al patadón, ya fuera Primera o Segunda. Cruyff claro que es un referente, tenemos que darle a cada uno lo suyo. No hay que ser forofo, hay que ver las cosas con normalidad. Todos hemos aprendido de Cruyff. Fue él el que empezó este sistema, el que inicio lo que se conoce ahora como “Tiki-Taka”. Es un auténtico talento, es una pena que tuviera aquella pequeña enfermedad, porque sino podría seguir entrenando.”
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O futebol que me fazia ficar acordado até às tantas da noite em tenra idade, com uma chávena de chá preto na mão a assistir aos programas Domingo Desportivo da RTP e ao Estudio Estadio da TVE, é o mesmo que homens como o Johan Cruyff, o David Vidal e o nosso Quinito ajudaram a criar. Esse futebol era especial e foi criado, entre outros, por homens como estes, homens especiais, à frente do seu tempo, homens que, como Quinito (que na passada semana nos deu, a todos, uma valiosa lição de vida), fizeram as coisas “à sua maneira”.
Foto de capa: La voz de Galicia










