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Fim de tarde, princípio de noite com lua cheia na capital da Sérvia, Belgrado, para acolher o dérbi eterno entre o FK Partizan e FK Crvena zvezda. A temperatura amena que se vivia nas ruas contrastava com o ambiente escaldante que se vivia no interior do “Templo do Futebol”, nome dado pelos Grobari (maior claque do FK Partizan) ao estádio do clube. De um lado, o actual campeão sérvio, o FK Crvena zvezda do português Hugo Vieira, e do outro, os homens da casa, o FK Partizan, actual detentor da Taça da Sérvia.
Ainda que longe dos níveis atingidos na temporada passada, os visitantes, comandados pelo experiente Miodrag Bozovic, partiam como favoritos para este encontro. Sem qualquer derrota em oito partidas disputadas, o FK Crvena zvezda, que se viu arredado das competições europeias esta temporada de forma algo prematura, comanda, à data deste artigo, a SuperLiga sérvia e conserva uma distância confortável dos seus vizinhos e rivais do FK Partizan. A formação da casa, orientada pelo jovem treinador de 37 anos Marko Nikolic, que na época passada enquanto treinava o NK Olimpija Ljubljana se viu envolvido num episódio pouco digno, durante o qual insultou um jogador nigeriano da sua equipa e acabou despedido ao fim de apenas três meses no cargo, não teve um início de temporada muito auspicioso, mas a derrota frente ao FK Spartak Subotica à jornada 6 parece ter acordado e embalado o FKP na senda dos bons resultados.
O FK Partizan alinhou no seu habitual esquema de 4-4-2 com dois avançados móveis, Uros Djurdjevic e Valeri Bojinov, na frente de ataque apoiados pelo brasileiro Leonardo, que esteve ao serviço do FK Anzhi na temporada passada, e pelo talentoso extremo sérvio Nemanja Mihajlovic. Do outro lado da barricada, Miodrag Bozovic montou o seu FK Crvena zvezda num esquema de 4-2-3-1, com Hugo Vieira sozinho lá na frente apoiado de perto pelo médio gabonês Guélor Kanga.
Foi uma partida bem disputada e com alguma intensidade, mas onde nenhuma das equipas foi capaz de assumir o controlo do jogo durante largos períodos de tempo. O FK Partizan, que conseguiu algum ascendente no período inicial do encontro, reclamou uma grande penalidade logo bem cedo, mas o árbitro da partida, o experiente Milorad Mazic, entendeu que Mihailo Ristic teria cometido falta sobre Marko Jevtovic fora da área e o lance terminou com a marcação de um livre e com um cartão amarelo para o lateral da formação visitante.

Fonte: FK Crvena zvezda
No banco de suplentes do FKP, Marko Nikolic incentivava os seus jogadores e pedia maior acutilância nos momentos iniciais e, após um livre à maneira curta apontado por Marko Jevtovic, Uros Djurdjevic recebe a bola de Leonardo e quase abre a contagem para os homens da casa. O FK Crvena zvezda tenta responder e as investidas de Slavoljub Srnic pelo lado direito começam a causar alguns calafrios na defesa do FK Partizan. Hugo Vieira também tentou a sua sorte, mas o remate do avançado português acabou por passar ao lado após ter batido nas pernas de Nikola Milenkovic.
Após o descanso, a partida manteve-se equilibrada, mas sem grande oportunidades de golo. No entanto, nos últimos vinte minutos, os homens da casa voltaram à carga e Uros Djurdjevic cabeceou a bola à barra após um cruzamento de Alen Stevanovic, que havia substituído Nemanja Mihajlovic ao intervalo.
Quando já todos esperavam que o dérbi eterno da cidade de Belgrado terminasse empatado a zero, eis que o veterano capitão do FK Partizan, Sasa Ilic, que estava em campo há apenas 10 minutos, levanta a bola para área, Nikola Djurdjic ganha a bola de cabeça e coloca-a à disposição de Leonardo, que de forma algo acrobática faz o golo da vitória para os Crno-beli.

Fonte: FK Partizan
Não havia tempo para mais e, pouco depois, Milorad Masic apita para o final do encontro, fazendo explodir de alegria os mais de vinte e cinco mil adeptos (com a excepção, claro está, daqueles que apoiavam a formação visitante) que coloriam as bancadas do Estádio Partizan. A vitória, que escapava ao FK Partizan desde 2014, acabou por ser merecida, uma vez que os homens de Miodrag Bozovic se apresentaram novamente pouco inspirados, tornando-se também evidente a péssima política de contratações que a equipa levou a cabo este Verão. A saída de Aleksandr Katai para o Deportivo Alavés não foi devidamente acautelada e a parca utilização de jogadores como, por exemplo, o internacional sub-21 Andrija Lukovic e o ex-Barcelona B David Babunski têm levado, esta temporada, alguns adeptos a questionar as escolhas do técnico montenegrino.
Para a história, fica mais uma vitória do FK Partizan no dérbi eterno da cidade de Belgrado, que, sem ter a magia de outros tempos, foi disputado sem grandes sobressaltos e com um desportivismo assinável por parte dos intervenientes.













