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Voltar a acreditar em “d10s”

Ruben Brêa Marques · 3 min

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Diego Armando Maradona tem um legado intocável no futebol, por mais escândalos ou peripécias que enfrente ou que ele próprio crie. Ninguém se vai esquecer do internacional argentino, campeão do Mundo que brilhou, sobretudo, ao serviço do FC Barcelona e do SSC Napoli. Será sempre considerado um dos melhores jogadores de sempre.

No entanto, a carreira como treinador principal, essa, tem muito que se lhe diga. Se existem casos como Ronald Koeman, Johan Cruijff ou Zinédine Zidane, que depois de megas carreiras, se revelaram belíssimos treinadores, o caso do argentino é um pouco diferente. Maradona tem sido sempre posto em causa, no que toca a competência para ser treinador. Desde o seu conhecimento tático, que muitos atribuem como rudimentar ou inexistente (curiosamente são comentadores e comunicação social que defendem essa tese e nunca ex-jogadores de Maradona), à postura e compromisso que poderia ou não vir a ter, tendo em conta a sua dependência por substâncias ilícitas, que de quando em vez reativa, e até aos contantes problemas de saúde.

A teoria em vigor, portanto, é de que Maradona não reúne as competências necessárias para liderar uma equipa principal profissional ao alto nível e nem mesmo os dois bons anos ao serviço da seleção argentina o ajudaram. A prática, sobretudo desde 2018, tem refutado a teoria e Maradona começa a convencer os mais céticos.

A carreira de treinador do astro argentino começa a 28 de outubro de 2008, quando é anunciado como o novo selecionador das pampas. Maradona e a sua seleção qualificam-se para o mundial 2010 e prometem dar espetáculo e lutar pelo título mundial. Era uma geração incrível com Messi, Di Maria, Aguero, Higuaín, Milito, Pastore, Carlos Tévez, entre outros, e com dois veteranos de uma classe e carreiras praticamente feitas: Juan Sebastián Verón e Martín Palermo. Uma seleção que entusiasmava e com um ex-campeão do mundo na liderança e a inspirar os seus atletas e todo um país. “Voaram” na fase de grupos, com três vitórias em três jogos, superaram o sempre difícil México e caíram nos quartos de final, com uma goleada pesada perante a Alemanha de Miroslav Klose e Lukas Podolski. Maradona afastou-se, dois dias depois, do comando técnico.

A partir desta aventura, Maradona pretendia dar continuidade à sua carreira numa seleção, na América ou na Europa, mas nunca teve oportunidades, treinando, sobretudo, nos Emirados Árabes Unidos. É em 2018, que tudo muda.

Maradona finalmente tem uma oportunidade de se mostrar na América e toma as rédeas do CSD Dorados de Sinaloa, clube da segunda divisão mexicana, que, na altura, estava afundado na tabela classificativa. A verdade é que Maradona e o seu Dorados encantaram no México e qualificaram-se duas vezes para o playoff final de subida à primeira divisão. A cidade, os jogadores e o presidente idolatravam Maradona e este provou que, à sua maneira, sabia espicaçar e liderar um grupo de homens, fazendo-os jogar como não tinham jogado até à sua chegada.

O Gimnasia La Plata é um clube da segunda metade da tabela da Liga Argentina
Fonte: Gimnasia La Plata

Maradona esteve tão bem no México que, depois de ter a primeira oportunidade de treinar na América, acabou por ter a primeira oportunidade de treinar na primeira divisão argentina, no caso o Club Gimnasia y Esgrima La Plata. O “el lobo” estava no último lugar da liga com um ponto em 15 possíveis. Nos primeiros três jogos, Maradona enfrentou dois candidatos ao título e perdeu os três, mas depois a equipa começou a engrenar e, nos últimos cinco jogos, o Gimnasia La Plata venceu três, exaltando a influência de “d10s”, não só havendo uma maior confiança nos jogadores, como um futebol mais ofensivo (nas três vitórias, apontaram um total de 11 golos).

Agora que o “el lobo” parecia mais forte sobre a bênção de “d10s”, Maradona abandonou o cargo pois o presidente que o contratou não será reeleito. Será curioso ver o que se seguirá: se será que o Gimnasia La Plata mantém o nível dos últimos jogos e se o argentino terá outro projeto aliciante na América ou até Europa (tem sido apontado ao Argentinos Juniors e Atlético Tucumán).

“El pibe” vai provando que, não só é uma jogada de marketing incrível para os clubes, como vai apresentando resultados desportivos e potenciando os ativos do clube. Veremos se não virará moda contratar o astro argentino…

Foto de Capa: Gimnasia La Plata

Arrigo revisto por Diogo Teixeira

Ruben Brêa Marques

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