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Apesar de estarmos a falar de um país que teve grandes equipas nos anos 70 e 80, com resultados notáveis em Mundiais e Jogos Olímpicos, esta é apenas a terceira participação da Polónia num Europeu, curiosamente de forma consecutiva. Depois de em 2008 e 2012 os resultados terem ficado aquém das expectativas, sobretudo na prova que organizaram, os polacos têm como objectivo mínimo uma chegada à fase a eliminar. A equipa parece ter mais qualidade do que nos Europeus anteriores e a vitória sobre a Alemanha na fase de qualificação prova que, num dia de inspiração, a Polónia tem capacidade para bater o pé a selecções teoricamente mais fortes. Adam Nawalka guiou o conjunto de Lewandowski e companhia a uma qualificação tranquila, onde se destaca precisamente o triunfo sobre os germânicos. Para se perceber a importância do feito, basta dizer que, em 81 anos, os polacos nunca tinham derrotado a Mannschaft. Mas nem só desse resultado se fez o percurso das Águias Brancas. Apesar de terem ficado atrás da Alemanha, tiveram de superar Irlanda e Escócia para marcar presença na competição francesa e terminaram com o melhor registo ofensivo entre todas as selecções, com 33 golos marcados. Mesmo tendo Gibraltar no grupo, estes números não surgem por acaso e resultam de um estilo de jogo positivo e que valoriza as qualidades dos jogadores do ataque. É deles que a Polónia depende em grande parte para conseguir a melhor prestação de sempre num Europeu.
Os convocados
Guarda-redes: Artur Boruc, Lukasz Fabianski e Wojciech Szczesny
Defesas: Thiago Cionek, Kamil Glik, Artur Jedrzejczyk, Michal Pazdan, Lukasz Piszczek, Bartosz Salamon e Jakub Wawrzyniak
Médios: Jakub Blaszczykowski, Kamil Grosicki, Tomasz Jodlowiec, Bartosz Kapustka, Grzegorz Krychowiak, Karol Linetty, Krzysztof Maczynski, Slawomir Peszko, Filip Starzynski e Piotr Zielinski
Avançados: Robert Lewandowski, Arkadiusz Milik e Mariusz Stepinski
O TREINADOR

Fonte: UEFA
A fazer a ligação entre passado e presente está Adam Nawalka, que participou no Mundial de 1978 ao serviço da Polónia e que agora se estreia como seleccionador numa grande competição. A cotação que tem a nível nacional valeu-lhe o convite em 2013, tendo saído do Gornik Zabrze com o clube no primeiro lugar do campeonato. O trabalho que tem realizado ao serviço das Águias Brancas tem sido notável, não só por ter conseguido o apuramento para o Europeu, que era o principal objectivo, mas sobretudo pela mentalidade ofensiva que implementou numa equipa que antes tinha um futebol excessivamente rígido. Os polacos costumam alternar entre o 4-4-2 e o 4-2-3-1, sendo que a dupla de meio campo – normalmente composta por Krychowiak e Maczynski – garante equilíbrio a um conjunto que conta com laterais muito participativos e uma parceria de luxo entre Lewandowski e Milik no ataque.
O MELHOR JOGADOR

Robert Lewandowski é o único jogador de classe mundial da selecção polaca, apesar de Krychowiak e o próprio Piszczek serem dos melhores nas respectivas posições. Com Benzema de fora, só Ibra pode rivalizar com o homem do Bayern pelo estatuto de melhor ponta-de-lança da competição. Lewandowski nem parece chegar ao Euro num momento de forma ideal, já que as últimas exibições pelo Bayern não foram brilhantes, mas isso dificilmente vai afectar a prestação do jogador em França. À qualidade em todos os capítulos do jogo junta um entendimento excepcional com Milik, que terá de se manter para a Polónia poder sonhar.
OS JOGADORES A SEGUIR
Piotr Zielinski pode ser o “joker” do seleccionador Adam Nawalka. À partida não será titular, mas pela qualidade e polivalência tem tudo para acrescentar bastante à equipa vindo do banco. Apesar de ser um médio ofensivo de origem, o jovem de 22 anos foi adaptado ao papel de interior direito no Empoli e não será estranho se vier a desempenhar essas funções num 4-4-2, até porque Kuba nunca mais foi o mesmo depois da lesão prolongada. Num 4-2-3-1 poderá ter espaço no corredor central, oferecendo criatividade e qualidade no último passe.

Fonte: Facebook de Piotr Zielinski
Karol Linetty é outro jogador que merece um olhar atento. O médio de 21 anos é um dos mais promissores da nova geração polaca e apresenta-se como uma alternativa de luxo para o meio campo. Desde cedo ganhou protagonismo no Lech Poznan e o salto para um campeonato mais competitivo não deverá tardar. Quem sabe se o Europeu não lhe abrirá algumas portas.
ATÉ ONDE PODE IR A SELEÇÃO
Oitavos-de-final – Superar a fase de grupos significa conseguir o melhor resultado de sempre. Com a Alemanha como favorita, não é crível que a Polónia possa alcançar o primeiro lugar, pelo que o objectivo será terminar à frente da Ucrânia. Na teoria, isso garante um encontro com a Suíça nos oitavos-de-final, o que permite ter ambições legítimas. De qualquer modo, defrontar a Irlanda do Norte na primeira jornada coloca as Águias Brancas numa posição altamente vantajosa para seguir em frente, mesmo que seja através do terceiro lugar.













