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Fernando, tira o Mustang da garagem

Ruben Brêa Marques · 3 min

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Um dos maiores enigmas do futebol português, é a constante desvalorização de um dos melhores jogadores portugueses das últimas décadas: Ricardo Quaresma.

Ao contrário de outros grandes nomes do nosso futebol nos últimos tempos, como Nani, João Moutinho, Pepe, já para não falar de Cristiano Ronaldo, entre outros, Quaresma tem sido constantemente preterido e descartado por certos selecionadores, em certas alturas e em certos jogos.

Depois de não ter sido chamado nenhuma vez para a Liga das Nações, Quaresma ficou agora fora da convocatória para a dupla jornada de qualificação para o Europeu e, a verdade, é que se notou e muito a falta do nosso “abre-latas”.

Ricardo Quaresma, que parecia uma carta fora do baralho da seleção até à chegada de Fernando Santos, parece ter perdido novamente fulgor e peso na formação portuguesa.

Se Fernando Santos realmente merece todos os elogios por ter recuperado um dos maiores génios do nosso futebol dos últimos tempos para a seleção das Quinas, também merece ser questionado o porquê de “forçar” a saída de cena do “Mustang”. Fala-se muito em fornadas ou gerações e parece que o selecionador está a deixar-se levar na onda.

Seria impensável deixar jogadores como Pepe de fora de convocatória por causa da idade
Fonte: FPF

Parece-me ser inquestionável que Cristiano Ronaldo continua no topo da pirâmide do futebol mundial com 34 anos. Que Pepe (36 anos) e Fonte (35 anos) continuam a ser dos melhores centrais portugueses da atualidade, daí justificarem a chamada (atenção que Bruno Alves, de 37 anos, renovou com o Parma FC e esteve a um passinho de assinar pela Juventus FC em janeiro, mas também foi “limpado” das convocatórias sem sentido algum).

Que Moutinho continua preponderante numa das melhores equipas da Premier League, no melhor e mais competitivo campeonato do Mundo. Então se nestes casos toda a gente compreende a continuação na seleção, porque é que o Quaresma, que preenche todos os requisitos, tem de deixar ir à seleção por vir uma fornada de jogadores talentosos?

Sejamos objetivos e pragmáticos. Gelson, Guedes, Rafa, etc, só para nomear alguns, são excelentes jogadores, sem dúvida, de nível de seleção, mas será que conseguem atingir o a fasquia que Quaresma impôs?

O “Harry Potter”, no onze inicial ou a saltar do banco, decidia jogo sim, jogo sim. Foi extremamente crucial no título europeu, voltou a estar muitíssimo bem no mundial, já para não falar nas caminhadas de qualificação. Tem 80 jogos pela seleção portuguesa, conta com “apenas” 35 anos, que não lhe pesam nas pernas, e continua a ser titular indiscutível no Besiktas JK (para exemplificar, neste mês, foi titular os três jogos e fez sempre os 90 minutos).

O que tem feito, sobretudo nos últimos anos, deveriam dar-lhe outro estatuto na seleção
Fonte: FIFA

Desequilibra através do drible e das suas ações individuais, cruza como ninguém, trabalha defensivamente como no passado não fazia, e é só o melhor complemento para extrair o melhor de Cristiano Ronaldo. A cereja no topo do bolo é o ambiente que cria dentro do próprio seio de trabalho, que é falado pelos próprios jogadores em público e que os treinadores parecem valorizar pouco, esquecendo-se que precisam do grupo do seu lado e estes jogadores são vitais num balneário.

Com todos estes factos enunciados, juntando à falta de magia no jogo de Portugal nas últimas duas partidas, a questão que fica é: Porquê “varrer” um dos jogadores mais decisivos, mais imprevisíveis e mais dotados do nosso futebol, só porque sim, porque está na altura das novas gerações? Isto faz algum sentido?

Em Portugal continua a imperar a questão da idade, contornando rendimento, qualidade e peso. Agora só porque A, B ou C estão a despontar, temos de correr com os trintões? É uma cultura da moda, do impulso, das capas dos jornais, que pelos vistos não há maneira de terminar. Nem mesmo com a consciência que o futebol e o treino, hoje em dia, não tem nada a ver com o passado, ou seja, que as carreiras vão se prolongar cada vez mais e que será mais normal jogadores atingirem os 40 anos no topo do futebol, nem mesmo assim as pessoas metem a mão na consciência e mudam a mentalidade.

Enfim… Portugal empatou com Ucrânia e Sérvia e faltou qualquer coisa, faltou um ingrediente, faltou um picante, faltou o “nosso” saudável, no ativo e importantíssimo no seu clube, Ricardo Quaresma.

 

Foto de Capa: FPF

Ruben Brêa Marques

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