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Até Setembro de 2005, a Irlanda do Norte futebolística era sinónimo de George Best. A equipa era frágil, muito permeável defensivamente e inoperante a nível ofensivo, estando, inclusive, 10 jogos sem vencer, um recorde na altura. Porém, em Setembro de 2005, George Best deixou de ser o único herói conhecido desta selecção. David Healy. Numa noite mágica, sem que nada o fizesse prever, Healy marcou o único golo da vitória sobre a Inglaterra num jogo de qualificação para o Mundial 2006. A partir daí, tudo mudou. A procura de bilhetes para os jogos da selecção aumentou e o ambiente em cada partida tornou-se incrível nos jogos em casa… e não só, ajudando a equipa a derrotar, por exemplo, a Espanha, um ano depois, na qualificação para o Euro 2008, ganho precisamente pela “Roja”. O resultado fixou-se em 3-2, os golos dos norte irlandeses foram assinados por David Healy.
Tudo mudou, e a Irlanda do Norte deixou de ser o patinho feio dos grupos que integrava, ainda que não lograsse nenhuma qualificação para uma grande competição, depois dos três mundiais em que participara nos longíquos anos de 1958, 1982 e 1986.
Esteve perto de se qualificar para o Euro 2008 (David Healy foi o melhor marcador de toda a qualificação, com 3 golos de vantagem para o croata Eduardo e 5 para… Cristiano Ronaldo), mas foi superada pela Suécia, que beneficiou, diga-se, de uma vitória na secretaria diante da Dinamarca, sendo esses três pontos decisivos para cavar o fosso para aquela que seria a histórica qualificação norte-irlandesa para um Europeu. Não aconteceu aí, e foi preciso esperar 8 anos para que se verificasse.
Aguarda-se, portanto, com imensa expectativa o dia 12 de Junho de 2016, dia em que a armada verde e branca se estreará em Europeus, diante da Polónia. Um direito que ganhou depois de uma fase de qualificação quase irrepreensível, a qual liderou com 21 pontos à frente de adversários como a Roménia, a Hungria ou a Grécia, vencendo 6 dos 10 jogos que disputou e perdendo apenas um numa campanha inspiradora.
CONVOCADOS (lista de 23 jogadores)
Guarda-redes: Michael McGovern (Hamilton), Roy Carrol (Notts County), e Alan Mannus (St. Johnstone)
Defesas: Jonny Evans (West Bromwich Albion), Gareth McAuley (West Bromwich Albion), Craig Cathcart (Watford), Aaron Hughes (Melbourne City), Lee Hodson (Milton Keynes Dons), Connor McLaughin (Fleetwood Town), Paddy McNair (Manchester United) e Daniel Lafferty (Burnley)
Médios: Steven Davis (Southamtpon), Oliver Norwood (Reading), Niall McGinn (Aberdeen), Shane Ferguson (Milwall), Stuart Dallas (Leeds), Paul Paton (Dundee), Jamie Ward (Nottingham Forest) e Corry Evans (Blackburn)
Avançados: Kyle Lafferty (Birmingham), Billy McKay (Dundee), Liam Boyce (Ross County) e Conor Washington (QPR)
O TREINADOR

Fonte: SkySports
Michael O’Neill assumiu o cargo de seleccionador norte-irlandês em finais de 2011, na ressaca de uma qualificação pobre para o Euro 2012. Não fez melhor, depois, no apuramento para o Mundial de 2014, mas tem muito crédito entre os norte-irlandeses, conforme comprova o facto de estar entre a melhor equipa técnica de sempre (como assistente de Billy Bingham) para os adeptos, numa eleição levada a equipa pela Federação Irlandesa de Futebol.
Em termos de selecções, esta é a primeira experiência do treinador de 46 anos, depois de ter vencido dois campeonatos e um Taça ao serviço do Shamrock Rovers.
Tacticamente, dá primazia ao sobrepovoamento do meio-campo para condicionar a estratégia adversária, colocando a sua equipa a jogar, habitualmente, num 4x5x1 muito compacto. Muitas vezes, o futebol praticado não é bonito, mas é bastante eficaz para os seus intentos, e esses são bastante ambiciosos – já disse que a Irlanda do Norte pode ser o Leicester deste Euro.
O MELHOR JOGADOR

Fonte: Saints FC
O experiente jogador de 31 anos destaca-se pela sua capacidade de liderança e pela regularidade, conforme comprovam os números que leva ao serviço de uma equipa tão competitiva como o Southampton (nas últimas quatro épocas, sempre mais de 30 jogos pelos Saints).
É o motor da equipa, enchendo o campo de uma ponta à outra, com ou sem bola. É o coração, o centro da alma desta Irlanda do Norte.
Também tem uma boa meia distância e é dotado de boa capacidade finalizadora, tendo mesmo sido decisivo para o triunfo sobre a Grécia, por 3-1, importante para as contas da qualificação, com dois golos.
Na votação para a melhor equipa de sempre da Irlanda do Norte, figura no onze inicial.
O JOGADOR A SEGUIR

Fonte: Reading FC
Tem em Steven Davis uma espécie de “pai” futebolístico, este jovem médio de 25 anos, que encarna na perfeição o espírito batalhador daquele que será, porventura o seu mentor.
Anda escondido na Championship, onde disputou 43 jogos ao serviço do Reading, destacando-se pela inteligência posicional e pela noção perfeita de cada momento do jogo, a que alia uma boa capacidade de passe e remate a meia distância.
ATÉ ONDE PODE IR A SELEÇÃO?
O Grupo da Irlanda do Norte não é fácil. Para além de incluir a campeã mundial, Alemanha, tem ainda na Polónia e na Ucrânia dois adversários sedentos de fazer história na competição, porém, a atitude dos jogadores norte-irlandeses pode fazer com que a equipa se bata de igual para igual com estas selecções e que dispute, aguerridamente, o apuramento para os oitavos-de-final. Bastará uma vitória, porventura. Um cenário que me parece bastante viável.
Passada a fase de grupos, e caso a equipa se qualifique em segundo lugar, enfrentará o segundo classificado do grupo A, onde se prevê que esteja a Suiça. Porém, será complicado conseguir o apuramento no segundo posto e, claro, no caso de o fazer, será complicado superar os helvéticos, caso estes sejam o tal segundo classificado. Albânia ou Roménia (também do grupo A) seriam adversários mais acessíveis, mas menos prováveis de calhar em sorte.












