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O que se segue para Portugal? O ataque

Pedro Machado · 5 min

O que se segue para Portugal? O ataque

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Cabeçalho Seleção Nacional

3 meses depois, já se acredita naquilo que se alcançou. Olha-se nos olhos dos adversários e sente-se o orgulho de terem chegado àquele ponto da carreira. Ao dia em que enfrentam o campeão da Europa. Ganhem ou percam, tiram sempre algo do jogo – uma história para contar aos netos. É uma honra defrontar Portugal, e é uma honra representar a selecção nacional campeã da Europa. Uma honra e uma responsabilidade enorme. Porque nos ombros dos homens que vestem a camisola portuguesa pesa a glória e as expectativas/exigências a elas associadas – a frieza mental para reagir a qualquer adversidade, a garra para disputar cada bola como se fosse a última e, claro, golos. Muitos golos.

Um objectivo que não passa só pela frente de ataque. Que é trabalhada desde trás, da primeira saída de bola, passa pela gestão da posse, pelas batalhas físicas e tácticas, até chegar ao último reduto. Lá, estão os arquitectos do golo, os homens que o imaginam e o constroem. E os que o finalizam, os carteiros de sonhos, que entregam cartas perfumadas em fragrâncias de glória que valem mais que um reembolso do IRS.

Antigamente, falava-se na falta desse tal homem-golo. Sim, nos últimos 12 anos tivemos sempre Ronaldo. Mas reclamava-se um homem-de-área. Uma lacuna que se reclamou ainda mais desde o eclipse de Pauleta, no Euro 2004. Na última segunda-feira, frente às Ilhas Faroe, apareceu alguém a candidatar-se à posição. E a lançar achas para uma fogueira, já de si gigante, de esperança num título no futuro que se avizinha (seja a Taça das Confederações ou o Mundial 2018).

Sim, pode-se sonhar ainda mais com Portugal. Sim, o ataque dá-nos essas garantias. Partindo de um 4x4x2 com dois avançados móveis, uma unidade de referencia e outra de apoio ou duas referências centrais ou de um 4x3x3 com uma referencia ofensiva e dois elementos de apoio laterais.

Cristiano Ronaldo é a grande referência da Seleção Nacional Fonte: FPF
Cristiano Ronaldo é a grande referência da Seleção Nacional
Fonte: FPF

Cristiano Ronaldo tem, hoje, 31 anos, e não é pela idade que deixa de exercer uma enorme influência. Aliás, ainda na passada segunda-feira (com o quinto golo em dois jogos) atingiu uma marca histórica ao ultrapassar Eusébio na lista de portugueses com mais golos apontados em jogos sob o desígnio do Mundial de futebol de Selecções (apuramento e fase final), o que lhe atesta a capacidade.

Sim, pode vir a perder velocidade, mas a o poder de finalização, a mestria do posicionamento que lhe patrocina o faro de golo e a capacidade de impulsão continuarão lá. E sim, podemos contar com ele, pelo menos para marcar golos, porque um jogador assim não atingira o prazo de validade aos 33 anos… ainda que tenha a emergência de uma figura que jogou a seu lado, contra Andorra e Ilhas Faroe e que marcou um hat-trick no jogo teoricamente mais dificil, contribuindo com quatro golos. Essa figura tem apenas 20 anos, mas já joga como gente grande. Cresceu muito nos últimos tempos, sim, mas o faro do golo é-lhe inato. E sentiu-se muito a falta de alguém com este sentido de golo. Dêem-lhe o contexto certo para crescer ainda mais, e, muito provavelmente. André Silva será esse alguém.

Éder estará à espreita, claro. Não se deitará à sombra do histórico golo do Europeu e também não seria justo receber oportunidades apenas com base no impacto desse tento. Ele oferece valias. Tem poderio físico e tem boa orientação ofensiva, mesmo de costas para a baliza. Peca, porém, muito, no capítulo da finalização, e isso (aliado aos 30 anos que terá, chegado o Mundial) coloca-o atrás de Ronaldo e André na luta por um lugar no onze até ao Rússia-2018.

O guineense criado na Adémia terá de lutar pelo lugar. Até porque, entretanto, vao surgindo jovens de grande qualidade na arte do golo, que preenchem lacunas do próprio Éder, como Goncalo Paciência ou José Gomes, ainda que este tenha muito que provar até ter legitimidade para reclamar uma chamada à selecção principal.

Resta perceber que futuro terá Éder na Seleção Nacional Fonte: Facebook Oficial de Éder
Resta perceber que futuro terá Éder na Seleção Nacional
Fonte: Facebook Oficial de Éder

A frente de ataque, porém, não é exclusiva para referências da área. Há elementos de apoio à ter em conta e que “casam” muito bem com um jogador mais fixo ou com outro com a mesma modalidade. No caso de Fernando Santos optar por um esquema orientado a partir de 4x4x2 , com duas unidades móveis na frente, há uma dose cavalar de candidatos à posição, seja a jogar ao lado de Ronaldo ou com alguém ainda mais móvel.

Nani e Quaresma são jogadores de ala, mas entendem-se bem com CR7 conforme ficou comprovado no Euro 2016, porém, o jogador do Valência terá 31 anos no Mundial 2018 e o do Besiktas contará … 35!

Caso consigam manter a mesma frescura física (a de Nani tem caído, por exemplo), serão naturais titulares, mas têm muito sangue novo à procura de uma oportunidade nessa zona do ataque. Rafa (25 anos em 2018), dada a vertigem com que encara os adversários sem medo do drible e a capacidade de mexer com o jogo emprestando-lhe velocidade, é um candidato natural, tal como Diogo Jota (21) que tanto tem conseguido crescer nos últimos tempos. Ambos têm capacidade de trabalho notável e são desequilibradores natos, embora o jogador do Benfica tenha alguma dificuldade na hora de finalizar e o  do Porto seja pouco “calejado” em grandes eventos. Corrigivel, claro, com o tempo. Gonçalo Guedes conseguirá preencher essas lacunas (já ganho algum calo no Benfica), mas falta-lhe a tal vertigem que os seus colegas de selecção  oferecem.

Se a opção do engenheiro passar por um 4x3x3 com dois elementos de apoio à uma referencia de área, qualquer um dos nomes citados acima podem preencher esses lugares, embora possam existir, em 2018, jogadores com maior frescura física e noção de verticalidade. Como Gelson Martins que, aprimorando, ainda mais, a qualidade no passe, a enorme capacidade técnica e a objectividade da velocidade, será um nome com lugar reservado no onze da selecção nacional, em 2018.

Ricardo Horta, Iuri Medeiros, Podence, Carlos Mané (estreou-se com um bis no Estugarda) ou até Bruma, com o devido crescimento, podem fazer concorrência aos nomes acima citados para a frente de ataque da selecção nacional, mas partem, hoje, em desvantagem face a eles. E a versatilidade de Bernardo Silva ou João Mário (referido na parte II desta análise) para jogar mais adiantados do que as posições que normalmente lhes são atribuídas na Selecção Nacional dificultar-lhes-à essa tarefa.

Seja qual for o esquema escolhido por Fernando Santos, a linha ofensiva deverá ser o menor dos seus problemas… ou o que melhores dores de cabeça lhe trará.

Foto de capa: FPF

Pedro Machado

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