Última horaSporting: jogador vai continuar a ser titular e prepara estreia na Primeira Liga pelos leões
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O 11 mais valioso de jogadores que nunca foram internacionais ‘A’

Marta Rebelo · 10 min

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Ora vejamos: o Transfermarkt elaborou um onze com os jogadores mais valiosos da atualidade que ainda não representaram as suas seleções principais.

Eu, mais curiosa do que as senhoras que passam o dia atarefadas a “estender roupa”, nas janelas de Alfama, tive mesmo de ir espreitar e chutar o meu “bitaite”.

Além de afirmar que acredito piamente que todos os atletas mencionados, mais cedo ou mais tarde, terão a sua oportunidade, há algo mais a dizer antes de começarem o interrail que vos vai levar a conhecê-los.

Reflitamos brevemente sobre o aumento do número de pessoas a habitar este planeta, o desenvolvimento da tecnologia e a consequente velocidade louca com que se propaga a informação. “Are we there yet”? Boa!

Sabem o que é o melhor no meio disso tudo? É que a palavra “individualidade” não deixou de existir. Eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, fomos, somos e seremos sempre únicos.

Assim é na vida, assim é no futebol. Não há jogadores iguais. E não obstante a quantidade enormíssima de jovens que amam o futebol como nós, mas que têm mais jeito com os pés do que eu, há sempre lugar para todos. E todos os caminhos são válidos.

Importa é desfrutar da paisagem e chegar, demore lá o tempo que demorar.

GUARDA-REDES

Illan Meslier (20 milhões) – As redes ficam bem entregues ao jogador francês que, recém chegado a Inglaterra, ainda a título de empréstimo, deu uma palmadinha nas costas de Joe Hart, sorriu e disse: “quem vai ao mar, perde o lugar”.

É que assim como quem não quer a coisa, arrebatou para si um recorde que durou por 13 anos, de guarda-redes mais jovem a alcançar dez partidas seguidas sem sofrer golos.

Mas ainda sobre o Joe Hart. Lembram-se dele? 75 internacionalizações. O melhor guarda-redes inglês durante largos anos. Pois bem.

O Pep Guardiola também se lembra perfeitamente que o mandou dar uma volta, por lhe faltar uma “simples” característica essencial para o mestre dos citizens.

Tenho a certeza que concordam comigo quando digo que o futebol (atrativo) de hoje em dia vive muito da intensidade com que é jogado.

Igualmente concordarão que os guarda-redes de topo mundial são capazes de surpreender e lançar ataques rápidos graças à sua excelente capacidade de distribuição.

Meslier irá certamente assumir a baliza da seleção francesa no prazo de três/quatro anos, principalmente se conseguir melhorar este único aspeto que lhe falta.

P.S.: E o jogo de pés inacreditável que o menino tem? Pode perfeitamente dedicar-se ao sapateado quando pendurar as botas!

DEFESA DIREITO

Ezri Konsa (25 milhões) – Central versátil, este jogador inglês de 24 anos tem tido um papel importante no conjunto do Aston Villa FC.

Tantas já devem ter sido as conversas pela noite dentro com o companheiro Tyrone Mings, o capitão do clube de Birmingham, que Konsa provavelmente só sonha com o dia em que também partilharão a titularidade na defesa dos “Three Lions”.

Um outro companheiro de equipa, Matty Cash, cansado de esperar pela oportunidade que não chegava, optou por se naturalizar.

Em tom de brincadeira, ou não, deixou a ameaça a Gareth Southgate: se demorar muito, Konsa irá pelo mesmo caminho.

E quem mais poderia ele representar? Filho de pai congolês e mãe angolana, o atleta é elegível para obter a cidadania portuguesa. “E esta, hein?”

DEFESA CENTRAL

Wesley Fofana (40 milhões) – Fazendo uma paragem nesta estação, é aqui que aproveito para reafirmar, pela quinquagésima vez este ano, que os centrais franceses são como os chapéus do Vasco Santana: há muitos (e são bons).

O “pequenino” Fofana tem sido um dos meus jogadores favoritos e a forma como se adaptou à Premier League e ao Leicester City FC não passou despercebida.

Demasiado sonhadora ou não, a verdade é que estou a torcer para vê-lo comandar a defesa do Chelsea FC no espaço de dois ou três anos. De preferência ao lado de Jules Koundé.

E atenção: não esqueçamos que Fofana tem apenas 20 anos. Após recuperar da atual lesão, e apesar de tanta competição para esta posição, será tudo uma questão de tempo.

DEFESA CENTRAL

Ibrahima Konaté (35 milhões) – Aqui também ninguém tem dúvidas, pois não?

Talvez alguns tenham. Pelo menos os que se lembram que, a nível de contratações, esta foi a one and only do Liverpool FC no verão passado.

A maior parte dos acérrimos adeptos da Liga Inglesa estavam provavelmente à espera que Konaté chegasse para ser titular indiscutível, ao lado de van Dijk, esquecendo o experiente Matip que tanto tem contribuído para manter uma sólida terceira melhor defesa.

Não esqueçamos quem manda e sabe o que faz: Klopp e o departamento de scouting.

O ambiente familiar que o alemão é capaz de criar no seio das suas equipas é, sem dúvida alguma, uma das suas grandes armas para potencializar jogadores.

Klopp quer todos os seus atletas a observar os jogos e a ganhar experiência através do que veem. No fundo, essa deve ser uma das características que mais nos fascina no Liverpool: são todos como irmãos e todos aprendem uns com os outros.

E se Konaté ou mais alguém tiver dúvidas que é isto que está a acontecer, basta falar com Robertson e ele fará o favor de relembrar quanto tempo jogou na primeira época ao serviço dos Reds.

Paciência é virtude.

DEFESA ESQUERDO

Angeliño (35 milhões) – Um dos meus preferidos na época passada. A euforia que empresta ao jogo e a quem o rodeia é ou não é contagiante?

O espanhol é o tipo de jogador que rende especialmente quando lhe colocam mais responsabilidade nas costas, carregando-a como o sinal de confiança que é e dando tudo o que tem para não deixar ninguém ficar mal.

Jesse Marsch aparenta andar um pouco “às aranhas” com a quantidade surreal de talento que tem no seu plantel, e a falta de consistência coletiva tem tornado difícil valorizar o individual.

Com mais ou menos saudades da confiança de Nagelsmann, o defesa mais ofensivo de 2020 é o tipo de lutador que acabará por se adaptar à nova realidade e seguir em frente com a lição bem estudada.

O legado de Jordi Alba na “La Roja” está muito bem entregue.

MÉDIO CENTRO

Joan Jordán (30 milhões) – Neste caso, não se trata apenas da capacidade de produção de médios de qualidade que a Espanha tem. O percurso do jogador de 27 anos também foi “diferente”.

Antes de se tornar no motor all around dos sevilhanos, e de passar pelo SD Eibar e pelo Real Valladolid CF, Joan Jordán nunca atraiu a atenção dos scouts dos “tubarões” europeus.

Foi apenas aos 18 anos que se juntou aos jovens do RCD Espanyol, entrando finalmente na equipa principal, dois anos mais tarde.

Box-to-box de luxo, corta-nos a respiração com a técnica apurada e a variedade dos passes que consegue “tirar da cartola” para criar linhas e montar o Lego da sua equipa.

Há muitos adeptos espanhóis a torcer para que saia da lista provisória e tenha finalmente a sua oportunidade. ¡A por ella, Joan!

MÉDIO CENTRO

Curtis Jones (30 milhões) – Nascido e criado em Liverpool, e visto como um dos maiores talentos da cidade, muitos ainda não acreditam que irá chegar ao nível esperado.

Desde pequeno que Curtis Jones sofre da síndrome “sou o maior da minha aldeia”, tendo sido nos sub-18 que a coisa começou a encarrilar. Tudo graças à tutela de Steven Gerrard.

Extremamente talentoso na progressão com a bola, o jovem de 20 anos tem também especial aptidão para quebrar linhas através do seu posicionamento, aparecendo com frequência em áreas perigosas. Um autêntico “salta pocinhas”.

Tendo em conta a quantidade de adversários que optam por jogar em bloco baixo, pode vir a dar jeito para encontrar espaço que por vezes parece inexistente, desbloqueando, assim, partidas complicadas. Nunca se sabe quando irá fazer falta.

Continuando a trabalhar no seu jogo defensivo, e ganhando consistência, tem tudo para se tornar mais frequente na lista de titulares de Klopp e receber a primeira chamada à seleção.

EXTREMO DIREITO

Jarrod Bowen (30 milhões) – David Moyes acredita que ele tem andado a bater à porta de Gareth Southgate.

Um dos grandes responsáveis pelo dinamismo que temos visto no ataque do West Ham United FC e, aliás, um dos grandes desequilibradores da Liga Inglesa, ninguém diria que esteve prestes a arrumar as botas no armário quando tinha apenas 16 anos. E que foi “rejeitado” pelo Newcastle United FC há dois anos atrás.

Este é o tipo de jogador que tanto nos fascina pelo mindset e a inesgotável fome de bola. Sou capaz de apostar que por este andar, no futuro, “Bowen” na língua inglesa será sinónimo de trabalho árduo, resiliência e dedicação. E com este três em um dificilmente alguém o para.

Pedras no caminho? Ele guarda-as todas e um dia destes já se sabe em que castelo o iremos ver.

MÉDIO OFENSIVO

Christopher Nkunku (47 milhões) – E este rapaz que tem dispensado toda e qualquer apresentação?
Nascido precisamente no mesmo ano de Saint-Maximin, e tendo em conta que são seis gauleses a figurar esta lista, continuarei a perguntar-me que “sorte” é esta, da França, que encontra nos subúrbios as suas maiores estrelas e continua a acumular carismáticas gerações campeãs do mundo.

Dada a velocidade com que pensa e executa de forma encantadora o que lhe vai na cabeça, não é de admirar que tudo a seus pés pareça fácil e se tenha tornado num dos maiores criativos a jogar na Europa.

Neste caso, a palavra “Nkunku”, e em qualquer língua, virá a ser definida como “o simples e belo prazer de se jogar futebol”. 

O jovem francês tem evoluído magistralmente todos os aspetos do seu jogo nos últimos anos, e a desperdiçar tão pouco em campo começa a transparecer que, realmente, não tem quaisquer fraquezas.

Dizia ele há dois ou três anos que tinha de melhorar o seu “instinto de matador”…

EXTREMO ESQUERDO

Allan Saint-Maximin (30 milhões) – Veloz com ou sem bola, rei de todo o drible e mais algum, aparenta ainda ter margem para melhorar no que toca ao passe, à finalização e à tomada de decisão.

Ainda assim, o jogador do Newcastle United FC tem uma forma eletrizante e imprevisível de jogar que agrada (e muito!) aos fãs dos Magpies.

P.S.: Vejo-me obrigada a segredar ao vosso ouvido que não o conhecia. Para tentar compensar, segredo também que os vídeos que vi me fizeram sorrir de orelha a orelha.

É como se, de todas as vezes que vai partir para o drible, olhasse bem nos olhos do adversário, piscasse o olho, e dissesse em tom de chacota:

“Shall we dance?”

PONTA DE LANÇA

Amine Gouiri (35 milhões) – Como se a lista não fosse já incrível, termino em beleza com a pérola de 21 anos que me fez começar a prestar ainda mais atenção à Liga Francesa.

Fora o que já apontei, que dizer? Ora ele cruza, ora ele remata. Ora ele finta, ora ele passa.

Com oito golos e quatro assistências até ao momento, metade dos golos do OGC Nice não existiriam sem este jogador. Mexe-se com destreza e inteligência tais que por norma nem dão por ele.

O que mais gosto pode ser a maneira como se movimenta e vai desenhando as linhas do jogo, mas só vendo se pode perceber o calibre deste menino. Se deixa uma “fala-barato” quase sem palavras…

Seleção francesa? Para ontem, monsieur Deschamps. Para ontem!

Marta Rebelo

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