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Os 5 jogadores que mais brilharam na dupla jornada europeia de seleções

Diogo Ribeiro · 8 min

Foto: FPF

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Começou o apuramento para o Euro 2024, que se realizará na Alemanha. Depois do encerramento de um ciclo, muitos outros começaram – Portugal, Espanha e Bélgica, por exemplo – naquela que foi a primeira paragem para seleções no pós-Mundial.

A primeira oportunidade de vislumbrar novos desenhos e novos jogadores surgiu nesta jornada de seleções, numa fase decisiva da temporada e que torna mais complicado balizar avaliações. Se nos clubes a época se aproxima do fim, no futebol internacional o processo acabou de se iniciar. É obrigatório mudar as lentes.

Entre certezas e surpresas, consagrados e recém-encontrados esta lista reúne cinco nomes que se evidenciaram na dupla jornada europeia de seleções e que devem ter grande importância no caminho que se delineará até ao Europeu.

Bernardo Silva (Portugal) 

Mais do que pelo resultado, os jogos de Portugal nesta jornada de seleções interessavam pela perspetiva de um novo caminho iniciado com Roberto Martínez ao leme do barco português. Sistema tático, ideias de jogo e papel dos diferentes jogadores no desenho da equipa foram assim pontos basilares na análise dos encontros de Portugal contra Liechtenstein e Luxemburgo.

A principal novidade, mais do que os três centrais – previsíveis tendo em conta a convocatória e o historial de Roberto Martínez – foi o papel de Bernardo Silva. Uma das incógnitas num meio-campo a dois era a conjugação de Bruno Fernandes e Bernardo Silva, ambos habituados ao corredor central, entretanto descortinada. Bruno Fernandes é o segundo médio, num papel semelhante ao que Kevin de Bruyne chegou a desempenhar na Bélgica, jogando a maior parte do tempo de frente para o jogo.

Bernardo Silva jogou assim como um dos jogadores no apoio ao ponta-de-lança. Se à partida para esta jornada de seleções se perspetivava como mais um jogador entrelinhas, atuando preferencialmente por dentro, a verdade – e novidade – é que Bernardo Silva atuou praticamente como extremo-direito, partindo de fora para dentro. Não é uma novidade na carreira do criativo, mas é um regresso ao passado que pretende fomentar dinâmicas no corredor direito português, permitindo ao lateral – Cancelo no primeiro jogo, Dalot no segundo – alterar os movimentos, quer por fora, quer por dentro e a Bruno Fernandes aparecer perto da grande área, local onde pode marcar diferenças pela capacidade de passe e remate.

Quanto a Bernardo Silva foi encarado por Roberto Martínez como um desequilibrador, capaz de partir para cima do adversário no 1X1 e, de fora para dentro, ativar o pé esquerdo quer com um passe para a linha, quer com um cruzamento para a área. Contra o Liechenstein marcou numa jogada com intervenção dos três mosqueteiros da direita – Cancelo, Bruno e Bernardo, pois claro – e contra o Luxemburgo foi fundamental nos três primeiros golos portugueses. Nos dois primeiros desequilibra de fora para dentro (encontrando Bruno Fernandes no vértice da área no primeiro, cruzando com o pé esquerdo no segundo) e no terceiro colocando o nome na lista dos marcadores com um cabeceamento nada habitual.

Mike Maignan (França)

Após a queda na final do Mundial, a primeira semana da “nova” seleção francesa foi algo conturbada após a decisão de Deschamps atribuir a capitania a Mbappé, provocando um aparente mal-estar a Griezmann que, após a saída de Lloris esperava ser o chamado a assumir a responsabilidade perante o grupo. Mbappé tratou-se de serenar os ânimos, sugerindo uma liderança partilhada – “Não sou o superior hierárquico do Antoine. Vamos estar lado a lado e juntos, vamos tentar recolocar a seleção francesa no topo do Mundo” – com a França a iniciar a qualificação para o Euro 2024 com o pé direito.

Griezmann e Mbappé foram e continuam a ser os principais destaques da seleção francesa. Mbappé é protagonista da esquerda para dentro, tendo liberdade para atacar espaços e para acelerar com bola no pé. Griezmann nas costas do avançado tem liberdade para encontrar o espaço, aparecendo como elemento surpresa a garantir superioridade numérica quer na saída de jogo (funcionando como terceiro médio), quer na fase de definição, invadindo a área aproveitando os espaços deixados pelos jogadores da frente. Aos dois minutos já tinham resolvido a difícil partida que se perspetivava contra Países Baixos.

Ainda assim o grande destaque de França nesta jornada de seleções é uma novidade. Lloris nunca foi o guarda-redes mais confiável do mundo, mas não teve sombra na seleção francesa. A sua saída abriu espaço à titularidade de Maignan e o guardião deu mostras da sua qualidade já bem evidente no futebol de clubes. Não tendo influência na definição da vitória, teve cinco defesas importantes, incluindo uma grande penalidade.

Contra a Irlanda a importância foi redobrada. Stephen Kenny fechou-se em 5-4-1, limitando o espaço disponível para Mbappé (e Theo Hernández) e Kolo Muani acelerarem e conseguiu controlar a desinspiração ofensiva da França. O plano quase perfeito só não contava com o aparecimento de Pavard, já habituado a fabricar obras de arte com a seleção francesa. Maignan apareceu nos últimos minutos com duas defesas de extrema dificuldade que garantiram a vitória aos gauleses. Apareceu o novo titular das redes da França.

Bukayo Saka (Inglaterra)

Ficou ligado à derrota nas grandes penalidades na final do Euro 2020 – realizado em 2021 – contra a Itália, mas reergueu-se como uma fénix e é aos 21 anos destaque no Arsenal e na seleção dos três leões.

Divide em ambos o protagonismo. Kane é a outra estrela da seleção inglesa e tornou-se contra a Itália no melhor marcador da história dos três leões. Os números ganham ainda outra proporção quando vemos que demonstram apenas uma pequena faceta naquilo que é o jogo do inglês – oferece-se como opção em apoio, recua no campo para lançar, descai para os flancos para abrir espaço para os colegas. É um jogador completo e a sua presença em campo potencia o desenvolvimento dos restantes colegas.

Saka é o que mais protagonismo assumiu nesta jornada de seleções. Recebe bem aberto – à semelhança do que faz no Arsenal, procurando movimentos a romper entre lateral e central – e desequilibra ora pela linha, ora por dentro. Esquerdino à direita, potencia-se pela imprevisibilidade e ousadia no jogo. Contra a Itália destacou-se na bola parada – dois golos com origem num canto fechado de Saka – e contra a Ucrânia foi o destaque principal da partida. Levou a Inglaterra para a frente, ganhou de forma constante metros e teve participação direta – e com direito a brilho – nos dois golos ingleses.

No primeiro assiste de forma primorosa Harry Kane, recebendo aberto, escondendo o objetivo do adversário e cruzando de forma teleguiada para o segundo poste. No segundo chamou a si toda a responsabilidade, aproveitou a presença de Harry Kane por fora e o espaço que o ponta-de-lança havia deixado e após uma incursão por dentro rematou em arco ainda de fora da área para um grande golo. Vai sendo lapidado a nova estrela inglesa.

Scott McTominay (Escócia)

Continuamos no Reino Unido para falar de um goleador improvável. Scott McTominay já há muito deixou de ter grande protagonismo no Manchester United, tendo apenas 1388 minutos na temporada. Marcou dois golos neste período.

A pouca utilização em Manchester renegou o escocês para o banco no jogo contra o Chipre. Entrou aos 67 minutos e teve impacto imediato como um médio que, mais do que a organização, teve chegada à área, aproveitando a descoordenação – e a projeção ofensiva em busca do empate – dos defesas cipriotas para aparecer em zonas de finalização sem oposição. Bisou na partida.

Contra a Espanha – pode ser surpresa negativa na qualificação – foi titular e novamente destaque. De La Fuente chegou à seleção principal depois de um longo percurso nas seleções jovens onde não chegou a cumprir o potencial de muitas gerações e não gera grandes expectativas sobre si. Contra a Escócia viu os dois laterais-direitos – Porro no primeiro golo escorrega, Carvajal é completamente ultrapassado por Tierney no segundo – comprometerem. Marcou novamente por duas vezes McTominay aproveitando ressaltos para aparecer de trás para a frente e colocar o resultado em 2-0.

Numa equipa com ameaças por fora – Robertson, Tierney, Hickey – e várias opções para a frente de ataque, ter um dos médios constantemente a apresentar-se como opção na área pode garantir pontos. McTominay pode ser essa opção. Resta saber se foi coincidência ou resultado de uma intenção declarada em apresentar-se como um médio finalizador de chegada. O certo é que o médio que tinha apenas um golo em 37 jogos pelos escoceses, marcou quatro e levou a Escócia ao primeiro lugar do grupo que se perspetiva como um dos mais interessantes de acompanhar a nível de seleções (Espanha, Escócia, Noruega e Geórgia na luta por dois lugares).

Rasmus Højlund (Dinamarca)

Rasmus Winter Højlund é a sensação do momento. O último apelido faz lembrar Haaland – há uma nova geração fantástica de pontas-de-lança nórdicos – e o primeiro o Inverno, perfeitamente natural tendo em conta a frieza enorme em frente da baliza. Højlund é o protótipo perfeito do Ice Man.

Ainda a caminhar sobre os destroços do Mundial trágico, a Dinamarca procura reerguer-se. E poderia ter sido uma dupla jornada perfeita, tendo em conta a vitória – tardia – contra a Finlândia e o resultado aparentemente controlado contra o Cazaquistão (aos 70 minutos ganhava por 2-0). A reviravolta cazaque – é uma equipa a acompanhar – levantou dúvidas.

Dúvidas que não se arrastam ao ponta-de-lança dinamarquês. A Dinamarca marcou cinco golos, todos da autoria de Højlund. A comparação com Haaland é simples de se fazer, mas tem fundamento. Estamos na presença de um animal de área. Movimenta-se com facilidade, escondendo atenções e ludibriando os defesas e escolhendo perfeitamente o timing para atacar a bola (o primeiro golo marcado à Finlândia é exemplo perfeito). Remata com facilidade e sem grande preparação e tem instinto matador para o golo. Tem também características físicas para marcar diferenças – velocidade, ataque ao espaço, poderio físico para ganhar duelos – e uma técnica que não fica atrás (joga em apoio a poucos toques e deixa pormenores de qualidade, como o primeiro golo perante os cazaques).

A Atalanta antecipou-se ao mercado e, bem ao seu hábito, garantiu o goleador no verão. O mais recente fenómeno entre os jogadores do futebol europeu estreou-se pela seleção, marcou cinco golos e pôs o seu nome na boca do mundo. Tem tido consistência em Itália e há um enorme potencial de crescimento e de revenda para o clube italiano. À semelhança do quase homónimo norueguês, ainda vamos ouvir falar muito de Højlund.

Artigo da opinião de Diogo Ribeiro.

Diogo Ribeiro

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