Última horaJá está definida a final da Taça Sul-Americana
Publicidade

Tite e suas convocações corintianas condenam a Seleção Brasileira ao fracasso

Renato M. Mendes · 2 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Motivo de muitas alegrias, tristezas e preocupações, o futebol, assim como a religião, é o ópio do povo brasileiro, que vê desde os campinhos de terra até os grandes e modernos estádios a esperança de dias melhores. Todo esse sentimento, no entanto, é materializado e unificado pela seleção da Confederação Brasileira de Futebol – CBF – que ao menos em tese representa o Brasil no esporte. Mas será que representa mesmo?

A seleção pentacampeã mundial, octacampeã das Américas e tetracampeã da Copa das Confederações é sem dúvidas motivo de grande orgulho dos brasileiros, mas nos últimos anos tem sido a causa de imensa vergonha, tanto pelos escândalos de corrupção envolvendo seu órgão máximo, quanto pelas atuações em campo, marcadas pelas cenas de teatro do Neymar. Mas o que tem chamado atenção após a última Copa do Mundo são as escalações do treinador Tite, que privilegiam jogadores que já foram treinados por ele no Corinthians.

Desde que assumiu o cargo em 2016, Tite fez quinze convocações para amistosos e competições oficiais da Seleção e de todos os convocados pelo menos dez já trabalharam com ele no Corinthians: Cássio, Fagner, Marquinhos, Rodriguinho, Felipe, Fábio Santos, Gil, Malcom, Renato Augusto e Paulinho. Destes, somente o zagueiro Marquinhos tem condições técnicas para vestir a amarelinha, os outros são apenas opções pessoais de Tite. Enquanto isso, jogadores como o Goleiro Fábio do Cruzeiro, Bruno Henrique e Dudu do Palmeiras são sistematicamente esquecidos e nomes como Hulk do Shanghai SIPG, Jonas do Benfica e Danilo do Manchester City sequer são cogitados.

Para convocar seus queridinhos, Tite até ignora o fato de alguns deles estarem atuando no futebol chinês, em campeonatos pouco competitivos com uma frequência muito baixa de jogos. O resultado disso foram as péssimas atuações da Seleção Brasileira na Copa do Mundo com o comum Renato Augusto no meio e o horrendo Fagner na Lateral sendo engolidos por Eden Hazard e Kevin de Bruyne. É inadmissível que a seleção de futebol do país seja convocada por critérios que não sejam técnicos. Ora, se é tão importante para o Tite trabalhar com jogadores que jogam ou que passaram pelo Corinthians, que volte para o clube e deixe a Seleção Brasileira para quem convoca por mérito.

Tite lendo sua esclação durante entrevista coletiva organizada pela Confederação Brasileira de Futebol Fonte CBF

O futebol brasileiro precisa, de forma urgente, recuperar sua moral, mas para isso será necessário desfazer-se da filosofia clubista desse profissional superestimado pela mídia e por vezes chamado de “o salvador da pátria”. Em pouco mais de dois anos à frente da Seleção, Tite se mostrou um treinador limitado e retranqueiro, que dificilmente sairá do lugar comum.

E o tal futebol arte, cinco vezes campeão do mundo e representado por grandes nomes como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Marta e Roberto Carlos está ultrapassado técnica e taticamente, tanto por questões financeiras quanto pela má organização dos clubes no Brasil. Uma possível solução para isso seria, talvez, deixar o orgulho “patriótico” de lado e investir na contratação de treinadores estrangeiros, que certamente oxigenariam o ambiente da seleção, trariam novos conhecimentos e afastariam os vícios clubistas que insistem em permanecer na CBF.

Foto de capa: FIFA

Renato M. Mendes

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Europa League

Resistir e Sonhar | Ferencváros x Torreense

Depois dos baldes de água fria frente a Tondela e sobretudo Sunderland, o Torreense vê nova oportunidade de espantar a Europa a ser providenciada por um dos mais rodados adversários que lhe calhou em sorteio. O histórico Ferencváros participa em fases de grupos ou liga europeias consecutivamente desde 2020 e ganhou a liga húngara sete vezes seguidas, até se deixar surpreender a época passada pelo Györ – ora, como grande dominador daquele futebol, restava apenas ao Ferencváros dar uma de Bayern, absorvendo o talento que se atreveu a meter em causa a hegemonia. E assim substituiu o lendário Robbie Keane por Balász Borbély, o eslovaco de 47 que cometeu a proeza (regressando assim a casa, ele que já tinha treinado juniores e equipa secundária do Ferencváros entre 2019 e 2022).  Antecipava-se, por isso, conto de fadas. Que Borbély conseguisse imprimir o registo dominador de outrora em contexto nacional e manter o sucesso recente fora-de-portas, conciliando harmoniosamente os índices competitivos. Enquanto se tem conseguido cumprir com a segunda expectativa (veja-se o percurso dos húngaros, que ultrapassaram todas as rondas de qualificação), as coisas não vão de feição na Liga, com cinco empates em nove jornadas. «Nem tudo correu como planeado nesta temporada», explicou assim na antevisão ao encontro desta quinta-feira. «Os resultados na Liga Europa são bons, mas não acho que exista uma grande diferença na forma como jogamos para as duas competições».

Pedro Cantoneiro · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.