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Albânia 0-1 Suíça: Quando a garra não compensa a experiência

Pedro Machado · 4 min

Albânia 0-1 Suíça: Quando a garra não compensa a experiência
Foto: Federação Suíça de Futebol

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Cabeçalho Futebol Internacional

A FIGURA

Shaqiri carregou a equipa da Suiça Fonte: UEFA
Shaqiri carregou a equipa da Suíça
Fonte: UEFA

Shaqiri – 1,69 metros de poder. Destemido, pegava na bola e trazia a equipa consigo rumo à àrea albanesa. O jogo podia estar de feição, mas ele nunca se conformou com aquilo que a partida lhe ia dando, desconfiado do que pudesse fazer o advesário.

Teve apoios importantes, como a experiência de um lateral inteligente (Lichtsteiner) ou a noção táctica do duplo-pviô (Xhaka – Behrami), que lhe permitiram brilhar mais, mas não lhe tiram o mérito de uma exibição fantástica, coroada com a assistência para o golo da equipa.

O FORA-DE-JOGO

O capitão comprometeu a Albânia Fonte: UEFA
O capitão comprometeu a Albânia
Fonte: UEFA

Cana – A qualidade do jogador não desaparece com um erro individual, mas esse pode ser suficiente para custar pontos à sua equipa, e Cana, ao abordar de forma infantil uma bola longa (virou-lhe as costas), acabou por deitar por terra aquela que poderia ser a reviravolta albanesa, sendo expulso.

ALBÂNIA:

Um dos momentos do jogo Fonte: UEFA
Um dos momentos do jogo
Fonte: UEFA

Vive-se um momento histórico no futebol da Albânia e as bancadas fizeram questão de o registar. Não deve existir, por aí, um albanês que goste de futebol que não esteja orgulhoso da sua equipa e da respectiva qualificação para o Europeu. Só o facto de lá estar é um feito incrível, o resto é bónus. Assim se entende o facto de o público albanês ser o mais audível em Lens, vibrando com cada roubo de bola e com cada oportunidade de perigo, mesmo quando a equipa estava na mó de baixo.

Porém, os jogadores acusaram a pressão. Primeiro foi Berisha, com uma saída comprometedora, a destapar a baliza e a permitir o golo da Suíça e depois, Cana, com uma abordagem deficiente a uma bola longa, virando costas à bola, o que lhe custou a perda do lance e um amarelo que significou a sua expulsão, colocando a equipa em dificuldades a partir daí. Entre estes dois momentos, na primeira parte, a equipa galvanizou-se e até surpreendeu na envolvência ofensiva levada a cabo, sobretudo, por Roshi, em perfeita sintonia com Taulant Xhaka – ambos tiveram bons lances para marcar, um deles, numa combinação entre ambos.

Na segunda parte, a Albânia entrou expedita, apostada em ultrapassar todas as contrariedades que lhe foram colocadas à frente por erros individuais. O primeiro a dar o exemplo foi Berisha, que se exibiu a grande nível, dando o corpo às balas enviadas à baliza albanesa, permitindo que os seus colegas sonhassem com um desfecho risonho.

De Biasi leu bem a vontade dos seus jogadores, e apesar de ter decidido mal ao tirar Taulant Xhaka, que vinha a dar dinamismo ao meio-campo, não teve medo de arriscar, colocando Cikaleshi no lugar de Rochi, dotando o ataque de mais referências ofensivas no eixo. E a Albânia ficou a ganhar. Impulsionada pelo repentismo de Lenjani, que patrocinou várias incursões pelo meio-campo da Suíça adentro, e pela qualidade de passe de Hysaj, que isolou Sadiku, embora este não tivesse mais arte e engenho que um remate às malhas laterais… à semelhança de Gashi, que dispôs de uma situação em zona mais flagrante e com mais tempo para decidir, mas permitiu a defesa ao guarda-redes suíço.

A Albânia terminou o jogo com um homem a menos, mas teve garra para compensar essa inferioridade numérica, porém, ter garra e 10 homens não chegou para bater um 11 com mais experiência.

Notas aos jogadores:

Berisha – 6

Hysaj – 7

Cana – 2

Mavraj – 5

Agolli – 5

Abrashi – 5

Kukeli – 5

Xhaka – 6

Roshi – 6

Lenjani – 6

Sadiku – 6

Kace –3

Cikalleshi – 4

Gashi – 5

SUÍÇA

O golo da Suíça  Fonte: UEFA
O golo da Suíça
Fonte: UEFA

A estrutura e a dinâmica de jogo da Suíça não surpreendeu ninguém, empurrando e sufocando, desde início a Abânia até chegar ao golo desejado, logo aos 5 minutos, autoria de Schar, na sequência de um canto batido por Shaqiri. A partir daqui, os helvéticos entraram num modo piloto automático, concedendo alguma permeabilidade no meio-campo e revelando algumas dificuldades na saída da bola… algo que conseguiram inverter depois de se ver em vantagem numérica. A partir daí, Dzemaili deu show. Primeiro, atirou ao poste, de livre e depois, no coração da àrea, atirou a rasar o poste da baliza de Berisha. O médio centro não se ficou por aqui na sua contribuição ao jogo e continuou a dinamizar o ataque suíço, contando com as contribuições preciosas de Shaqiri e Xhaka, que aproveitavam, eficientemente, o facto de o adversário ter um homem a menos para lhe “comer” o meio-campo, subir no terreno e continuar a criar oportunidades – Seferovic, servido por Shaqiri atirou ao lado.

A Suíça entrou no segundo tempo a gerir o ritmo de jogo, permitindo, por vezes, a subida albanesa para desferir venenosos contra-golpes, quase sempre guiados por Shaqiri e suportados pela capacidade táctica de Behrami e Xhaka, muito bem dotados posicional e tacticamente, fundamentais para suster a galvanização albanesa.

Seferovic continuou o seu duelo com Berisha, mas não o venceu. Também por mérito alheio, é certo, mas esse não explica tudo, porque o ponta-de-lança suíço teve três hipóteses flagrantes de golo e desperdiçou-as todas, quase que deitando por terra todo o trabalho e organização ofensiva da equipa suiça, que revelou interessante dinâmica nesse particular.

Os helvéticos ainda tremeram, na parte final, mas Sommer agigantou-se e fez grande defesa, que acabou com as esperanças do adversário em pontuar.

Esperar-se-ia mais da capacidade de finalização da Suiça, um factor que pode ser decisivo, no caso da equipa helvética se apurar para a fase a eliminar.

Notas aos jogadores:

Sommer – 6

Lichtsteiner – 6

Schar – 6

Djourou – 5

Rodriguez – 6

Behrami- 7

Xhaka- 7

Shaqiri- 7

Dzemaili- 7

Seferovic- 5

Embolo- 5

Fabian Frei- 4

Gelson Fernandes- Sem tempo para avaliação

Pedro Machado

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