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As 7 participações de Portugal em Europeus | Euro 2020

Vasco Borges · 8 min

Foto: Seleções Portugal

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Atualmente, estamos habituados a ver a seleção portuguesa em todas as grandes competições, mas nem sempre foi assim. No ranking de países com mais presenças em Campeonatos da Europa, Portugal apenas surge no décimo lugar.

Ainda assim, as sete presenças da “Seleção das Quinas” em Europeus estão recheadas de jogos épicos que perduram na memória dos portugueses. Aqui, fazemos uma retrospetiva desses momentos, desde as derrotas mais amargas, à “redenção” de 2016.

 7.

Euro 1984 – 20 anos separam a edição inaugural do Campeonato da Europa, da primeira participação portuguesa. Em 1984, a Seleção das quinas partiu para França depois de ter vencido o grupo de qualificação à frente de União Soviética, Polónia e Finlândia.

O grupo, composto apenas por jogadores a atuar em Portugal, era o mais talentoso desde os “magriços” do Mundial 1966. Nomes como Bento, João Pinto, António Sousa, Jordão, Fernando Gomes e Chalana compunham uma seleção promissora, mas que não era uma das favoritas a conquistar a prova.

A estreia foi a 14 de junho e terminou com um empate a zero frente à Alemanha. Seguiu-se novo empate, a um, contra Espanha e uma vitória por 1-0 diante da Roménia. O suficiente para passar a fase de grupos no segundo lugar e seguir para as meias-finais.

O Velódrome, em Marselha, recebeu um jogo que ficou na memória coletiva dos portugueses. A Seleção esteve a 6 minutos da final, depois de Rui Jordão ter marcado o 2-1 no prolongamento. Mas golos de Domergue aos 114 minutos e Platini aos 119 deitaram por terra o sonho.

Onze mais utilizado: Bento; João Pinto, Lima Pereira, Eurico Gomes, Álvaro Magalhães; Jaime Pacheco, António Sousa, Frasco, Carlos Manuel; Chalana, Jordão

6.

Euro 1996 – Depois de falhar 1988 e 1992, Portugal regressou para o Euro 96, em Inglaterra. Não mais falhou uma edição. Os adversários na fase de grupos eram a Dinamarca (campeã em título), a Croácia e a Turquia.

A seleção nacional começou com um empate a um, frente aos escandinavos, seguido de um triunfo por 1-0 diante dos turcos. Na última jornada, Portugal tinha pela frente a Croácia, que até então somava duas vitórias, quatro golos marcados e zero sofridos. A resposta não poderia ter sido melhor: 3-0, com golos de Figo, João Vieira Pinto e Domingos.

O primeiro lugar no grupo dava esperança aos adeptos, mas o duelo dos quartos de final, frente à República Checa, voltou a ficar na memória pelos piores motivos. Para a posteridade ficou o célebre chapéu de Karel Poborsky a Vítor Baía. Um daqueles golos que é sempre recuperado pelas televisões aquando dos Campeonatos da Europa.

Mais uma vez, Portugal deixava uma boa imagem, mas regressava a casa sem glória.

Onze mais utilizado: Vítor Baía; Dimas, Fernando Couto, Hélder Cristóvão, Paulinho Santos; Oceano, Paulo Sousa, Rui Costa, Figo; João Vieira Pinto, Sá Pinto

5.

Euro 2000 – Com um plantel ainda mais talentoso do que em 1996, Portugal partia para o Euro 2000 com grande expetativa. Na competição, realizada entre a Bélgica e os Países Baixos, a Seleção das quinas fez alguns dos melhores jogos em Europeus.

O grupo era o “da morte”. Alemanha, Inglaterra e Roménia os adversários. O primeiro jogo trouxe uma histórica reviravolta frente aos ingleses. Scholes e McManaman marcaram dentro dos primeiros 20 minutos. Tudo parecia encaminhado para uma estreia humilhante, mas ainda antes do intervalo Figo e João Vieira Pinto restabeleceram a igualdade. Na segunda parte, Nuno Gomes consumou a “remontada”.

A vitória por 1-0 diante da Roménia carimbou o apuramento para os quartos-de-final. O jogo frente à Alemanha era, por isso, para cumprir calendário. No entanto, Sérgio Conceição decidiu aparecer e registar um épico “hat-trick”, que enviou os alemães (campeões em título) para casa com o peso de uma goleada.

O próximo oponente era a Turquia. Um bis de Nuno Gomes e um penalty defendido por Vítor Baía encaminharam a Seleção para o apuramento. 16 anos depois do jogo de Marselha, Portugal voltava a encontrar a França nas meias-finais. O desfecho voltou a ser no prolongamento e dramático para os portugueses. Tudo se decidiu com uma grande penalidade, na altura muito polémica, convertida por Zidane aos 117 minutos.  Como se não bastasse, Portugal não pôde reagir ao golo porque vigorava a regra do “golo de ouro”.

Onze mais utilizados: Vítor Baía; Dimas, Fernando Couto, Jorge Costa, Abel Xavier; Paulo Bento, Sérgio Conceição, Rui Costa; Figo, João Vieira Pinto, Nuno Gomes

4.

Euro 2004 – Se o desfecho de 86 e 00 foram dramáticos, o que dizer de 2004. Pela primeira vez Portugal organizada uma grande competição de futebol sénior e a efeméride coincidia com o amadurecer daquela que, para muitos, é grande geração de ouro do futebol nacional.

A fase de grupos começou com um anticlímax: uma derrota frente a uma equipa grega que, à partida, parecia destinada a sair de cena nessa fase. As vitórias frente a Espanha e Rússia, carimbaram o apuramento e restauraram a esperança da nação.

Seguiram-se dois jogos épicos. Primeiro, os penaltys frente a Inglaterra, com o momento de Ricardo a tirar as luvas para defender o remate de Vassell e de seguida bater David James para dar a vitória à Seleção. Depois, as meias-finais onde os homens de Scolari superaram a Holanda por 2-1.

Portugal estava no jogo decisivo, em pleno Estádio da Luz, em Lisboa. O adversário era a surpreendente Grécia. O que se seguiu está ainda na memória de todos, infelizmente, pelos piores motivos. Um doloroso adiar de um objetivo que se viria a concretizar oito anos depois.

Onze mais utilizados: Ricardo; Miguel, Jorge Andrade, Ricardo Carvalho, Nuno Valente; Maniche, Costinha, Deco; Cristiano Ronaldo, Figo, Pauleta

3.

Euro 2008 – Na ressaca do Euro 2004 e do 4º lugar no Mundial 2006, a seleção nacional chegou à Áustria e Suíça depois de uma qualificação complicada. Jogadores como Figo, Rui Costa ou Pauleta já tinham abandonado a Seleção. Outros como Rui Patrício, Bruno Alves, Pepe, João Moutinho e Nani davam os primeiros passos de quinas ao peito. Era também a primeira competição em que caberia a Cristiano Ronaldo assumir o papel central, desde o início.

O plantel não era tão harmonioso como o de anos anteriores, mas passou de forma tranquila pela fase de grupos. Os triunfos frente a Turquia e República Checa permitiram partir para o último jogo com tranquilidade. Aí, a exibição pálida, e consequente derrota por 2-0 diante da Suíça, fez soar alguns alarmes.

Nos quartos-de-final, o adversário era a Alemanha. Apesar dos germânicos terem caído para o segundo lugar do seu grupo, eram tidos como favoritos. Confirmaram as previsões com dois golos antes da meia hora, antes de Nuno Gomes reduzir aos 40’. Na segunda parte, um golo de Ballack sentenciou a eliminatória. Hélder Postiga ainda fez o 2-3, mas Portugal era saía do europeu sem grande brilho.

Onze mais utilizados: Ricardo; Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Pepe, Bosingwa; Petit, João Moutinho, Deco; Cristiano Ronaldo, Simão Sabrosa, Nuno Gomes

2.

Euro 2012 – Os quatro anos que separaram este do Campeonato da Europa de 2008 foram dos mais turbulentos da história recente da Seleção. Carlos Queiroz chegou, desiludiu no Mundial 2010 e saiu no meio de muita polémica. O escolhido para o substituir foi Paulo Bento, que garantiu o apuramento no play-off.

Se em 2008 a geração de ouro já mostrava algum desgaste, em 2012 estávamos numa clara fase de transição, sem grandes talentos a emergir. Mais do que nunca, Cristiano Ronaldo era a grande esperança dos portugueses. A verdade é que a Seleção não se saiu nada mal e só foi eliminada nos penaltys frente a Espanha.

À derrota inaugural contra a Alemanha, seguiram-se dois triunfos auspiciosos diante de Dinamarca e Holanda. Nos quartos de final, Portugal vingou a eliminação de 1996 e bateu a República Checa por 1-0, com golo de Ronaldo. A derrota acabou por chegar nas meias-finais, frente à futura vencedora do troféu, a Espanha.

Onze mais utilizados: Rui Patrício; João Pereira, Bruno Alves, Pepe, Fábio Coentrão; Raúl Meireles, João Moutinho, Miguel Veloso; Cristiano Ronaldo, Nani, Hélder Postiga

1.

Euro 2016 – O otimismo dos portugueses em relação à conquista do Campeonato da Europa de 2016, ficou espelhado na reação à promessa de Fernando Santos de que iria ficar em França até ao dia seguinte à final. O selecionar, que tinha juntado um núcleo coeso, mas com um estilo de jogo pouco espetacular.

A caminhada até à final foi algo inusitada. Portugal só venceu um jogo nos 90 minutos: o das meias-finais frente ao País de Gales. O grupo, com Islândia, Áustria e Hungria era acessível, mas acabou por se revelar traiçoeiro. Três empates foram suficientes para garantir a passagem, como um dos melhores terceiros.

Com uma campanha frouxa até então, não se esperava muito mais dos homens de Fernando Santos. No entanto, a Seleção soube adaptar-se aos adversários que foi encontrando e, com alguma sorte à mistura, seguindo em frente. A Croácia caiu no prolongamento e a Polónia nos penaltys.

Ultrapassada a meia-final frente à seleção galesa, Portugal encontrava um velho conhecido, com muitas más memórias. Em Paris, diante de França, aconteceu o que ninguém esperava um mês antes. A vitória chegou pelos pés de Éder, o herói improvável, num pontapé que pareceu afastar todos os fantasmas de edições anteriores. A 10 de julho de 2016, Portugal levantou mesmo a taça Henri Delaunay.

Onze mais utilizados: Rui Patrício; Cédric, José Fonte, Pepe, Raphael Guerreiro; William Carvalho, João Moutinho, Renato Sanches, João Mário; Cristiano Ronaldo, Nani

Vasco Borges

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