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Bélgica 1-3 País de Gales: Cuidado, Portugal!

Pedro Machado · 5 min

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Cabeçalho Futebol Internacional

A FIGURA

Bale País de Gales
Aaron Ramsey foi um dos responsáveis pelo sucesso do País de Gales
Fonte: UEFA

Aaron Ramsey (País de Gales) – A grande figura da sua selecção esteve sempre bem vigiada e, na ausência dessa referência, olhou-se para Ramsey, que não se importou nada com o protagonismo. Encarou-o de frente e, sempre que pegava na bola, sentia-se que algo de bom podia acontecer para a formação britânica. E aconteceu mesmo. Dos seus pés saíram o canto para o primeiro golo e a assistência para o segundo, esta última precedida de uma receção que só está ao alcance de jogadores com qualidade técnica invulgar.

Foi o motor ofensivo da sua equipa, e ainda foi capaz de dar uma ajudinha no ataque, “encorpando” o meio-campo da sua equipa, facilitando-lhe a missão de neutralizar o perigo belga.

Viu um amarelo que o tirou do jogo contra Portugal. Felizmente.

O FORA DE JOGO

A festa belga acabou em pesadelo no final Fonte: UEFA
A festa belga acabou em pesadelo no final
Fonte: UEFA

Jordan Lukaku (Bélgica) – O miúdo foi chamado à responsabilidade da titularidade, mas não se revelou capaz de a assumir, desorientando-se sempre que Ramsey ou até Gunter (claramente mais defensivo, hoje) pisavam a sua área de jurisdição. Aliás, ambos conseguiram criar as chances dos dois golos galeses da segunda parte pelo lado esquerdo da defesa belga.

Acaba por se perceber que não tem a força mental e a capacidade de reacção ao erro de um veterano, mas jogou entre os grandes e teve de ser avaliado como tal.

BÉLGICA

A Bélgica entrou a todo o gás, iniciando a construção de jogo com enorme qualidade, com Witsel e Naingollan a assumir papel importante nesse capítulo.

Num desses lances, Lukaku (o mais velho) desloca-se para a esquerda do ataque, arrasta marcações, visa o segundo poste, onde aparece Carrasco, que dispara à figura de Henessey, na recarga. Hazard dispara contra um defesa galês e a bola sobra para De Bruyne, que vê o seu remate ser desviado. Uma tripla ocasião que demonstrava, plenamente, a vontade belga, cujos desígnios foram atingidos aos 13 minutos. Naingollan recebe passe de Hazard e, quando toda a gente pensava que ele iria procurar alguém com quem jogar, o “ninja” desfere pontapé fortíssimo e indefensável à baliza de Gales. 1-0, a Bélgica na frente.

Nainggolan adiantou a Bélgica no marcador Fonte: UEFA
Nainggolan adiantou a Bélgica no marcador
Fonte: UEFA

O golo deveria fazer bem ao conjunto belga, mas a equipa pareceu encostar-se demasiado a ele.  Pareceu querer dar iniciativa de jogo ao adversário, circulando a bola com menos urgência em chegar aos últimos trinta metros. Um conformismo que se transformou em… Pasmaceira! E quando esta existe, em alto nível, pode-se pagar caro. A partir daqui, e até final da primeira parte, a equipa foi sucumbindo às iniciativas do adversário até chegar o inevitável golo contrário, com a única reacção a pertencer a Ferreira Carrasco, que viu o seu cruzamento teleguiado para Lukaku sofrer uma alteração de trajectória com uma palmada de Hennessey.

Na segunda parte, a vontade voltou… Mas foi outra vez passageira e não se viu mais que um cabeceamento perigoso de Lukaku, aos 49 minutos. Willmots já tentara alterar alguma coisa, conferindo igualdade numérica na área contrária com a entrada de Fellaini e a saída de Carrasco, mas acabou por olhar para os fins sem ter em conta os meios – ganhou robustez, mas não foi capaz de a servir. Assim foi a Bélgica até final: inconsequente, atropleando-se a si mesma. Incapaz de contrariar a eliminação aos pés de um adversário teoricamente ao seu alcance.

Classificação dos jogadores:

Courtois – 6

Meunier – 6

Alderweireld – 5

Denayer – 5

J. Lukaku – 4

Naingollan – 7

Witsel – 6

De Bruyne – 5

Carrasco – 5

Hazard – 6

Lukaku – 6

Fellaini – 4

Mertens – 5

Batshuayi – Sem tempo

PAÍS DE GALES

A formação britânica pareceu intimidada com a vontade demonstrada, de início, pelos diabos vermelhos e reagiu com… Agressividade. Em meia hora, três jogadores foram amarelados, dois dos quais centrais. E Gunter, ala direito. Valeu o facto de a equipa ter conseguido sossegar as intenções contrárias com bom posicionamento estratégico e, claro, vontade própria, que resultou em situações de perigo (Bale, por duas vezes, arrancou desde o seu meio-campo até à área contrária para tentar a sua sorte e Taylor obrigou Cortouis a defesa apertada) e… No golo do empate (31 minutos). Num canto estudado (atenção, Fernando Santos!), a formação de Chris Coleman saiu premiada pela ousadia. Depois de se ter juntado a uma espécie de “fila indiana” formada por jogadores galeses, a qual se dispersou no momento em que Ramsey meteu o pé na bola, baralhando marcações, Williams encontrou a trajectória da bola, cabeceando vitoriosamente.

Robson-Kanu marcou um dos golos do País de Gales Fonte: UEFA
Robson-Kanu marcou um dos golos do País de Gales
Fonte: UEFA

Um golo que serviu de tónico e que colocou Gales por cima do jogo até ao intervalo. No regresso das cabinas, a equipa galesa voltou a demonstrar personalidade e um rigor táctico assinalável, com Joe Allen a servir de comandante das operações de um meio-campo que impôs leis em Lille. Essa performance táctica esteve na base do equilíbrio da equipa, que lhe conferia margem para atacar sem correr riscos, nem que, para tal, tivesse de recorrer a bolas longas: uma delas, aliás, esteve na génese do golo da reviravolta – Bale lança Ramsey em profundidade, o jogador do Arsenal recebe com mestria, passa para Robson-Kanu, que, num movimento pleno de intenção e instinto matador, tira três adversários do caminho e visa, com sucesso, as redes defendidas por Courtois.

2-1 a seu favor, superioridade no meio-campo, 35 minutos por disputar contra um adversário que ia sendo inoperante. O povo acreditava. A porta de acesso ao sonho das meias-finais estava entreaberta, abrindo-se à medida que o tempo passava. Escancarou-se com o golpe de cabeça de Vokes. Sublime, o avançado do Burnley fugiu da marcação para corresponder da melhor maneira a um cruzamento de Gunter, selando uma vitória sem contestação. Da voluntarismo, da raça, da crença.

Classificação dos jogadores:

Hennessey – 6

Davies –  6

Ashley Williams – 8

Chester – 7

Gunter – 7

Joe Alen – 8

Ledley – 7

Ramsey – 8

Taylor – 7

Bale – 7

Robson-Kanu – 7

King – 5

Vokes – 6

Collins – Sem tempo

 

Foto de Capa: UEFA

Pedro Machado

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