
Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google
A FIGURA

Akinfeev sempre teve condições para ser um dos grandes guarda-redes europeus – e não o será? Falta-lhe, todavia, constância exibicional para ser mais vezes recordado por entre o lote dos maiores especialistas. Contra a Inglaterra mostrou segurança, pelo ar e pelo chão, adiando, por diversas ocasiões, o golo inaugural. Protagonizou o momento individual da noite quando, aos 70 minutos, fez uma defesa “impossível” a remate de Wayne Rooney, desviando um remate rasteiro, forte e colocado para a barra da sua baliza.
Apenas Eric Dier, num livre superiormente executado, o conseguiu bater – no entanto, este empate (e precioso ponto) tem, invariavelmente, a sua marca de qualidade.
O FORA-DE-JOGO

Harry Kane actuou como principal referência atacante, desta vez, sem a companhia de Vardy e com Wayne Rooney demasiado distante. Não foi, porém, o companheiro desejado por quem tanto trabalhou – como foram os casos dos laterais Walker e Rose ou dos extremos Sterling e Lallana. À Inglaterra faltou um finalizador capaz de estar no sítio e na hora certas, com oportunidade e pontaria, capaz de materializar tanta posse de bola e tantos períodos de evidente domínio territorial.
INGLATERRA

Roy Hodgson deixou cair o 4x4x2 – o pobre teste com Portugal terá sido decisivo –, regressando ao 4x3x3, com Sterling e Lallana abertos nas alas, prontos para servir o ponta-de-lança Harry Kane. A dúvida, que assola tanto a mente de seleccionador como de adepto comum, continua a prender-se com a utilização (a forma de utilização, entenda-se!) de Wayne Rooney como pivot do jogo ofensivo colectivo, num limbo entre o meio-campo e o ataque – a “estrela” inglesa foi declaradamente “n.º 10”, pensando e executando com elevado indicie de acerto no capítulo do passe; o problema, no entanto, mantém-se: até que ponto a equipa perde poder de fogo, com Wayne Rooney tão distante da baliza adversária?
A Inglaterra tomou a iniciativa desde o primeiro minuto. Porém, o domínio do esférico e territorial só raramente se converteu em reais oportunidades junto da baliza de Akinfeev. Keyle Walker e Danny Rose, os dois laterais do Tottenham, cedo se tornaram setas (quase) impossíveis de travar, assumindo-se os principais dínamos do ataque e criando interessantes combinações com Sterling e Lallana, a que, por uma ou outra razão, faltou sempre um toque final e decisivo.
Só na 2.ª parte, concretizado o natural desgaste físico e mental, a Inglaterra conseguiu desbravar espaço por entre as apertadas e sólidas linhas defensivas russas. Aos 70 minutos, Wayne Rooney, à entrada da área, rematou rasteiro e forte, para Ankifeev confirmar, notavelmente, o estatuto de homem do jogo – naquela que, para já, será a defesa do Euro’ 2016. Seria o ensaio para o golo inglês, que chegaria apenas dois minutos depois, na sequência de um livre directo à entrada da área e em posição frontal: Eric Dier, formado nas escolas do Sporting, executou na perfeição.
Pensou-se que a vitória já não fugiria – no entanto, a equipa recuou perante uma (já) improvável reacção adversária. Roy Hodgson, com as suas substituições, enviou a mensagem errada para dentro das quatro linhas e, tal como em tantas outras ocasiões, a Inglaterra tropeçou numa grande competição – o gigante Vasili Berezutski, pelo ar, empatou aos 92 ‘.
Nota aos jogadores:
Joe Hart – 6
Kyle Walker – 7
Gary Cahill – 6
Chris Smalling -6
Danny Rose – 7
Eric Dier -7
Dele Alli – 5
Wayne Rooney – 6
Lallana – 5
Sterling – 6
Harry Kane – 5
Jack Wilshere – 4
James Milner – —
RÚSSIA

As dificuldades eram esperadas e, por isso, foram enfrentadas com boa dose de humildade e sacrifício. O adversário era superior, o que não invalida, todavia, que a Rússia tivesse uma palavra a dizer – tinha e teve; e uma vez mais, apenas quebrou perante a principal arma do opositor: os lances de bola parada.
Leonid Slutsky optou por um 4x4x2 rígido, com linhas bem definidas e apertadas, dando pouco (ou nenhum) espaço a uma equipa que, embora com domínio do esférico e boa circulação, era possível manter afastada da baliza de Akinfeev, desde que com concentração e acerto. Os laterais Smolnikov e Shchennikov foram, provavelmente, os que mais suaram numa fase inicial, perante as investidas incessantes de Walker e Rose, que, muitas vezes, obrigavam Smolov e Shatov a trabalhos defensivos redobrados, no apoio aos colegas mais recuados.
A estratégia russa passaria, certamente, pelo aproveitamento do balanceamento ofensivo inglês, através de rápidos contra-ataques, normalmente, conduzidos por Shatov. Nem sempre isso foi possível de concretizar e, durante largos períodos, Dzyuba, embora muito lutador, deambulou sozinho e perdido dos restantes companheiros.
Apenas na 2.ª parte, a Rússia surgiu mais afoita no ataque, mostrando querer mais do que, simplesmente, deixar o tempo correr. Foi curiosamente na sua melhor fase, que a equipa se viu em desvantagem, através do golo de Eric Dier. A reacção foi, no entanto, notável – perante as intenções de contenção e conservadoras de Roy Hodgson, Slutsky arriscou naquilo que podia, sendo recompensando já perto do fim, novamente na sequência de um lance de bola parada. Vasili Berezutsky saltou mais alto que todos, culminando uma exibição muito positiva (a par do seu colega de sector Sergei Ignashevich) com o golo da igualdade.
Notas aos jogadores:
Akinfeev – 7
Igor Smolnikov – 5
Sergei Ignashevich – 7
Vasili Berezutsky – 7
Roman Shchennikov – 5
Neustadter – 6
Alexander Golovin – 5
Kokorin – 6
Olega Shatov – 6
Fyodor Smolov – 5
Artyom Dzyuba – 6
Shirokov – 5
Glushakov – 5
Mamaev – 5









