Publicidade

Itália 1-1 Espanha: Obrigado, Aduriz!

Eduardo Botelho · 2 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

internacional cabeçalho

Arrependo-me sempre de ver jogos amigáveis. Já só vejo aqueles de maior cartaz, como era o caso do Itália – Espanha de hoje, reedição da final do último Europeu, mas desiludo-me sempre. Jogar a feijões não é o mesmo que jogar uma final. Hoje, no entanto, havia um atrativo extra: Aritz Aduriz.

Há meses que meia Espanha pedia a convocatória do avançado basco. Ele, que até hoje contava apenas com 15 minutos de jogo na seleção, numa partida há seis anos atrás, está agora, aos 35 anos, a fazer a melhor época da sua carreira, somando já 31 golos em 48 jogos. No entanto, Del Bosque, teimoso como todos os bons selecionadores, vinha insistindo em convocar apenas Diego Costa, Morata e Paco Alcácer. Ora, desta feita, Aduriz teve finalmente a sua oportunidade, devido a problemas físicos de Diego (pelo menos, é essa a explicação dada pelo selecionador).

Diria que toda a gente ficou satisfeita com a lesão do hispano-brasileiro. É que, por um lado, é difícil não simpatizar com a história de Aduriz, um tipo que já bem depois dos trinta anos se recusou a entrar na fase descendente da carreira e desatou a marcar golos. Por outro, é difícil simpatizar com Diego Costa. Desde logo, há sempre quem não veja os jogadores naturalizados com bons olhos. Se a isso juntarmos o seu estilo conflituoso e, o mais grave de tudo, a falta de pontaria que tem revelado ao serviço da seleção, apostaria que ninguém em Espanha ficou triste pela ausência de Diego Costa na convocatória. Talvez apenas algum adepto mais fanático do Atlético.

Aduriz exibe a camisola da seleção espanhola Fonte: UEFA Euro'2016
Aduriz exibe a camisola da seleção espanhola
Fonte: UEFA Euro’2016

Mas, se o jogo desiludiu devido à falta de intensidade e ao ritmo lento típico dos amigáveis, Aduriz não defraudou as expetativas. O adversário nem era o ideal para um avançado, que os italianos têm fama de defender bem, mas Aduriz lá estava, ao minuto 69, para fazer a recarga na pequena área e estrear-se a marcar pela seleção. Morata parte de posição irregular antes de fazer o primeiro remate e Aduriz só teve de encostar, é verdade, mas não há golo feio; feio é não marcar, como diria Dadá Maravilha. Agora fica a curiosidade de saber o que Del Bosque fará nas próximas convocatórias.

Quanto às restantes opções do selecionador espanhol, a titularidade de De Gea significa que Casillas corre sérios riscos de não ser titular no Europeu, até porque o guarda-redes do Manchester United fez mais algumas intervenções de grande qualidade, só não sendo capaz de travar o remate de Insigne, que deu o golo à Squadra Azzurra. A pálida exibição da seleção espanhola deixou também claro como é difícil substituir Busquets e Iniesta, que perderam o jogo por problemas físicos. Do outro lado, mesmo sem ter nenhuma grande estrela mundial (exceção feita a Buffon), a seleção italiana parece preparada para fazer frente a qualquer adversário no Europeu, como, de resto, é tradição.

Mas, deste jogo, o que levo é a história de Aduriz e as ilusões que a mesma cria. Hélder Postiga, por exemplo, tem 33 anos. Quem sabe se não desatará a marcar golos nas próximas duas épocas? E Ederzito? Afinal ainda tem imensas épocas pela frente para se tornar num finalizador refinado. Hugo Almeida, Carlos Saleiro, Nélson Oliveira, há esperança para todos! Obrigado, Aduriz.

Foto de Capa: UEFA Euro’2016

Eduardo Botelho

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Benfica

2 anjos e 2 diabos convertidos | Benfica

O mundo não é transparente, preto e branco ou qualquer outra singularidade imutável. Como diria Bruno Nogueira no Último a Sair, "O mundo é bué cenas". E, fazendo uso da expressão, é a evolução, a mutação e o desenvolvimento dessas cenas o motor para a passagem dos dias não ser apenas isso. A sucessão de acontecimentos do Benfica funciona desta maneira. Nos últimos anos, sucederam-se treinadores, mudanças estruturais e conjunturais e mercados de transferência que, na sua sequência, levaram a que, ao dia de hoje, Andreas Schjelerup e Gianluca Prestianni sejam os grandes dínamos do futebol encarnado. Quando foram contratados, o norueguês em janeiro de 2023, o argentino um ano depois, não era propriamente surpreendente vislumbrar na dupla criativa o futuro das águias. Os meses - mesmo anos - seguintes deixaram algumas dúvidas e hesitações sobre o assunto, quase sempre mais pertinentes pela qualidade da aposta do que pela qualidade dos intérpretes, mas 2026 tem ajudado nos esclarecimentos. Já não é só o futuro que passa pela dupla criativa. O presente também o é. 

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.