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Longa espera a da selecção do País de Gales para emergir do esquecimento competitivo em que mergulhou no já longínquo ano de 1958, quando participou, pela primeira e única vez, numa grande competição internacional, no caso, o Campeonato do Mundo disputado na Suécia – chegou aos quartos-de-final, eliminada por um golo de um menino de 17 anos chamado Pelé.
Enganchado pelos seus poderosos vizinhos ingleses, o futebol galês sempre revelou grandes dificuldades para encontrar a sua própria identidade, produzindo, pontualmente, “craques” que se destacaram na Premier League, embora manifestando incapacidade em se afirmar colectivamente – o nome de Ryan Giggs misturou-se, por mais de duas décadas, com o do próprio país. Pelo contrário, Gareth Bale, a grande figura desta selecção, beneficiou do surgimento de uma geração – talvez a melhor de sempre do País de Gales futebolístico – capaz de premiar o seu génio com um relativo grau de competitividade.
O País de Gales deve muitíssimo ao improvável seleccionador Chris Coleman, que, após um início titubeante à frente da equipa – perdeu os seus primeiros cinco jogos (batendo, assim, um recorde negativo) –, abdicou do previsível 4-3-3, passando a apostar numa táctica em 3-4-2-1, com dois laterais de características ofensivas, dois médios de cobertura e dois números “10” móveis, capazes de confundir a marcação de qualquer sector defensivo: Gareth Bale e Aaron Ramsey.
O segredo desta selecção deve-se, essencialmente, às características fiáveis do grupo, que beneficia, depois, do acréscimo de qualidade garantido por um jogador excepcional como Gareth Bale – o seu papel preponderante não pode, jamais, ser ignorado. Coleman reuniu um lote de jogadores que lhe dá garantias e não abdica dele: a prova é a convocação de Joe Ledley, médio do Crystal Palace, fundamental na campanha de apuramento, mas que, perto do final da época, sofreu uma fractura na tíbia; o técnico leva o jogador a França e confia na sua recuperação.
A grande lacuna desta selecção é a falta de alternativas de qualidade aos titulares e, mais grave, de um ponta-de-lança habituado à alta-roda do futebol europeu – onde é que já vi isto?
OS CONVOCADOS
Guarda-redes: Wayne Hennessey (Crystal Palace), Daniel Ward (Liverpool) e Owain Fôn Williams (Inverness).
Defesas: Chris Gunter (Reading), James Chester (West Bromwich), Ashley Williams (Swansea), Ben Davies (Tottenham), Neil Taylor (Swansea), James Collins (West Ham) e Jazz Richards (Fulham).
Médios: Joe Allen (Liverpool), Joe Ledley (Crystal Palace), Aaron Ramsey (Arsenal), Andy King (Leicester), David Edwards (Wolverhampton), Jonny Williams (Crystal Palace), David Vaughan (Nottingham Forest) e George Williams (Fulham).
Avançados: Gareth Bale (Real Madrid), Hal Robson-Kanu (Reading), Sam Vokes (Burnley), Simon Church (MK Dons) e David Cotterill (Birmingham).
O TREINADOR

Fonte: Uefa
Chris Coleman é um seleccionador pouco óbvio. De resto, nunca teve feitos de grande relevo pelos clubes por onde passou; bem pelo contrário, conseguiu ser demitido (ou demitir-se – como no caso da Real Sociedad) de todos os projectos em que se envolveu.
Mereceu, porém, com alguma surpresa, a confiança da federação do seu país – provavelmente, muito pelo que representou como jogador. Após um péssimo início, que chegou a suscitar dúvidas sobre esta opção, meteu mãos à obra, alterando a estratégia de forma a potenciar os seus melhores jogadores – nomeadamente Aaron Ramsey e Gareth Bale. Alterou a táctica e selou um compromisso com um grupo unido e fechado, conquistando a confiança dos seus jogadores.
A sua costela britânica não lhe permitiu fugir às polémicas em Espanha, aquando ao serviço da Real Sociedad, em 2007, ao recorrer a uma falsa desculpa depois de um atraso de 90 minutos para uma conferência de imprensa: afirmou que o atraso se devia a uma avaria na sua máquina de lavar, que lhe tinha inundado o apartamento, mas, mais tarde, vieram a público notícias sobre a sua presença num clube nocturno até altas horas da madrugada – admitiu o erro, mas não acabou a época.
O MELHOR JOGADOR

Fonte: Uefa
Afirmar que o colectivo do País de Gales gira em torno de Gareth Bale não é, de forma alguma, exagerado. Afirmar que Chris Coleman pensa e concretiza de forma a potenciar as qualidades de Bale não é, igualmente, exagerado. A exemplo de Ryan Giggs – o mítico jogador do Manchester United – também o futebol galês se confunde com o nome daquele que, actualmente, é o seu maior embaixador.
Gareth Bale dispensa apresentações – é um dos melhores jogadores do mundo (e promete muito mais!). Capaz de desempenhar vários papéis, é versátil e explosivo, actuando em qualquer posição nas zonas mais adiantadas, normalmente, descaindo para as alas. Bale utiliza como ninguém as suas capacidades físicas e técnicas, destacando-se em todos os capítulos do jogo.
Veloz e poderoso, com qualidade de passe e remate, nenhuma equipa que representa deixa de depender das suas actuações. O País de Gales – tal como o Real Madrid – não é excepção. A sua influência, mais que teórica, é, sobretudo, prática: o facto de ser autor de sete golos e duas assistências (nos 11 golos da sua selecção) na fase de qualificação comprova, na perfeição, a sua preponderância na equipa.
Gareth Bale é daqueles jogadores que podem vencer jogos sozinhos – e jamais, ao longo da sua carreira e até ao momento, deu mostras de negar ou soçobrar perante esse facto.
ATÉ ONDE PODE IR A SELECÇÃO?
A estreia do País de Gales será contra a Eslováquia – um jogo fundamental para as aspirações da equipa. Segue-se Inglaterra, a grande favorita, e, por fim, a Rússia. O objectivo passa por chegar à segunda fase; no entanto, existe plena consciência das dificuldades.
Tudo parece depender da condição física e da inspiração de Gareth Bale – todos acreditam que com Bale ao seu melhor nível é possível superar quaisquer obstáculos; o contrário, no entanto, também é verdade. É legítimo ambicionar o apuramento, mas se o adversário conseguir anular as principais individualidades da equipa é muito provável que tal objectivo não seja alcançado – a Rússia é, teoricamente, o principal opositor a mais este feito.











