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Revista do Euro’2016: França

Tomás Gomes · 5 min

Revista do Euro’2016: França

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Cabeçalho Futebol InternacionalA França é sempre uma incógnita. Poderia começar por dizer que têm um plantel muito consistente, com várias soluções de qualidade para todos os sectores, e que por jogarem em casa são favoritos. Mas os gauleses nunca são favoritos e são sempre favoritos. Se fizermos um uma cronologia dos Europeus e Mundiais deste século vemos isso. Em 2000 venceram o Euro, organizado pelos Países Baixos e Bélgica. Quem ganha um Europeu é normalmente um forte candidato, dois anos a seguir, ao Mundial. Tal não aconteceu, no Mundial de 2002, no Japão e na Coreia do Sul. Nem conseguiram passar a fase de grupos.

18 anos depois, poderá a história repetir-se? Fonte: EPA
18 anos depois, poderá a história repetir-se?
Fonte: EPA

No Euro 2004, em Portugal, alcançaram os quartos-de-final e sem que nada o fizesse prever, em 2006, no Mundial organizado pela Alemanha, chegaram à final e só tombaram nas grandes penalidades perante a histórica Itália. Tinham chegado à final e demonstrado que poderiam voltar a afirmar-se como uma grande selecção, mas no Euro 2008, na Suíça e Áustria, e no Mundial de 2010, na África do Sul, não conseguiram passar a fase grupos. No Euro 2012, na Polónia e Ucrânia, quebraram o enguiço e chegaram aos quartos-de-final, assim como no Mundial de 2014 no Brasil.

Tendo este histórico em consideração é impossível prever o que é que os pupilos de Didier Deschamps podem fazer. Têm um plantel de qualidade, um seleccionador que sabe o que é estar no relvado e vencer, mas o balneário não transpira confiança. Teve de levar uma limpeza depois do Mundial de 2010, mas ainda há resquícios de conflitos; o caso de Benzema é claramente o exemplo disso. De qualquer forma, França tem de estar no pote dos favoritos, joga no seu país com o seu povo a apoiá-lo. Um povo que depois dos atentados terroristas de 13 de novembro está mais unido do que nunca em torno de algo que pode trazer uma alegria comum. E isso inspira o futebol, uma causa comum, uma felicidade comum. Só a selecção é pode oferecer isso, sem clubismos, sem partidarismo e politiquices, é uma nação unida em torno de quem a representa.

OS CONVOCADOS

Guarda-redes – Costil (Rennes), Lloris (Tottenham) e Mandanda (Marselha);

Defesas – Digne (Roma), Evra (Juventus) , Jallet (Lyon), Koscielny (Arsenal), Mangala (Manchester City), Mathieu (Barcelona), Sagna (Manchester City) e Adil Rami (Sevilha);

Médios – Pogba (Juventus), Diarra (Marselha), Kante (Leicester), Matuidi (Paris Saint Germain), Cabaye (Crystal Palace) e Sissoko (Newcastle);

Avançados – Coman (Bayern de Munique), Gignac (Tigres), Giroud (Arsenal), Griezmann (Atlético de Madrid), Martial (Manchester United) e Payet (West Ham).

Uma das maiores ausências do torneio Fonte: ESPN
Uma das maiores ausências do torneio
Fonte: ESPN

Esta é uma convocatória que fica marcada pelas ausências de grande qualidade. Benzema, Kevin Gameiro, Rabiot, Lacazette, Fekir, Ribéry, Schneiderlin, Kondogbia, Valbuena, Kurzawa e Ben Arfa são os nomes que não vão ao Euro 2016. Todos eles jogam nas principais ligas europeias e podiam por si só formar uma convocatória.

Entre os restantes, Deschamps conseguiu combinar um plantel de jovens talentos e jogadores experientes com muito para ensinar e transmitir. Este encontro de gerações e experiências pode ser a grande mais-valia para a selecção da França.

O TREINADOR

Como jogador ganhou tudo, como treinador ainda tem um longo caminho a percorrer. A qualidade não está em causa, Didier Deschamps é um treinador inteligente e um bom comandante de homens. É um adepto do 4x3x3, mas para além de Lloris na baliza, Pogba no meio-campo e Griezmann na frente, não consigo arriscar o onze que irá utilizar durante o Europeu de futebol.
Deschamps tem apenas 47 anos, uma idade jovem para o posto que ocupa e um currículo muito curto. Em França já venceu tudo e conta ainda com uma série B, à frente da Juventus. Mas uma selecção é uma compilação de craques, dos melhores do país.

Capitão de equipa nas finais de 98 e 2000, Deschamps tem a ambição de conseguir agora conquistar o troféu como treinador Fonte: Goal.com
Capitão de equipa nas finais de 98 e 2000, Deschamps tem agora a ambição de conseguir onquistar o troféu como treinador
Fonte: Goal.com

Uma coisa é comandar o Marselha, outra é comandar uma selecção. Não sei até que ponto estará preparado para guiar a França até ao título; sobretudo uma França com um balneário envolto em polémica. Para além disso as suas convocatórias ‘out of the box’ não ajudam muito. Grandes jogadores ficaram de fora desta vez e se a anfitriã França cair cedo, o futuro de Deschamps ficará ali vaticinado. É a prova de fogo para o seleccionador francês.

OS MELHORES JOGADORES

Griezmann e Pogba. Estes são dois jovens de um enorme talento e que serão, certamente, as grandes figuras da selecção francesa durante este Europeu.
Griezmann é sinónimo de golos. É rápido, é um rato de área, é um matador… Pode jogar no centro do ataque ou a descair para as alas. A época ao serviço do Atlético de Madrid é a prova disso mesmo: 32 golos. É um desiquilibrador nato. Se for para o Euro como vencedor da Liga dos Campeões, e caso faça um bom Europeu, podemos estar aqui perante um grande candidato à Bola de Ouro.

Paul Pogba é já uma das maiores certezas do futebol mundial Fonte: Talksport
Paul Pogba é já uma das maiores certezas do futebol mundial
Fonte: Talksport

Pogba dispensa apresentações. É o menino de ouro de França e da Juventus. O meio campo é dele. Eficaz no corte, rápido e criativo no passe. Tem uma visão de jogo pormenorizada e um pulmão que faz jus à sua idade. Será a grande base desta selecção gaulesa.

O JOGADOR A SEGUIR

Kingsley Coman jovem extremo da Juventus, emprestado ao Bayern de Munique. É o jogador com mais assistências da Liga dos Campeões e contabiliza 6 golos e 2477 minutos, distribuídos por 37 jogos. Tem apenas 19 anos e já mexe com o Bayern de Munique. Porquê esperar menos dele na selecção?

Coman em acção frente aos Camarões Fonte: AP
Coman em acção frente aos Camarões
Fonte: Associated Press

É rápido e tem um cruzamento ‘telecomandado’. Com as suas passadas largas e fintas percorre toda a ala até à bandeirola de canto para servir o ponta-de-lança. O sonho de qualquer avançado. Giroud e Gignac são fortes de cabeça e a titularidade de Coman pode fazer com que Griezmann jogue na ala podendo fazer o movimento da linha para o interior da área provocando vários momentos de desequilibrio.

ATÉ ONDE PODE IR A SELEÇÃO

É imprevisível. Pelo histórico que apresentei no início desta Revista é impossível de prever a prestação de França neste Europeu. Pelos jogadores que ficaram de fora, acho que Deschamps poderia ter um sector defensivo muito mais forte, assim como o sector ofensivo.

Uma seleção com tamanho potencial poderá sonhar com a conquista do torneio "caseiro" Fonte: Mirror.co.uk
Uma seleção com tamanho potencial poderá sonhar com a conquista do torneio “caseiro”
Fonte: Mirror.co.uk

Joga em casa e por isso é uma das favoritas. Se tudo lhes correr a favor diria que as meias-finais será o mínimo que qualquer francês espera dos representantes do seu país.

Foto de Capa: Le Figaro

Tomás Gomes

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