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Revista do Euro’2016: Inglaterra

Pedro Machado · 4 min

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Cabeçalho Futebol Internacional

As esperanças inglesas para este Europeu estão renovadas, tal como está renovado o balneário da equipa, depois das saídas de jogadores como Lampard ou Gerrard, eternos capitães. O núcleo mudou, mas a equipa não se ressentiu, e a ilustrá-lo está uma fase de qualificação irrepreensível para o Euro 2016, na qual venceu os dez jogos que disputou, marcando 31 golos e sofrendo apenas 3, mesmo com um adversário como a Suiça e deslocações complicadas como as que fez à Eslovénia, Estónia e Lituânia.

Depois desta fase de qualificação perfeita, defrontou só equipas de topo em jogos amigáveis. Perdeu com a Espanha e a Holanda, mas derrotou França e Alemanha.

Fase de qualificação praticamente irrepreensível e jogos amigáveis onde a equipa demonstrou competitividade. Factores que servem de base para o optimismo generalizado que se vive em Inglaterra quanto àquilo que pode fazer a sua selecção, na esperança de evitar o autêntico carrasco desta equipa nos últimos europeus – desde 1996, inclusivé, ano em que foi anfitriã do Europeu, só por uma vez não saiu da competição sem ser por “grandes penalidades” (aconteceu em 2000, e foi eliminada na fase de grupos).

A Inglaterra nunca ergeu o trófeu Henri Delaunay – a única selecção que conquistou um Mundial sem vencer a maior prova do seu continente.

OS CONVOCADOS

Guarda-redes: Fraser Forster (Southampton), Joe Hart (Manchester City) e Tom Heaton (Burnley).

Defesas: Ryan Bertrand (Southampton), Gary Cahill (Chelsea), Nathaniel Clyne (Liverpool), Danny Rose (Tottenham), Chris Smalling (Manchester United), John Stones (Everton) e Kyle Walker (Tottenham).

Médios: Dele Alli (Tottenham), Ross Barkley (Everton), Eric Dier (Tottenham), Jordan Henderson (Liverpool), Adam Lallana (Liverpool), James Milner (Liverpool), Raheem Sterling (Manchester City) e Jack Wilshere (Arsenal).

Avançados: Harry Kane (Tottenham Hotspur), Marcus Rashford (Manchester United), Wayne Rooney (Manchester United, capt), Daniel Sturridge (Liverpool) e Jamie Vardy (Leicester City).

O TREINADOR

Poderá Roy Hodgson levar a Inglaterra ao sucesso?  Fonte: Mirror
Poderá Roy Hodgson levar a Inglaterra ao sucesso?
Fonte: Mirror

Roy Hodgson. 68 anos, 30 como treinador de futebol. Sabe muito sobre o “beautiful game”, e a Selecção nacional do seu país é já a quarta que orienta depois de dirigir a Suiça (1992-1995) Emirados Arabes Unidos (2002-2004) e a Finlândia (2006-2007). Está no cargo há quatro anos, pegando na equipa no meio da turbulência do Euro 2012. Apurou os Três Leões para o Mundial 2014, no Brasil, onde, porém, não passou da fase de grupos.

Confere uma dinâmica interessante à equipa, embora pareça, muitas vezes, carecida de mobilidade. Tem, normalmente, como ponto de partida, o 4x2x3x1, ainda pouco definido quanto aos seus represenantes, mas onde costuma estar sempre presente James Milner, importantíssimo no processo de desconstrução/construção, “dobrando” muitas vezes a linha de médios ofensivos (importantíssimos no processo defensivo do sistema de Hodgson, assinale-se) e, amiúde, os laterais. Na frente, Rooney é importante apoio ao ataque, onde Vardy e Kane disputam um lugar, podendo mesmo coexistir sobre o olhar atento de Daniel Sturridge. Nas alas, Sterling será importante a criar desequilíbrios.

O MELHOR JOGADOR

Rooney continua a ser a grande figura da Inglaterra
Rooney continua a ser a grande figura da Inglaterra
Fonte: England Football Team

Já parece cliché eleger Rooney como a figura da selecção inglesa… mas a verdade é que o capitão não desarma e mantem a sua qualidade com o passar dos anos, permanecendo como o principal protagonista da sua selecção.

No caso do França 2016, para além da importância que terá no balneário, por ser o jogador mais experiente nestas andanças, tem ainda a oferecer a versatilidade que adquiriu com o decorrer dos anos, passando a actuar cada vez mais recuado no terreno, podendo perfeitamente jogar como médio de transição caso não haja uma solução de raíz, como organizador de jogo, no centro do “3” de um 4x2x3x1 ou como complemento de uma referência ofensiva única.

A isto tudo, alia o que já todos conhecem dele – grande disponibilidade física para o jogo, a que alia boa capacidade técnica e faro de golo.

O JOGADOR A SEGUIR

Ross Barkley vai se mostrar neste Euro Fonte: FA
Ross Barkley vai se mostrar neste Euro
Fonte: FA

Aos 22 anos, Ross Barkley, jogador do Everton, prepara-se para deixar o estatuto de promessa do futebol inglês, para se tornar numa confirmação, depois de uma época fantástica ao serviço do Everton, onde assinou oito assistências para golo e marcou oito golos.

É um jogador rápido, excelente a partir de uma ala para o meio, embora tenha sempre o centro como ponto de partida. Porém, a forma como permuta com os alas permite-lhe fazer essas diagonais que baralham marcações e permitem situações de golo à sua equipa. Kane, Vardy, Sturridge e companhia agradecem ter um jogador como Barkley na equipa.

Acresce, ainda, a versatilidade e a inteligência táctica do miúdo, que, em último recurso, pode jogar mais recuado no terreno.

ATÉ ONDE PODE IR A SELEÇÃO

A qualificação e os jogos particulares disputados não são algo que se deva menosprezar. A selecão inglesa parece ter recuperado, definitivamente, a cultura de vitória algures perdida entre a década de 60 do século passado.

Com uma mistura entre juventude e experiência, aliada à conjugação da irreverência da técnica com a inteligência táctica, esta equipa pode, perfeitamente chegar longe neste Europeu. Já não é o parente pobre das selecções mais poderosas.

Na fase de grupos, encontrará a Rússia, o País de Gales e a Eslováquia, sendo, obviamente, considerada favorita a vencer o seu grupo. Nesse caso, defrontará um dos terceiros classificados do grupo A, C ou D, qualquer um deles, previsivelmente, acessível. Depois, entra a sorte do sorteio e o teste à real capacidade dos ingleses para se baterem de frente contra equipas como Alemanha, Espanha ou França. Aí se verá a capacidade desta equipa. Algo que, a analisar, pelos particulares, dá legítimas esperanças à nação europeia onde primeiro se viu o “beautiful game”.

Pedro Machado

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