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Revista do Euro’2016: Roménia

Pedro Machado · 4 min

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Cabeçalho Futebol Internacional

A história da selecção romena não pode ser desprezada, afinal foi uma das quatro equipas europeias a participar no primeiro Mundial da história (em 1930) e é uma das selecções que mais participa em europeus, conforme prova o facto de não ter falhado mais que dois europeus seguidos (o de 1988 e o de 1992) desde a sua primeira participação, em 1984.

O melhor que os Tricolorii conseguiram em Euros foi precisamente a qualificação para os quartos-de-final, em 2000, num campeonato onde estiveram integrados no grupo de Portugal, deixando para trás selecções como a Alemanha e a Inglaterra. Uma campanha que pôs termo à glória da melhor geração que a Roménia conheceu, e que inclui, nas suas fileiras o portentoso central Popescu, o mágico Hagi,o incansável Munteanu ou o goleador Adrian Illie.

Depois disso, a Roménia entrou numa espécie de depressão em termos futebolísticos, falhando o Mundial 2002, o Euro 2004 e o Mundial 2006, regressando aos grandes palcos em 2008, para o Euro da Austria, onde teve uma participação modesta, ainda que ocupasse o grupo da morte, composto por França, Itália (finalistas do Mundial 2006) e Holanda. Porém, não mais logrou apurar-se para uma grande competição, pelo que a “fome de bola” da porção futebolística dos cerca de 20 milhões de romenos para o França 2016 é grande.

A expectativa numa boa participação, também. É que, apesar de ainda que dividirem o grupo de qualificação com equipas relativamente acessíveis como a Grécia (em super sub-rendimento), Irlanda do Norte, Ilhas Faroé, Finlandia e Hungria, os romenos conseguiram uma qualificação sem derrotas e com apenas dois golos sofridos.

OS CONVOCADOS

Guarda-redes: Ciprian Tatarusanu, Costel Pantilimon e Silviu Lung;

Defesas: Cristian Sapunaru, Alexandru Matel, Vlad Chiriches, Valerica Gaman, Dragos Grigore, Cosmin Moti, Razvan Rat e Steliano Filip;

Médios: Mihai Pintilii, Ovidiu Hoban, Andrei Prepelita, Adrian Popa, Gabriel Torje, Alexandru Chipciu, Nicolae Stanciu e Lucian Sanmartean;

Avançados: Claudiu Keseru, Bogdan Stancu, Florin Andone e Denis Alibec.

O TREINADOR

Anghel Iordanescu é o responsável pelo destino da Roménia Fonte: UEFA
Anghel Iordanescu é o responsável pelo destino da Roménia
Fonte: UEFA

Anghel Iordanescu é um treinador com conhecimento da casa, depois de passar cinco anos no cargo de seleccionador (entre Setembro de 1993 e Junho de 1998). Agarrou o cargo em Outubro de 2014, depois de sair de um enorme período de actividade (8 anos).

A nível de clubes, conquistou quatro ligas e três taças romenas ao serviço do Steaua e ainda uma Supertaça Europeia, depois de ter conquistado a Liga dos Campeões… como jogador. Destaque, ainda, para a vitória na Liga dos Campeões asiática, primeiro com o Al Hilal (2000) e, depois, com o Al Itthiad)

É um treinador que dá muita atenção à organização defensiva, dotando o meio-campo de muitos jogadores, nunca prescindindo do duplo-pivô (Hoban é claramente o “menino do treinador” nesse aspecto), que normalmente garante o equilíbrio da equipa, quando esta se expõe mais.

O MELHOR JOGADOR

Tatarusanu pode fazer a diferença na baliza da Roménia Fonte: Federação Romena de Futebol
Tatarusanu pode fazer a diferença na baliza da Roménia
Fonte: Federação Romena de Futebol

Tatarusanu, guarda-redes da Fiorentina, foi seguríssimo sempre que solicitado ao serviço da sua selecção, encostando Pantilimon. A prova está no facto de apenas ter sofrido dois golos ao longo da qualificação, brilhando com grandes defesas.

Encontra-se num excelente momento de forma e a prova está no facto de ter recebido o prémio de melhor jogador romeno do ano, relativo a 2015. Desde 1986 que um guarda-redes não recebia esse galardão.

O JOGADOR A SEGUIR

Stanciu pode brilhar neste Europeu Fonte: Federação Romena de Futebol
Stanciu pode brilhar neste Europeu
Fonte: Federação Romena de Futebol

Há poucos jogadores como Stanciu no futebol actual. Os tempos não estão para “playmakers“, e é por isso que se torna cada vez mais extraordinário ver esta espécie em vias de extinção.

Stanciu recebe, olha e dá com a classe do génios e a destreza dos predestinados, revelando-se, aos 23 anos, como uma das certezas do futebol romeno. A isto junta um faro de golo cada vez mais apurado (12 no campeonato romeno, em 28 jogos, e 4 pela selecção…em 5 partidas). Depois de uma excelente época ao serviço do Steaua de Bucareste, que lhe valeu a chamada à selecção, tem agora todas as condições para se afirmar perante a plateia do futebol europeu.

ATÉ ONDE PODE IR A SELEÇÃO

O grupo que calhou em sorte à Roménia não é propriamente fácil tendo em vista as suas limitações ofensivas. A França joga em casa (e a Roménia é o primeiro adversário) e a Suíça tem bom poderio ofensivo pelo que perante um golo sofrido, a formação tricolor pode não saber reagir nos jogos contra estas formações, pelo que isso poderá ser fatal.

Sobra a Albânia, com quem, previsivelmente, deverá disputar o terceiro lugar, porém, os albaneses são uma equipa semelhante à Roménia na dinâmica de jogo, praticando um futebol algo lento, mas bem organizado, pelo que também serão de esperar dificuldades contra os adversários de Portugal na fase de qualificação.

Assim, mesmo tendo em conta que os quatro melhores terceiro-classificados (em seis) se apuram para os oitavos-de-final, acho pouco provável, que a Roménia esteja entre eles.

Foto de capa: UEFA

Pedro Machado

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