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Após uma presença muito pouco dignificante no Mundial de Futebol do Brasil em 2014 (os comandados de Fabio Capello terminaram o torneio no 24.º lugar) a selecção russa prepara agora o assalto ao Campeonato Europeu de Futebol, que terá lugar em França a partir do próximo dia 10 de Junho.
Uma fase de apuramento altamente atribulada marcou o final da jornada do técnico italiano ao leme do couraçado russo e precipitou, de certa forma, a chegada de Leonid Slutsky ao comando da Sbornaya em Agosto de 2015. O técnico russo de 45 anos, que divide os seus afazeres na selecção nacional com a função de treinador do CSKA Moscovo, herdou uma equipa sem ideias e sem ritmo, mas ainda foi a tempo de garantir um lugar na fase final do Europeu de Futebol, garantindo o segundo lugar do Grupo G atrás de um conjunto austríaco altamente inspirado que passeou a sua qualidade durante toda a fase de qualificação.
O registo da formação russa em fases finais de europeus de futebol não é particularmente brilhante, com a excepção da fantástica prestação de 2008, onde Andrey Arshavin e companhia fizeram as delícias dos apaixonados por futebol do velho continente, conseguindo alcançar o 3.º lugar. Uma vez que é impossível fazer-se uma dissociação total da era soviética, o melhor registo do futebol russo provém precisamente do período em que competia em conjunto com as restantes repúblicas sob o nome de União Soviética e em que registou um 1.º lugar em 1960, precisamente em França, três segundos lugares em 1964, 1972 e 1988, respectivamente, e um 4.º lugar em 1968, num torneio que teve lugar em Itália.
OS CONVOCADOS

Fonte: www.rfs.ru
Lista de Convocados (23 jogadores)
Guarda-Redes: Igor Akinfeev (CSKA Moscovo), Guilherme (FC Lokomotiv Moscovo) e Yuri Lodygin (FC Zenit).
Defesas: Alexei Berezutsky (CSKA Moscovo), Vasily Berezutsky (CSKA Moscovo),
Sergei Ignashevich (CSKA Moscovo), Dmitry Kombarov (FC Spartak Moscovo), Roman
Neustädter (Schalke 04), Georgy Shchennikov (CSKA Moscovo), Roman Shishkin
(FC Lokomotiv Moscovo) e Igor Smolnikov (FC Zenit).
Médios: Igor Denisov (FC Dynamo Moscovo), Alan Dzagoev (CSKA Moscovo), Denis
Glushakov (FC Spartak Moscovo), Alexander Golovin (CSKA Moscovo), Oleg Ivanov
(FC Terek Grozny), Pavel Mamaev (FC Krasnodar), Alexander Samedov (FC Lokomotiv
Moscovo), Oleg Shatov (FC Zenit) e Roman Shirokov (CSKA Moscovo).
Avançados: Artyom Dzyuba (FC Zenit), Alexander Kokorin (FC Zenit) e Fyodor Smolov (FC Krasnodar).
Leonid Slutsky é um técnico altamente conservador e pouco dado a novidades, mas em vésperas de um torneio bastante importante como o Euro 2016, o treinador natural de Volvogrado conseguiu, no entanto, causar alguma surpresa ao incluir Roman Neustädter, Guilherme e Roman Shishkin no grupo dos 23 eleitos para a fase final da competição.
O versátil médio defensivo do Schalke 04 será porventura a maior surpresa deste lote de jogadores, uma vez que Neustädter nunca participou em qualquer jogo pela selecção russa. Filho de um ex-futebolista cazaque, Neustädter nasceu em Dnipropetrovsk (Ucrânia) em 1988 ainda durante o período soviético e chega agora à selecção depois de já ter sido internacional A e internacional jovem pela Alemanha uma mão cheia de vezes. A chamada do jogador do Schalke 04 poderá, contudo, parecer ser algo desproposita, já que ficaram de fora da convocatória jogadores de enorme qualidade, também eles internacionais pela Rússia noutras ocasiões, como são os casos do defesa central do FC Terek Grozny Andrey Semenov, do talentoso médio do FC Rubin Kazan Magomed Ozdoev e do poderoso médio do FC Krasnodar Yuri Gazinskiy.

Fonte: www.rfs.ru
No que toca a Guilherme, o guardião brasileiro do FC Lokomotiv Moscovo, a surpresa não foi tão grande, uma vez que o número 1 dos Zheleznodorozhniki (Ferroviários) já havia actuado uma vez pela selecção russa no passado mês de Março frente à Lituânia.
Já no que respeita a Roman Shishkin, também ele atleta do FC Lokomotiv Moscovo, a sua chamada causa alguma apreensão, uma vez que recuperou de uma grave lesão recentemente e poderá facilmente ter uma recaída.
As lesões condicionaram, na verdade, as escolhas de Slutsky, uma vez que afastaram da Sbornaya jogadores como Yuri Zhirkov do FC Zenit, Denis Cheryshev, atleta do Real Madrid que representou o Valencia CF na segunda parte da temporada, e mais recentemente o arquitecto da construção de jogo da formação russa, Alan Dzagoev, que sofreu uma lesão de última hora na partida em Kazan do passado fim-de-semana.
Apesar de todas estas lesões, algumas das escolhas de Leonid Slutsky não deixam de ser controversas e o facto de não ter incluído nos 23 um único atleta do FC Rostov, que terminou a Liga Russa no 2ºlugar atrás do CSKA Moscovo, não pode, nem deve passar em claro. O homem escolhido para a vaga deixada por Alan Dzagoev causou, também ele, uma onda de indignação entre os adeptos russos, que não vêm em Dmitri Torbinskiy qualidade suficiente para continuar a representar a Rússia ao mais alto nível nesta fase descendente da sua carreira.
Quanto aos restantes elementos, apenas há a realçar a presença do experiente Roman Shirokov do CSKA Moscovo, uma vez que na passada semana corriam rumores nos meios de comunicação russos que o deixavam fora dos eleitos de Leonid Slutsky para o Euro 2016.
O TREINADOR
Leonid Slutsky não é, e porventura nunca será, um nome consensual para liderar os destinos da formação russa. A saída prematura de Fabio Capello deixou a Sbornaya à deriva e de imediato surgiram vários nomes sobre a mesa para suceder ao técnico italiano, mas, no fim de contas, a RFU (Federação de Futebol Russa) decidiu-se por entregar o comando da equipa ao treinador do CSKA Moscovo, que teria como responsabilidade imediata qualificar a formação russa para o Euro’2016. Apesar das vozes discordantes, que entendiam que o próximo técnico da Sbornaya não deveria trabalhar em simultâneo com nenhum clube, a RFU levou as suas ideias avante e até ao momento o saldo é positivo.
No que respeita ao futebol propriamente dito, Slutsky é um treinador fiel aos seus princípios de jogo e raramente altera a forma de as suas equipas jogarem. O seu 4-2-3-1, com um médio defensivo poderoso e um armador de jogo em frente ao quarteto defensivo, são já uma imagem de marca e a Sbornaya não escapa ao modelo de jogo que Slutsky implementou no CSKA Moscovo após a sua chegada em 2009. O contrato do técnico de 45 anos com a RFU termina no final do campeonato europeu e desconhece-se ainda se o mesmo será renovado após o torneio.

Fonte: www.rfs.ru
OS MELHORES JOGADORES
Igor Akinfeev – Muito daquilo que a Rússia pode alcançar neste campeonato europeu passa pelas mãos do experiente guarda-redes do CSKA Moscovo Igor Akinfeev. Aos 30 anos de idade, o guardião natural de Vidnoye no Oblast de Moscovo, vai a caminho dos 100 jogos pela Sbornaya e conseguiu uma época de muito bom nível ao serviço dos Armeitsy. No encontro do passado Sábado em Kazan, Akinfeev “deu” na verdadeira acepção da palavra, a vitória no campeonato ao CSKA Moscovo, com duas defesas verdadeiramente estupendas a cinco minutos do final da partida. Akinfeev tem estado no melhor e no pior da selecção russa, mas ao fim de todos estes anos como número 1 indiscutível da Sbornaya, o guarda-redes do gigante moscovita continua a ser um elemento de elevada importância na manobra da sua equipa.
Oleg Shatov – O extremo de 25 anos do FC Zenit é um jogador de extrema importância na actual selecção russa. Dotado de uma capacidade de drible assinalável e de uma técnica claramente acima da média, Shatov é extremamente competente no que toca à marcação de golos (apontou oito esta temporada ao serviço do emblema de São Petersburgo), mas é, acima de tudo, um verdadeiro municiador, tendo, por exemplo, contribuído com 14 assistências para golo este ano.
O JOGADOR A SEGUIR
Fyodor Smolov – O avançado do FC Krasnodar foi o melhor marcador da Liga Russa esta temporada, apontando nada mais, nada menos, que 20 golos nos 29 encontros em que participou e, caso lhe seja dada oportunidade, será um jogador a seguir com muita atenção no campeonato europeu de futebol que terá lugar no próximo mês. Smolov é um avançado versátil que se movimenta bastante bem dentro e fora da área e que esta época se reencontrou com os golos, após na temporada passada ter já dado mostras de que queria regressar aos grandes momentos que fizeram dele um dos mais promissores atletas do futebol russo há relativamente oito anos.
ATÉ ONDE PODE IR A SELEÇÃO?
A formação russa foi e sempre será uma incógnita, algo que dificulta habitualmente uma antevisão eficaz daquilo que poderá ou não fazer. Num grupo com Inglaterra, País de Gales e Eslováquia será de todo expectável que a Sbornaya mostre argumentos para garantir um lugar que lhe permita chegar à próxima fase do torneio, mas a experiência diz-nos que, mesmo quando composta por excelentes jogadores como aquando do Euro’96, a Rússia tende a falhar nos momentos decisivos.
Foto de Capa: Fonte: www.rfs.ru
Artigo revisto por: Manuela Baptista Coelho












