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A FIGURA

Aaron Ramsey – Se há exibição para mais tarde recordar deste Europeu para Ramsey, será o jogo de hoje. Aaron Ramsey foi um verdadeiro monstro neste meio campo da equipa britânica, foi o verdadeiro elo de ligação entre a defesa e o ataque, apoiou quer as alas, quer Bale durante todo o jogo, apareceu com grande qualidade no último terço do campo e foi o cérebro deste País de Gales.
Marcando um golo e fazendo uma assistência, foram inúmeras as jogadas em que Ramsey interveio, as bolas que recuperou e as vezes em que foi um suporte para Bale e Joe Allen neste jogo. Uma exibição de encher o olho.
O FORA-DE-JOGO

Leonid Slutsky – Se não há dúvidas de que Ramsey foi a figura, muito menos dúvidas há quanto ao fora-de-jogo desta partida. Pois, claro está, Leonid Slutsky. Depois de boas prestações no CSKA e de um apuramento sem grandes dificuldades, este experiente treinador desiludiu, e de que maneira, neste Europeu.
É certo que a equipa ficou descompensada com a saída de Fabio Capello. Porém, embora apresentando um estilo de jogo de certa forma próprio, a equipa Russa não fez mais que um empate nos últimos minutos desta competição que decorre em França, e o seu futebol, embora com alguma identidade, é primário a defender e sem conclusões eficazes perante os processos ofensivos simples que tenta implementar.
Coleman foi bastante superior a Slutsky num jogo que devia ter sido encarado de outra maneira pela turma russa.
PAÍS DE GALES

Marcando presença nos oitavos o País de Gales apresentou um meio-campo sólido e experiente com Ramsey, Joe Allen e Ledley. Taylor é um jogador que aparece bastante bem no apoio aos interiores e permite uma maior profundidade no ataque dos britânicos, que têm um estilo de jogo bem pausado, sempre com boas possibilidades de passe pelo corredor central, estilo esse que, com a criatividade e poder de explosão de Bale, se assemelha muito ao estilo de jogo a que pudemos assistir no jogo de Portugal da era Paulo Bento.
No jogo de hoje, contra uma seleção em desespero, o País de Gales foi superior em todos os momentos do jogo e, se a saída de bola desde a linha defensiva foi exemplar, a ocupação de espaço no meio campo ofensivo do País de Gales foi genial. Com uma rotatividade posicional (Ramsey, Bale e Allen raramente foram vistos mais que uma vez na mesma posição), chegaram rapidamente ao golo aos 11’ do primeiro tempo por intermédio de Ramsey num passe incrível de Joe Allen.
Com o País de Gales a merecer a vantagem, uma jogada comum de Bale em que flete bem para o meio, rompendo a defesa adversária, consegue encontrar Taylor, através de um desarme defeituoso da defesa russa, isolando-o, e com isto aumenta o marcador. Já na segunda parte, depois de várias jogadas de ataque protagonizadas por Bale e Ramsey, a equipa de Gales chega aos três aos 67’, por Bale, fechando o jogo numa das melhores exibições deste Europeu.
Classificação dos jogadores:
Hennessey – 6
Williams – 6
Chester – 6
Davies – 7
Gunter – 7
Taylor – 8
Ledley – 7
Joe Allen – 8
Ramsey – 9
Bale – 9
Vokes – 7
Edwards – 6
Church – 5
King – 6
RÚSSIA

Com constantes equipas sólidas, a Rússia é sempre uma seleção que gera boas expetativas para o público em geral, dado o forte físico e os jogadores experientes que apresenta, mas, se já costuma desiludir um bocado, neste Europeu foi a maior das desilusões. Num grupo em que se apontava como favorito ao segundo posto, depois do futebol que apresentou esta Rússia é uma das seleções que não devia ter sido apurada para este Europeu.
No jogo de hoje, apresentando o seu 4-2-3-1 a que nos tem habituado, as transições defensivas são efetuadas a passo de caracol e, embora a forte estatura dos seus defesas seja evidente, a forma como os adversários aparecem na grande área da Rússia é, muitas vezes, infantil: o espaço entre o primeiro médio e a linha defensiva é constantemente grande e, dado o número de jogadores que o País de Gales apresenta nos seus ataques, nem todos os jogadores ofensivos da Rússia baixam como deviam e a equipa encontra-se descompensada em todos os contra-ataques.
Na frente de ataque, poucas vezes conseguiu chegar ao último terço. Apesar de se encontrar abandonado numa “ilha”, dada a falta de apoio dos restantes companheiros, Dzyuba e Kokorin ainda conseguiram ameaçar três vezes, mas sem grande perigo.
Em suma, foi uma prestação para esquecer neste Europeu, em que acaba em 4.º classificado.
Classificação dos jogadores:
Akinfeev – 6
Berezutski – 4
Ignashevich – 6
Smolnikov – 5
Kombarov – 5
Glushakov – 4
Mamaev – 6
Shirokov – 4
Smolov – 5
Kokorin – 6
Dzyuba – 6
Samedov – 5
Golovin – 5
Berezutski – 6
Foto de Capa: UEFA
Artigo revisto por: Manuela Baptista Coelho














