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Argentina 1-0 Irão: A vitória da individualidade

André Conde · 3 min

Argentina 1-0 Irão: A vitória da individualidade

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O RESCALDO

Uma equipa que quer conquistar o Mundial, outra que quer aproveitar este Mundial. Argentina e Irão encontraram-se na segunda jornada. Carlos Queiroz tinha afirmado que este era o jogo mais importante e mais esperado na história do Irão.

À partida, este parecia um jogo desequilibrado. O Irão tinha mostrado algumas deficiências no ataque quando jogou com a Nigéria, e a Argentina, mesmo não apresentando um bom futebol frente à Bósnia, tem sempre individualidades que resolvem o jogo. Mas se há algo que este Mundial tem ensinado é que os favoritos nem sempre vencem.

O Irão apresentou-se como tinha de se apresentar. A defender, com linhas baixas, oito jogadores na área. É o ponto forte deste Irão, a solidez defensiva que já tinha ficado patente no jogo com a Nigéria. A Argentina tinha o controlo do jogo mas encontrava dificuldades em ultrapassar a defensiva iraniana. O Irão aproveitava as bolas paradas para chegar à área argentina mas sem grande perigo. Ainda assim, o conjunto treinado por Carlos Queiroz acabou a primeira parte a criar perigo após um cabeceamento de Hosseini. O empate ao intervalo era um resultado justo. A Argentina esbarrava na muralha iraniana. Sem ideias, sem as suas individualidades a resolverem o jogo, a Argentina teria de fazer muito mais na segunda parte. Mérito para o Irão, que fechou o caminho a Messi e companhia. Jogou como tinha de jogar, a defender, mas continuava a pecar no ataque.

A segunda parte teve três grandes oportunidades de golo. E desengane-se o leitor se pensa que foram da Argentina. Dos oito homens a defender, o Irão cresceu. Motivados pelo empate, colocaram a postura defensiva de lado e começaram a acreditar em algo mais. Mais livres, mais perigosos, os iranianos usaram o contra-ataque para assustar a Argentina. Três grandes oportunidades que esbarraram em Romero. O guarda-redes argentino foi gigante, impedindo aquilo que seria um choque enorme no Mundo do futebol. A Argentina era uma sombra do que pode fazer. Os argentinos nunca se encontraram em campo e agora viam o Irão a assustar.

Aos 55 minutos aconteceu o caso da partida. Zabaleta tentou cortar a bola e acertou em Dejagah, dentro da área, mas o árbitro nada assinalou. Mais um penálti não assinalado e, curiosamente, são sempre para o lado dos mais fracos. Se tivesse sido na outra área, teríamos ouvido o apito do árbitro. Com o tempo a passar, a Argentina pressionou mais, mas a solidez defensiva do Irão continuava forte. Mesmo cansados, os jogadores faziam tudo para impedir que a Argentina marcasse. E quando não era a defensiva iraniana, era o guarda-redes. Haghighi, que joga no Sporting da Covilhã, mostrava-se intransponível e segurava o empate. Parecia que teríamos mais uma surpresa neste Mundial. Mas enquanto o Irão vale pelo seu todo e não tem nenhuma individualidade, a Argentina tem várias estrelas, entre as quais Messi. E quem tem Messi arrisca-se a ganhar jogos, mesmo não fazendo grandes exibições. E foi isso que aconteceu. Mesmo estando desaparecido durante grande parte do jogo, Messi pegou na bola, já nos descontos, e de longe acabou com as esperanças de Carlos Queiroz em conseguir o empate, levando os argentinos para os oitavos.

Messi resolve Fonte: Facebook da FIFA
Messi resolve
Fonte: Facebook da FIFA

Um balde de água fria para o Irão e um sabor a injustiça. Os iranianos fecharam os caminhos, anularam a Argentina durante vários momentos e até tiveram as oportunidades mais perigosas do jogo. Ficou também um penálti por assinalar, que mudaria a história do jogo. O Irão pode não ter estrelas, mas tem um conjunto que luta até ao fim. Mas a Argentina tem Messi. E quem tem Messi…

A Figura:

Solidariedade iraniana – Onde estava um argentino, estavam dois ou três iranianos. Quando um falhava, outro ia corrigir. A imagem dos jogadores a abraçarem-se depois de cada corte realizado mostra bem como é esta selecção iraniana. Solidária, raçuda e com um espírito de grupo enorme. Queiroz afirmou que a estrela da equipa iraniana era a sua solidariedade e tem razão.

O Fora-de-Jogo:

Alejandro Sabella – Depois de ter falhado a abordagem no jogo da Bósnia com uma táctica estranha, hoje voltou a falhar. Demorou imenso a ler o jogo, demorou a fazer substituições e não arriscou quando tinha de arriscar. Hoje limitou-se a esperar que as individualidades resolvessem e isso aconteceu, mas quando elas não resolverem como será?

André Conde

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