Bélgica 2-1 Argélia: “Portugueses” lutaram mas não travaram belgas

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O RESCALDO

A Bélgica apresentou um esquema em 4-2-3-1, ao passo que a Argélia optou por um 4-3-3 bastante fechado. A equipa com mais jogadores a actuar em Portugal tirando a selecção portuguesa e em igualdade com a Argentina – Halliche, da Académica, foi titular, Slimani (Sporting) e Ghilas (FC Porto) entraram a meio do jogo e Soudani, ex-Vit. Guimarães, também jogou de início – privilegiou sempre a organização defensiva e as cautelas tácticas, ao passo que os belgas tiveram desde cedo sérias dificuldades em agarrar as rédeas do jogo e em assumir na prática o favoritismo que lhes era atribuído no papel.

A primeira parte conta-se em poucas palavras: a Bélgica mostrou-se sempre apática e pouco intensa, com Dembelé e Witsel muito presos no centro do terreno e Hazard completamente apagado. O facto de os seus laterais serem na verdade centrais adaptados (Alderweireld à direita, Vertonghen à esquerda) também prejudicou a equipa, conferindo-lhe muito pouca profundidade. A tarefa dos belgas ficou ainda mais complicada quando, aos 23 minutos, a Argélia se soltou no ataque e, após um cruzamento do lateral-esquerdo Ghoulam, Vertonghen derrubou Feghouli na área. Penálti nítido, convertido pelo jogador que sofreu a falta. Até ao intervalo, a Bélgica tentou aumentar o ritmo, mas sem criar grandes oportunidades. Perante uma Argélia a defender em bloco atrás da linha da bola, as únicas ocasiões de perigo foram um remate de Witsel de fora da área e uma tentativa de Chadli, que concluiu sem sucesso a primeira jogada criada por Hazard.

No segundo tempo, perante a apatia geral da equipa europeia, percebeu-se a entrada imediata de Mertens – um jogador rápido que substituiu o inconsequente Chadli. O extremo tentou sacudir o jogo, ora arrancando em velocidade ora através da cobrança de bolas paradas. A Argélia continuava retraída mas sempre bem posicionada, e reagiu à tentativa de domínio belga com um cabeceamento perigoso de Medjani também na sequência de um canto. A Bélgica voltou a ter a iniciativa de jogo, mas sempre de forma lentíssima.

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A entrada de Fellaini (aqui com o jovem avançado Divock Origi, que também saiu do banco) acabou por revolucionar o jogo
Fonte: fifa.com

Slimani (alguns bons pormenores, mas sem influência na partida) entrou aos 65 minutos para o lugar de Soudani e, no momento seguinte, Origi (que tinha substituído o inexistente Lukaku) aproveitou um raro erro da defensiva argelina para, isolado, permitir a defesa de M’Bohli. Pouco tempo, depois, o recém-entrado Fellaini fez uso do seu fantástico jogo de cabeça para repor o empate, desviando um centro do lado esquerdo de De Bruyne (Halliche fez um jogo sólido, mas neste lance foi batido nas alturas). Só após o 1-1 a Bélgica foi capaz de aumentar o ritmo, mas mais uma vez sem converter o domínio em ocasiões de golo. Foi apenas na única vez em que conseguiu ter espaço, após perda de bola de Feghouli no ataque, que a equipa de Marc Wilmots chegou ao golo. Hazard conduziu bem a jogada e soltou na direita para a finalização de Mertens. Bastou um lance de contra-ataque aos belgas para fazerem aquilo que não tinham sido capazes de alcançar em 80 minutos de passividade em ataque organizado.

A fechar, houve ainda tempo para uma grande defesa do guardião argelino, que parou novo cabeceamento de Fellaini (a Argélia teve, como se viu, dificuldades em lidar com as penetrações do médio em zonas de finalização para tentar o jogo aéreo) e para a entrada de Ghilas, aos 84 minutos (sem tempo). No entanto, a perder pela primeira vez, a Argélia não soube mudar o “chip” e esticar o seu jogo em busca do empate. A vitória da Bélgica acaba por ser justa, embora a exibição tenha sido cinzenta. Os jogadores acusaram claramente a pressão de serem vistos como favoritos. Estará a equipa-sensação da fase de apuramento preparada para ir longe na prova? Depois de ver este jogo, diria que terão de melhorar bastante para vencerem as próximas partidas.

A Figura

Marc Wilmots – O treinador belga soube reagir perante a fraca exibição da sua equipa. Todas as decisões que tomou durante o jogo se revelaram acertadas: tirou o apagado Chadli ao intervalo e colocou Mertens, que iria marcar o golo da vitória; não hesitou em tirar Lukaku e lançar Origi, um jogador muito mais móvel e que espevitou o ataque; deixou De Bruyne em campo e o jogador, apesar da exibição mediana, fez a assistência para o 1-1; e, finalmente, procedeu à entrada de Fellaini, que empatou cinco minutos depois de substituir Dembélé.

O Fora-de-Jogo

Bélgica – O resultado acabou por lhes ser favorável, mas a exibição foi tudo menos convincente. Os laterais não subiram, o meio-campo mostrou-se pouco dinâmico e o ataque foi quase sempre anulado pela boa organização argelina. E tudo isto, note-se, perante uma equipa modesta. A falta de experiência nestas andanças, bem como a dificuldade em lidar com as expectativas e a juventude de alguns jogadores, quase foram fatais para a Bélgica no jogo de hoje.

João V. Sousa
João V. Sousahttp://www.bolanarede.pt
O João Sousa anseia pelo dia em que os sportinguistas materializem o orgulho que têm no ecletismo do clube numa afluência massiva às modalidades. Porque, segundo ele, elas são uma parte importantíssima da identidade do clube. Deseja ardentemente a construção de um pavilhão e defende a aposta nos futebolistas da casa, enquadrados por 2 ou 3 jogadores de nível internacional que permitam lutar por títulos. Bate-se por um Sporting sério, organizado e vencedor.                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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