Publicidade

Nigéria 1-2 Argentina: Os argentinos ensinam-nos como passar à próxima fase, sem nunca ter jogado

Alexandro Ferreira · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

A Argentina venceu. A Argentina qualificou-se para os oitavos de final. A Argentina ainda não entrou em campo neste Mundial. Parece impossível, mas é verdade. Mais uma exibição triste, enfadonha, que embalou Maradona e mais uns quantos.

O jogo começou com uma Argentina melhor do que tinha sido nos primeiros jogos, pelo menos mais segura com a bola, a ter posse e a controlar o jogo. Mas sem nunca ameaçar, o que dava conforto aos nigerianos. Aos 14 minutos um passe teleguiado de Banega, deu ao Mundial aquilo que lhe faltava. Sim podem tirar os cartazes, Messi apareceu. Receção sublime, pontapé indefensável, golo do pequeno argentino. Finalmente! Sem que o jogo justificasse o marcador inaugurou-se. E quando já estávamos a esfregar as mãos porque afinal íamos ter jogo, eis que volta o tédio. Jogo muito divido, sem grandes ocasiões, sem espaços, sem profundidade. Maradona adormeceu, a Argentina continuava a desiludir.

Messi marca finalmente, e mostra que afinal também veio ao Mundial
Fonte: AFA Selección Argentina

O intervalo não nos trouxe nada de novo, a Nigéria faz entrar Ighalo, mas uma Argentina fraca, continua a não dar muitas hipóteses a uma Nigéria lutadora. Ou não daria até ao minuto 51, quando Mascherano agarra um adversário na grande área, sem bola, como que por pena dos nigerianos. O árbitro não hesita em apontar para a marca de grande penalidade, e Moses não perdoa. A Argentina parecia afundar.

Sampaoli mexe na equipa, faz entrar Pavón para lugar de Enzo Pérez, faz entrar um desinspirado Meza, mas a verdade é que as oportunidades que existiram nesse período eram da equipa adversária. A Nigéria esteve perto de marcar, principalmente com tentativas de meia distância, mas sem frutos. Houve ainda oportunidade para o VAR entrar em jogo, por suposta mão na bola de Rojo, dentro de área, mas o árbitro prontamente tirou à Nigéria aquela que podia ser a bola que os punha nos oitavos de final.

Até final, tivemos Sampaoli a fazer entrar Aguero, quando o jogo já o pedia há muito tempo, tivemos Higuaín a falhar um golo cantado e tivemos aos 86’, depois de boa coordenação dentro de área um Marcos Rojo a dar um sapatada na crise argentina. Uma bomba sem defesa que fez abanar o fundo das redes, o coração dos argentinos e os dedos de Maradona.

A Argentina está nos oitavos de final do Campeonato do Mundo, mas passa por debaixo da mesa. Tivesse esta Nigéria mais qualidade e frieza na hora de finalizar e estaríamos aqui a comentar a eliminação de Messi. Assim estamos a comentar a passagem, algo surpreendidos, o que não pode ser bom sinal.

Foto de capa: AFA Selección Argentina

A FIGURA:

Fonte: The Nigerian Football Federation

Nigéria – A Seleção nigeriana mostrou que à falta de talento muitas vezes pode-se jogar com o coração. Sempre com garra, a disputar cada bola como se fosse a última oportunidade que têm, fez deles um digno vencido e saem de cabeça erguida. Esteve a pouco mais de quatro minutos da qualificação e isso diz muito do porquê de serem eles as figuras num jogo que até perderam.

O FORA-DE-JOGO:

Fonte: AFA Seleccion Argentina

Argentina – Por contraste, apesar da vitória, apesar da qualificação, a Argentina continua a desiludir. Consegue a vitória de uma forma sofrida, mas a verdade é que em muitos momentos nem parecia querê-la assim tanto. Um jogo sem ideias, sem criatividade, lento. Nada disto combina com a Seleção que a Argentina é, com os jogadores que tem. Se querem chegar longe, vai ser preciso fazer muito melhor figura. Para hoje chegou.

Alexandro Ferreira

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Em Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)

SEVILHA, ESPANHA- Ao pensarmos em escolas de formação, com a sua especialidade em extremos, o nosso cérebro vai pensar automaticamente no Sporting. Cristiano Ronaldo, Nani, Simão Sabrosa e Ricardo Quaresma são o expoente máximo de craques saídos da cantera do emblema do José de Alvalade, capazes de fazer magia a partir da linha, procurando espaços interiores ou dando profundidade nas zonas exteriores, aliando-se ao lateral. Nos últimos anos, Espanha assumiu-se como o país protagonista no futebol, não apenas nos seniores, mas também na formação. As academias ganharam um papel importante no desenvolvimento do desporto rei desde a viragem do século, com vários emblemas a apostarem na manutenção e criação de infraestruturas para que os atletas possam atingir os níveis máximos. As conquistas do Euro 2024 e do Mundial 2026 provam este ponto. São a cereja no topo do bolo de um processo que obviamente não se construiu de um dia para o outro.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Denílson no Real Bétis: o brasileiro que encantou Manuel Lopera e que chegou a deter o título de jogador mais caro da história

SEVILHA, ESPANHA- Em 1997, o mundo preparava-se já para a viragem do século, com todos os países do mundo ocidental a procurarem a modernização e o protagonismo global. No futebol, não era distinto. Vivíamos os primeiros anos da Premier League, que procurava destronar a Serie A como o campeonato mais poderoso do mundo. Os ingleses tinham dinheiro e queriam a maior audiência possível, proporcionando assim ao espetador os melhores encontros possíveis. Era uma batalha entre poderosos, que hoje em dia é quase inimaginável. Em Espanha, a La Liga tinha uma boa cotação, mas ainda não estava no mesmo patamar que as suas congéneres. No entanto, o caminho traçado era claro. Ainda em 1990, o governo espanhol, farto de ver os clubes a gerarem prejuízos dantescos, criou a Ley del Deporte, que levava a que os clubes profissionais criassem uma Sociedade Anónima Desportiva. A partir desse momento, as instituições também passavam a ser empresas. Os únicos que escaparam a isto (por terem fechado as contas no positivo)? Barcelona, Real Madrid, Athletic e Osasuna. Presentemente, estes quatro emblemas continuam a pertencer aos sócios.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.