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O regresso, 12 anos depois, ao maior palco do futebol, traz ambição à Arábia Saudita. Essa ambição (estabelecida, porventura, num ponto conquistado) pode, porém, ser traída pelas limitações táticas de uma equipa treinada por alguém que nem sequer esteve na qualificação e pelos adversários (todos ele superiores a todos os níveis) que irá apanhar na fase de grupos.
TRIVIA
– Em quatro participações (1994, 1998, 2002 e 2006), o melhor que a Arábia Saudita num Campeonato do Mundo foi a presença nos 16-avos de final. Aconteceu nos EUA, em 1994.
– Al-Deayea é o jogador mais internacional de sempre ao serviço dos sauditas, com 178 jogos internacionais. Deayea é, também, o 3º jogador com mais internacionalizações na história do futebol. Aliás, a Arábia Saudita é mesmo o país com mais jogadores a passar a centena de internacionalizações (a par dos EUA) – são 17! Dois deles são Hawsawi e Al- Jassim, ambos no ativo e convocáveis por Pizzi.
– O melhor marcador de sempre da seleção Saudita é Majed Abdullah, com 71 golos apontados. Al Sahlawi, melhor marcador dos asiáticos no ativo, tem 28.
O PERCURSO

12 anos depois da última presença, os Sauditas asseguraram a qualificação direta sobre a linha da meta, conseguindo uma importante vantagem de dois golos sobre a Austrália na diferença entre tentos apontados e consentidos.
O início deste percurso começou da melhor forma. A Arábia Saudita assumiu a liderança do grupo à quarta jornada, somando 3 vitórias e 1 empate nestes primeiros jogos. A derrota com o Japão, na jornada seguinte, colocou os nipónicos à liderança, que não mais largaram até final da qualificação.
A Arábia Saudita teve um percurso soluçante a partir daqui e chegou a somar duas derrotas consecutivas (3-2 frente à Austrália e 2-1 ante os Emirados Árabes Unidos) que chegaram a colocar em causa o sonho da qualificação directa.
Porém, uma ajuda do Japão, que derrotou a Áustralia, em Saitama, e viria a ser derrotado pela Arábia Saudita, em Jeddah, permitiu o regresso dos Sauditas à elite do futebol mundial de seleções.
A ESTRELA DA COMPANHIA

Os 28 anos estão muitas vezes associados ao pináculo da carreira de um jogador, por este ter, teoricamente, mais traquejo para lidar com a confrontos emocionais que o futebol lhe proporciona. Esse é um “cliché” futebolístico que ganha forças se olharmos para jogadores mais afastados do ocidente, isto é, com maior acompanhamento de gestão de carreira e vida fora das quatro linhas.
Al-Abed encaixa perfeitamente nesse “cliché”. Aos 28 anos atingiu a plenitude do seu futebol, que tem conhecendo um crescendo desde o início da fase de qualificação da Arábia Saudita, onde foi o jogador mais influentes, ao apontar 5 golos, mesmo não sendo ponta de lança de raíz.
Aliás, é no flanco esquerdo que se sente mais à vontade, mas pode, também jogar atrás do ponta-de-lança ou surgir em velocidade e com qualidade técnica sob o flanco esquerdo.
O jogador do Al-Ahli é o maior desequilibrador desta equipa e é sobre ele que recaem as esperanças sauditas.
A REVELAÇÃO

Al-Mulawal também encaixaria muito bem neste espaço, mas Al-Shehri ultrapassa o seu colega de equipa pela importância da velocidade e da qualidade técnica nesta equipa.
Al-Shehri é capaz de desequilibrar sem pedir licença e consegue, muitas vezes, trazer a equipa consigo quando transporta o jogo desde uma ala para o meio ou quando decide ir à linha e cruzar.
Na segunda metade da época, repreentou o Leganés, mas não somou qualquer jogo. Porém, isto tem as suas vantage. Para além de vir fisicamente mais fresco… e também mais preparado, dada a carga do treino “ocidente”, o facto de ter vivido de perto com um ambiente competitivo mais exigente também faz prever que Al-Shehri demonstre o melhor de si e possa surpreender ao serviço dos asiáticos.
O TREINADOR

A forma de jogar desta Arábia Saudita ainda não está bem definida, daí ter surgido a necessidade de fazer particulares bem mais cedo que as outras seleções. Desde o início da fase de qualificação já teve três treinadores. O último foi Pizzi. E cabe ao ex-seleccionador do Chile implementar as suas ideias ou… dar continuidade às anteriores.
Se tomar a segunda via, a equipa pode não ficar mal servida atendendo à performance do Chile que ele soube herdar de Sampaoli e que venceu uma Copa América com o antigo jogador do FC Porto ao leme.
Esta Arábia Saudita, porém, é uma muito mais limitada, tecnica e defensivamente, que esse Chile. Pelo que o técnico de 49 anos tenha de trabalhar mais para atingir uma sombra de resultado conseguido conseguiu ao serviço de La Roja.
QUÃO ALTO PODE SONHAR?

Ter qualidade técnica não chega, sobertudo se atribuirmos essa qualidade de forma enviesada. Isto é – comparando, apenas, equipas do mesmo continente. A Arábia Saudita tem, de facto qualidade técnica… mas apenas face a seleções do seu “gabarito” e se olharmos às gerações que representaram os sauditas em Mundiais anteriores.
Se a comparação atingir um Uruguai ou um Egipto, adversários na fase de grupos, esta seleção fica, claramente por baixo. Não só a nível técnico, como também tático, onde há muito a fazer por Juan Antonio Pizzi perante as limitações dos seus jogadores a nível posicional e a turbulência que atingiu os sauditas no que ao comando técnico diz respeito.
Assim, um ponto conquistado na Rússia é uma meta “credível” a atingir pelos comandados por Juan Antonio Pizzi.
Foto de capa: FIFA









