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Revista do Mundial 2018 – Arábia Saudita

Pedro Machado · 4 min

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O regresso, 12 anos depois, ao maior palco do futebol, traz ambição à Arábia Saudita. Essa ambição (estabelecida, porventura, num ponto conquistado) pode, porém, ser traída pelas limitações táticas de uma equipa treinada por alguém que nem sequer esteve na qualificação e pelos adversários (todos ele superiores a todos os níveis) que irá apanhar na fase de grupos.

TRIVIA

– Em quatro participações (1994, 1998, 2002 e 2006), o melhor que a Arábia Saudita num Campeonato do Mundo foi a presença nos 16-avos de final. Aconteceu nos EUA, em 1994.

– Al-Deayea é o jogador mais internacional de sempre ao serviço dos sauditas, com 178 jogos internacionais. Deayea é, também, o 3º jogador com mais internacionalizações na história do futebol. Aliás, a Arábia Saudita é mesmo o país com mais jogadores a passar a centena de internacionalizações (a par dos EUA) – são 17! Dois deles são Hawsawi e Al- Jassim, ambos no ativo e convocáveis por Pizzi.

– O melhor marcador de sempre da seleção Saudita é Majed Abdullah, com 71 golos apontados.  Al Sahlawi, melhor marcador dos asiáticos no ativo, tem 28.

O PERCURSO

Fonte: FIFA

 

12 anos depois da última presença, os Sauditas asseguraram a qualificação direta sobre a linha da meta, conseguindo uma importante vantagem de dois golos sobre a Austrália na diferença entre tentos apontados e consentidos.

O início deste percurso começou da melhor forma. A Arábia Saudita assumiu a liderança do grupo à quarta jornada, somando 3 vitórias e 1 empate nestes primeiros jogos. A derrota com o Japão, na jornada seguinte, colocou os nipónicos à liderança, que não mais largaram até final da qualificação.
A Arábia Saudita teve um percurso soluçante a partir daqui e chegou a somar duas derrotas consecutivas (3-2 frente à Austrália e 2-1 ante os Emirados Árabes Unidos) que chegaram a colocar em causa o sonho da qualificação directa.

Porém, uma ajuda do Japão, que derrotou a Áustralia, em Saitama, e viria a ser derrotado pela Arábia Saudita, em Jeddah, permitiu o regresso dos Sauditas à elite do futebol mundial de seleções.

A ESTRELA DA COMPANHIA

Fonte: SAFF

Os 28 anos estão muitas vezes associados ao pináculo da carreira de um jogador, por este ter, teoricamente, mais traquejo para lidar com a confrontos emocionais que o futebol lhe proporciona. Esse é um “cliché” futebolístico que ganha forças se olharmos para jogadores mais afastados do ocidente, isto é, com maior acompanhamento de gestão de carreira e vida fora das quatro linhas.

Al-Abed encaixa perfeitamente nesse “cliché”. Aos 28 anos atingiu a plenitude do seu futebol, que tem conhecendo um crescendo desde o início da fase de qualificação da Arábia Saudita, onde foi o jogador mais influentes, ao apontar 5 golos, mesmo não sendo ponta de lança de raíz.

Aliás, é no flanco esquerdo que se sente mais à vontade, mas pode, também jogar atrás do ponta-de-lança ou surgir em velocidade e com qualidade técnica sob o flanco esquerdo.

O jogador do Al-Ahli é o maior desequilibrador desta equipa e é sobre ele que recaem as esperanças sauditas.

A REVELAÇÃO

Fonte: FIFA

Al-Mulawal também encaixaria muito bem neste espaço, mas Al-Shehri ultrapassa o seu colega de equipa pela importância da velocidade  e da qualidade técnica nesta equipa.

Al-Shehri é capaz de desequilibrar sem pedir licença e consegue, muitas vezes, trazer a equipa consigo quando transporta o jogo desde uma ala para o meio ou quando decide ir à linha e cruzar.

Na segunda metade da época, repreentou o Leganés, mas não somou qualquer jogo. Porém, isto tem as suas vantage. Para além de vir fisicamente mais fresco… e também mais preparado, dada a carga do treino “ocidente”, o facto de ter vivido de perto com um ambiente competitivo mais exigente também faz prever que Al-Shehri demonstre o melhor de si e possa surpreender ao serviço dos asiáticos.

O TREINADOR

Fonte: FIFA

A forma de jogar desta Arábia Saudita ainda não está bem definida, daí ter surgido a necessidade de fazer particulares bem mais cedo que as outras seleções. Desde o início da fase de qualificação já teve três treinadores. O último foi Pizzi. E cabe ao ex-seleccionador do Chile implementar as suas ideias ou… dar continuidade às anteriores.

Se tomar a segunda via, a equipa pode não ficar mal servida atendendo à performance do Chile que ele soube herdar de Sampaoli e que venceu uma Copa América com o antigo jogador do FC Porto ao leme.

Esta Arábia Saudita, porém, é uma muito mais limitada, tecnica e defensivamente, que esse Chile. Pelo que o técnico de 49 anos tenha de trabalhar mais para atingir uma sombra de resultado conseguido conseguiu ao serviço de La Roja.

QUÃO ALTO PODE SONHAR?

Fonte: FIFA

Ter qualidade técnica não chega, sobertudo se atribuirmos essa qualidade de forma enviesada. Isto é – comparando, apenas, equipas do mesmo continente. A Arábia Saudita tem, de facto qualidade técnica… mas apenas face a seleções do seu “gabarito” e se olharmos às gerações que representaram os sauditas em Mundiais anteriores.

Se a comparação atingir um Uruguai ou um Egipto, adversários na fase de grupos, esta seleção fica, claramente por baixo. Não só a nível técnico, como também tático, onde há muito a fazer por Juan Antonio Pizzi perante as limitações dos seus jogadores a nível posicional e a turbulência que atingiu os sauditas no que ao comando técnico diz respeito.

Assim, um ponto conquistado na Rússia é uma meta “credível” a atingir pelos comandados por Juan Antonio Pizzi.

Foto de capa: FIFA

Pedro Machado

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