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Revista do Mundial 2018 – Bélgica

Diogo Reganha · 8 min

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Depois do Mundial Coreia/Japão disputado em 2002, apenas em 2014 a seleção belga voltou a conseguir apurar-se para a fase final de uma grande competição, quando garantiu a sua presença no Mundial disputado no Brasil.

Foram 12 anos de ausência de fases finais de uma seleção que é agora terceira no ranking da Fifa e que, apesar de ser um país com apenas 11 milhões de habitantes, conta com um incrível número de jogadores de topo.

Muitos desses jogadores chegam ao Mundial da Rússia no auge da sua carreira e não querem deixar passar mais uma oportunidade para brilhar pela sua seleção.

Será que é desta que os belgas conseguem transformar um grupo de jogadores muito fortes individualmente num coletivo forte e capaz de lutar por uma grande competição?

Trivia

– A melhor participação da seleção belga num Mundial ocorreu em 1986 quando, a jogar no México, conseguiu alcançar as meias-finais da competição, onde acabou por cair aos pés da Argentina (2-0) de Diego Armando Maradona, que acabou por marcar os dois golos da partida.

– Jan Vertonghen é o jogador com mais internacionalizações pela seleção principal do país (99) e Romelu Lukaku o jogador com mais golos (33). Os recordistas da seleção belga são dois jogadores ainda no ativo e, ao que tudo indica, ainda com alguns anos de futebol pela frente, o que demonstra o bom momento que o futebol do país atravessa.

O percurso

Fonte: FIFA

Integrada no Grupo H, a fase de qualificação para o Mundial 2018 colocava no caminho da Bélica as seleções da Grécia, Bósnia e Herzegovina, Estónia, Chipre e Gibraltar.

A seleção belga não teve dificuldades em garantir o apuramento e teve inclusivamente uma prestação que roçou a perfeição, com 9 vitórias nos 10 jogos disputados, onde marcou 43 golos e sofreu apenas 6.

O único percalço desta qualificação ocorreu na receção à seleção grega, quando a Bélgica não conseguiu ir além do empate (1-1).

Romelu Lukaku foi uma das figuras desta fase de qualificação, tornando-se o terceiro melhor marcador desta fase com 11 golos marcados, apenas atrás de Cristiano Ronaldo (15) e Robert Lewandowski (16).

A estrela da companhia

Fonte: Premier League

De há alguns anos para cá, Eden Hazard tem sido visto como a principal figura da seleção belga. Depois de quatro anos como titular da equipa do Lille, o jogador belga foi contratado pelo Chelsea e, seis anos depois, continua a ser a estrela da companhia no seu clube, sendo apontado por alguns como um dos possíveis sucessores da hegemonia de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo como vencedores da Bola de Ouro. No entanto, nesta fase já não é tão linear considerar Hazard a grande figura da seleção do seu país. Ou pelo menos considera-lo como a única grande figura.

Apesar de terem sensivelmente a mesma idade e até terem sido colegas no Chelsea durante alguns meses, só alguns anos mais tarde Kevin De Bruyne se conseguiu impor numa equipa de topo. Recentemente campeão inglês, com record de pontos e de golos, o Manchester City de Pep Guardiola é uma equipa que vale muito pelo coletivo, mas é inegável a preponderância do jogador belga. Guardiola não se faz de rogado na hora de elogiar o jogador e é unanime para todos que De Bruyne está agora entre a elite do futebol mundial.

Um jogador fantástico que ainda tem a seu favor o facto de chegar ao Mundial numa forma espantosa, depois de uma época a um nível assombroso.

A revelação

Fonte: FIFA

Será difícil encontrar no 11 titular da seleção belga algum jogador que não seja considerado um jogador de topo do futebol mundial. Por muito bem que se apresentem neste Mundial, será difícil afirmar que jogadores como Courtois, Kompany, De Bruyne, Hazard ou Lukaku serão “revelações”. Nesse panorama, Michy Batshuayi apresenta-se como um dos nomes que, apesar de nem partir para esta competição apontado como titular na seleção belga, terá maiores possibilidades de se destacar, vindo do banco ou ganhando a titularidade no decorrer da competição.

Depois de brilhar no campeonato belga onde, aos 20 anos, apontou 23 golos numa só época pelo Standard Liège, seguiu-se o campeonato francês. Em duas épocas ao serviço do Marselha apontou mais de 30 golos e o Chelsea apostou na sua contratação.

Em Londres a sua concorrência era grande. Na primeira época acabou por ser algo ofuscado pela grande época de Diego Costa e após a saída do avançado, que se encontrava em conflito com o técnico António Conte, chegou ao clube londrino Álvaro Morata. Ainda assim, no espaço de uma época e meia, Batshuayi apontou 19 golos pela equipa principal.

Em Janeiro deste ano, o Dortmund precisava de ocupar a vaga deixada após a saída de Aubameyang para o Arsenal e foi Batshuayi o escolhido. A pressão de substituir um jogador como Aubameyang era enorme, dada a sua importância para o clube alemão nos últimos anos, mas o jogador belga não se intimidou e nos primeiros três jogos apontou cinco golos. No total foram 9 golos em 14 jogos. Os números falam por si e, aos 23 anos, este Mundial pode ser muito importante para Batshuayi conquistar em definitivo a titularidade num clube de topo já na próxima época.

O treinador

Fonte: FIFA

Depois da eliminação da Bélgica nos Quartos-de-Final do Euro-2016 aos pés do País de Gales (3×1), dadas as aspirações que o país tinha para essa competição, o seleccionador Marc Wilmots acabou por abandonar o cargo e ser substituído por Roberto Martinez.

O espanhol começou a sua carreira de treinador no Swansea na época 2007/2008, na altura na Division One, a terceira divisão Inglesa. Acabou por ser campeão logo na sua primeira época, subindo a sua equipa ao Championship. Na época seguinte o Swansea acabou por ficar em oitavo lugar do Championship e o Wigan, equipa da Premier League, avançou para a contratação de Roberto Martinez.

Seguiram-se quatro épocas no Wigan, onde o objetivo principal passava por fugir à descida de divisão. Nas primeiras três épocas esse objetivo foi alcançado com sucesso, mas na última o Wigan acabaria a época em lugar de descida. Apesar disso, Roberto Martinez acabou por levar a equipa à conquista da FA Cup, o que pode ter sido decisivo para o Everton avançar para a sua contratação. Seguiram-se três épocas no Everton, onde o momento alto de Roberto Martínez foi colocar a sua equipa em quinto lugar na época 2013/2014, juntando-se à seleção belga após esse período.

Depois de uma fase de apuramento sem sobressaltos, a fase final deste Mundial será um dos maiores testes da carreira do técnico.

Num claro sinal de confiança no espanhol, a federação belga renovou o contrato de Roberto Martinez até 2020 a poucas semanas do início do Mundial.

Quão alto pode sonhar?

Fonte: FIFA

A Premier League é considerada por muitos o melhor e mais competitivo campeonato do mundo e é lá que habitam algumas das maiores estrelas do futebol. Numa rápida análise é fácil constatar que praticamente todas as equipas de topo da Premier League têm um denominador comum. Todas elas têm jogadores belgas nos seus plantéis, em muitos casos sendo eles as principais estrelas da equipa.

Chelsea (Thibaut Courtois e Eden Hazard), Manchester City (Vincent Kompany e Kevin De Bruyne), Manchester United (Marouane Fellainni e Romelu Lukaku), Tottenham (Jan Vertonghen, Toby Alderweireld e Moussa Dembelé) e Liverpool (Simon Mignolet), em muito têm beneficiado do contingente belga presente em terras de sua majestade nos últimos anos.

Mas não é apenas na Premier League que os jogadores belgas têm dado provas.

Paris Saint-Germain (Thomas Meunier), Roma (Radja Nainggolan), Borussia Dortmund (Michy Batshuayi), Napoles (Dries Mertens), Monaco (Youri Tielemans) e Barcelona (Thomas Vermaelen), todos eles habituais presenças nas fases mais avançadas das grandes provas, também contam com jogadores belgas nos seus planteis.

Numa “segunda linha” do futebol europeu a realidade não é muito diferente. Lazio (Jordan Lukaku), Olympiakos (Kevin Mirallas) ou Wolfsburg (Divock Origi e Koen Casteels) são apenas algumas das equipas que beneficiam da qualidade dos jogadores oriundos da Bélgica.

Até os novos-ricos do campeonato chinês se renderam à qualidade dos belgas e já contam com a presença de jogadores como Yannick Ferreira-Carrasco ou o ex-Benfica, Axel Witsel.

Com um elenco desta qualidade ao seu dispor, a maior dificuldade de Roberto Martinez será escolher quais destes jogadores terão de ficar de fora da comitiva que viajará para a Rússia.

A nível individual, poucas são as seleções que se podem gabar de ter um grupo de jogadores tão extenso e com tanta qualidade pelo que, a esse nível, não será descabido pensar que a seleção belga tem qualidade para bater qualquer adversário e pode, inclusivamente, sonhar com um título de campeã mundial.

Estando incluída no Grupo G, onde terá pela frente Inglaterra, Panamá e Tunísia, seria surpreendente se os Red Devils não se apurassem para as fases a eliminar. A partir daí, as suas aspirações dependerão sempre dos adversários que tiverem pelo caminho e, acima de tudo, da capacidade de transformar toda esta qualidade individual num coletivo coeso e competente.

Este será o fator mais preponderante da campanha da seleção belga, sendo em simultâneo uma das principais preocupações dos adeptos daquele país. A Bélgica é apontada como candidata a vencer algo importante há alguns anos e até ao momento as campanhas desta geração de ouro do futebol belga não têm sido fabulosas. Depois de 12 anos de ausência de fases finais de uma grande competição, tanto no Mundial 2014 como no Euro 2016, os belgas caíram nos Quartos-de-Final, derrotados por Argentina (1-0) e País de Gales (3-1), respetivamente.

A grande maioria dos jogadores que irá compor a comitiva belga na Rússia está neste momento no auge da sua carreira, pelo que não querem desperdiçar a oportunidade de fazer história pelo seu país. Muitos deles podem inclusivamente disputar na Rússia o seu ultimo Mundial. Jogadores como Thomas Vermaelen, Vincent Kompany, Jan Vertonghen, Moussa Dembélé ou Dries Mertens terão mais de 35 anos em 2018 e até Thibaut Courtois, Kevin De Bruyne, Marouane Fellaini, Eden Hazard ou Radja Nainggolan já terão passado a barreira dos 30.

Foto de capa: FIFA

Diogo Reganha

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