Publicidade

Revista do Mundial 2018 – México

Bruno Costa · 8 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

 

A Selecção Nacional do México é a 16ª. selecção classificada no Ranking da FIFA. Estando sob jurisdição da CONCACAF (Confederation of North, Central American and Caribbean Association Football), trata-se da selecção com maior sucesso na região. No que toca a participações em fases finais de Campeonatos do Mundo, esteve já presente em 15 das 20 edições, sendo que por oito vezes conseguiu ultrapassar a fase de grupos. Na Rússia, irá somar a sua 16ª. participação na maior prova de selecções. “El Tricolor”, como é carinhosamente conhecida, tem na sua História nomes míticos como Hugo Sanchez, Jorge Campos, Claudio Suárez ou Jared Borgetti.

Apesar de só definir os 23 convocados no dia 02 de Junho, para já, os 28 pré-seleccionados de Juan Carlos Osorio para o Campeonato do Mundo são:

Guarda-Redes: Guillermo Ochoa, Alfredo Talavera, Jesús Corona

Defesas: Héctor Moreno, Jesús Gallardo, Néstor Araujo, Carlos Salcedo, Diego Reyes, Miguel Layún, Edson Álvarez, Hugo Ayala, Oswaldo Alanís.

Médios: Rafael Márquez, Erick Gutiérrez, Marco Fabián, Jonathan dos Santos, Héctor Herrera, Jesús Molina, Giovani dos Santos, Andrés Guardado.

Avançados: Jürgen Damm, Javier Aquino, Carlos Vela, Jesús “Tecatito” Corona, Hirving Lozano, Raúl Jiménez, Javier “Chicharito” Hernández.

TRIVIA

– A melhor participação numa fase final de um Mundial aconteceu nos anos de 1970 e 1986, quando a Selecção Nacional do México atingiu os Quartos-de-final, sendo respectivamente eliminada pelas selecções da Itália e Alemanha Ocidental.

– O jogador mais vezes internacional pela Selecção Nacional do México é Claudio Suárez, com 177 internacionalizações.

– O melhor marcador de sempre da Selecção Nacional do México encontra-se ainda no activo e trata-se de Javier “Chicharito” Hernández, com 49 golos.

O Percurso

Fonte: SMF

O apuramento para o Mundial da zona CONCACAF está dividido em duas fases de grupos, sendo que a primeira fase tem três grupos, cada um com dois lugares de acesso à segunda fase. Essa segunda fase, composta pelas seis selecções qualificadas da primeira fase, é a que apura directamente as três primeiras selecções, enquanto que a quarta classificada disputa um Play-off de acesso.

Na primeira fase, inserida no mesmo grupo da selecção das Honduras, Canadá e El Salvador, terminou em primeiro lugar, com 16 pontos em 18 possíveis. No total dos seis jogos, venceu cinco e empatou um, com um registo de 13 golos marcados e um sofrido. De salientar que o empate foi somente no último jogo de todos, contra as Honduras. Uma vez qualificados para a segunda fase e disputando o acesso directo com Panamá, Costa Rica, Honduras, Estados Unidos da América e Trinidade e Tobago, o registo não ficou muito atrás, não deixando qualquer dúvida sobre qual seria o candidato mais forte ao primeiro lugar. Nos dez jogos desta fase de qualificação, venceu seis, empatou três e perdeu um, sendo a derrota novamente aplicada na última jornada (e novamente contra as Honduras!), quando a primeira posição já se encontrava assegurada. Qualificou-se para o Campeonato do Mundo 2018 com 21 pontos, 16 golos marcados e sete sofridos.

Podemos dizer que foi um percurso praticamente imaculado.

A Estrela da Companhia

Fonte: SMF

Javier “Chicharito” Hernández – Quem não conhece “Chicharito” Hernández? É um jogador que simplesmente dispensa apresentações. Lançado por Javier Aguirre na Selecção Mexicana, em 2009, o Campeonato do Mundo de 2010 foi a grande rampa de lançamento para a carreira que construiu desde então. Sir Alex Ferguson estava atento e, ainda antes da prova começar – e de forma a evitar uma valorização que pudesse levar outro clube a contratá-lo –, decidiu avançar para a contratação do jovem prodígio mexicano, na altura com 23 anos de idade. “Chicharito” é o que, na gíria, se costuma chamar de “rato de área”. Não tendo uma estatura particularmente alta (mede 1,75m e pesa 68kg), o ponta-de-lança natural de Guadalajara demonstra grande qualidade no jogo aéreo, antecipando-se bastante bem nos lances dentro da área. Concentrado, ágil e rápido a atacar os lances, demonstra uma frieza finalizadora letal. 100 jogos e 49 golos depois, o actual ponta-de-lança do West Ham United FC fará na Russia a sua terceira aparição num Campeonato do Mundo, depois das participações de 2010 e 2014. Tendo em conta a sua idade (actualmente com 29 anos), é bastante provável que esteja também presente no Qatar, em 2022, caso a Selecção Mexicana se qualifique.

A Revelação

Fonte: SMF

Hirving “Chucky” Lozano – “Chucky” Lozano, de 22 anos, é uma das grandes armas dos mexicanos para atacar o Mundial. Natural da Cidade do México, começou o seu percurso no Pachuca, onde se destacou e de onde seguiu, no início da temporada 2017/2018, para o PSV Eindhoven. Após uma primeira temporada na Europa, os números são reveladores da sua qualidade: pelos holandeses, disputou 34 jogos e assinou 19 golos e 11 assistências. Ora, convém esclarecer que Lozano não se trata sequer de um ponta-de-lança. Jogando a partir de uma das alas, é na esquerda que “Chucky” se pode notabilizar. Derivando desse flanco para o centro, faz uso da sua técnica e do seu forte pontapé com bastante facilidade. A estas características, alia a velocidade a uma poderosa e imprevisivel capacidade de drible. Este jovem, trata-se de uma grande promessa mexicana e está já nas bocas do Mundo e nos relatórios dos olheiros dos principais clubes. Actualmente, especula-se que tem vindo a ser disputado por vários tubarões europeus – principalmente da Premier League –, entre eles o Chelsea FC, o Everton FC, o Arsenal FC e o Manchester United FC. Crê-se, portanto, que os oito milhões de Euros investidos pelo PSV neste prodígio mexicano terão sido uma pechincha, tendo em conta o seu tremendo potencial e qualidade.

O Treinador

Fonte: SMF

Juan Carlos Osorio – Juan Carlos Osorio Arbelaez nasceu em Santa Rosa de Cabal, na Colômbia, a 08 de Junho de 1961. Após uma carreira como futebolista sénior bastante fugaz – durou sete temporadas e representou somente três clubes (Deportivo Pereira, da Colômbia, SC Internacional, do Brasil, e Once Caldas, da Colômbia) –, Osorio iniciou a sua carreira em equipas técnicas, em 2000, como treinador-adjunto do MetroStars, clube dos Estados Unidos da América (hoje, denominado New York Red Bulls). Esta passagem de uma temporada abriu-lhe portas no Manchester City FC, onde esteve desde 2001 até 2005 – também como treinador-adjunto – e onde trabalhou com treinadores como Kevin Keegan e Stuart Pearce. Após estas temporadas, regressou à Colombia onde orientou o Millonarios FC e onde se estreou como treinador principal. A partir daí, seguiram-se passagens pelos EUA (Chicago Fire e NY Red Bulls), Colômbia novamente (Once Caldas), México (Club Puebla), regressou à Colômbia (Club Atlético Nacional) e terminou como técnico principal de clubes no Brasil (São Paulo FC). Em 2015, foi contactado para suceder a Miguel Herrera como seleccionador da Selecção Nacional do México, cargo que mantém até hoje.

 

Durante as três temporadas à frente de “El Tri”, Juan Carlos Osorio já conseguiu deixar a sua marca na forma como a equipa se comporta dentro de campo. Partindo de uma base assente num 4x3x3, com um médio-defensivo e duplo-pivot à sua frente, a Selecção Mexicana mostra bastante alternância conforme o momento do jogo. Da partida que tive a oportunidade de observar (o amigável contra a Selecção da Bélgica, que terminou com um empate a três bolas), a Selecção Mexicana apresentou-se com o seguinte onze inicial: Guillermo Ochoa, Carlos Salcedo, Néstor Araujo, Héctor Moreno, Miguel Layún, Diego Reyes, Héctor Herrera, Andrés Guardado, Carlos Vela, “Chucky” Lozano e “Chicharito” Hernández.

 

No momento de organização ofensiva, a Selecção Mexicana de Juan Carlos Osorio dispõe-se, declaradamente, num 4x3x3:

 

 

 

Procurando construir jogo desde trás, impõem uma circulação de bola paciente no momento em que o adversário se encontra defensivamente organizado. Incluindo o guarda-redes na fase de construção, também os centrais são participativos, apesar de comprometerem um pouco. Devido a essa limitação, Andrés Guardado é o responsável por transportar jogo desde a defesa, recuando constantemente ao nível dos centrais, seja para auxiliar, seja para assumir a construção de jogo. Ainda que a equipa não se encontre muitas vezes desequilibrada devido à subida dos seus laterais (Miguel Layún é o lateral que mais sobe para auxiliar o ataque, enquanto que Carlos Salcedo é o lateral mais posicional), Diego Reyes torna-se muito importante na posição 6, de forma a manter a equipa equilibrada no momento da perda. Héctor Herrera é o dínamo da equipa, sendo fundamental na ligação entre o meio-campo e o ataque, seja através de combinações curtas e à procura de jogo entre-linhas ou por intermédio de passes longos em busca da profundidade. Por falar em profundidade, esta é uma arma poucas vezes utilizada pela Selecção Mexicana e que deveria ser mais vezes explorada. Na minha opinião, com Carlos Vela, “Chucky” Lozano e “Chicharito” Hernández – avançados rápidos e desconcertantes nas suas acções –, haveria condições para solicitar mais vezes a profundidade e causar ainda mais perigo.

Em organização defensiva, a Selecção Mexicana transforma-se tácticamente num 4x2x3x1, com um duplo-pivot à frente dos centrais:

Neste momento do jogo, apresentam uma organização defensiva com um bloco bastante curto e compacto. Outro dos principios mais fortes da “El Tri” é a pressão alta que fazem, tentando quebrar a primeira fase de construção do adversário. Adicionalmente, atacam de forma intensa e agressiva o portador da bola contrário, em busca de recuperarem rápidamente a posse de bola. No geral, podemos considerar a Selecção Mexicana uma equipa bem organizada defensivamente, ainda que, no momento de transição defensiva, se tornem algo permeáveis, devido ao facto de não conseguirem controlar muito bem o espaço nas suas costas.

Quão alto pode sonhar?

Fonte: FIFA

A Selecção Nacional do México está inserida no Grupo F, juntamente com as selecções da Alemanha, Suécia e Coreia do Sul. Apesar de ser um grupo algo equilibrado (com claro favoritismo para a Alemanha), a verdade é que vejo “El Tri” como a selecção mais forte a ocupar o segundo lugar do grupo.

Nesta edição da competição, creio que não terá tido a melhor das sortes no cruzamento dos grupos. Caso se qualifique para os Oitavos-de-Final, o grupo F cruzará com o grupo E, onde estão as selecções do Brasil, Suíça, Costa Rica e Sérvia. Ora, na eventualidade de se qualificar no segundo lugar, muito provavelmente irão encontrar a Selecção Brasileira, visto que os segundos classificados disputarão a qualificação com os primeiros classificados do grupo com que se cruzam.

A menos que se qualifiquem em primeiro lugar no seu grupo, será muito difícil que os mexicanos consigam ultrapassar os Oitavos-de-Final. Esperemos para ver o que farão os comandados de Juan Carlos Osorio, tendo como certeza que disputarão cada jogo como se se tratasse do último.

Foto de capa: FIFA

Bruno Costa

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.