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Revista do Mundial 2018 – Polónia

Rúben Tavares · 4 min

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A boa prestação em França 2016 está bem presente na memória e os polacos querem fazer algo que ainda não foi feito pela seleção este século: passar a fase de grupos do Mundial. Algo que não aconteceu em 2002 e 2006. Parecem tão remotos os dourados anos 70 e 80 para o futebol polaco. Contudo, atenção, a seleção de Adam Nawalka reúne características há muito ausentes na ‘Polska’.

TRIVIA

– À partida para a oitava participação numa fase final do Mundial, destaque para dois 3º lugares alcançados pelos polacos: um em 1974 e outro em 1982. No primeiro caso, a Polónia ficou em 2º lugar na 2ª fase de grupos atrás da Alemanha e depois bateu (1-0) o Brasil no jogo de atribuição do 3º e 4º lugares; já em 1982, a seleção polaca foi derrotada pela Itália nas meias-finais (2-0), tendo posteriormente vencido a França (3-2) para assumir a última posição do pódio.

– O jogador mais vezes internacional pela Polónia é Grzegorz Lato com 100 internacionalizações. Jakub Blaszczykowski, mais conhecido no mundo do futebol por ‘Kuba’, acalenta a esperança de ultrapassar o mítico avançado polaco, pois já soma 97. Atrás, ainda segue Robert Lewandowski, com 93……

– O melhor marcador de sempre da Polónia é Robert Lewandowski com 52 golos. A 5 de outubro, ‘Lewa’ aplicou um hat-trick à Arménia num jogo da qualificação e numa goleada (6-1) da Polónia que praticamente carimbou o bilhete para a Rússia. Nesse dia, o anterior recordista, Wlodzimierz Lubanski, foi ultrapassado. O ponta-de-lança do Bayern de Munique também foi o melhor marcador da fase de qualificação com 16 golos em 10 jogos.

O Percurso

Fonte: PZPN

Integrada no grupo E, a Polónia teve uma fase de qualificação sem grandes sobressaltos, registando oito vitórias, um empate e uma derrota na dezena de partidas disputadas.

Dinamarca, Montenegro, Roménia, Arménia e Cazaquistão fizeram frente aos polacos, mas apenas um arranque em falso, com um empate a duas bolas no Cazaquistão e uma goleada, a meio do trajeto, em setembro do ano passado, na Dinamarca (4-0), foram as máculas do percurso da equipa que finalizou o agrupamento com 25 pontos, mais cinco que o 2º, Dinamarca.

A Estrela da Companhia

Fonte: PZPN

Chega à grande montra de um Campeonato do Mundo pela primeira vez na sua carreira, já depois de ter marcado presença nas duas últimas duas edições do Europeu. Aos 29 anos, vai partir para a Rússia com 40 golos pelo Bayern de Munique esta época.

Robert Lewandowski é não só um indefetível goleador, mas também um líder dentro de campo. Os seus olhos azuis de leste já fazem tremer qualquer defesa. Dentro da área ele é fogo, fora desconcerta qualquer organização.

A seleção vai procurar o seu abono de família no que a golos diz respeito. É ‘só’ o melhor goleador da história. Em 28 tentos obtidos pela Polónia na qualificação, ‘Lewa’ ‘só’ marcou 16…mais de metade, portanto!

A Revelação

Fonte: PZPN

A média de idades da seleção da Polónia é consideravelmente elevada, pelo que quando se fala de uma ‘revelação’, não é aquele protótipo do muito jovem jogador a despontar e a mostrar-se ao mundo.

Mesmo assim, Bartosz Bereszynski, lateral-direito da Sampdoria, com 25 anos, cumpriu a segunda época no emblema italiano e em 2017/18, de forma gradual, foi assumindo protagonismo na formação de Génova.

Na seleção, fez os 90 minutos nos últimos dois jogos da qualificação, frente a Arménia e Montenegro, mostrando também no plano internacional esse crescimento evidenciado no clube.

Mais, Bereszynski, depois de ter saído na época passada do futebol polaco para Itália, apareceu esta época a jogar na seleção na esquerda do quarteto defensivo. Veremos se a fórmula é para manter. Uma coisa é certa, o lateral tem a inteligência de jogo predestinada para jogar num grande clube europeu a breve trecho. O Nápoles parece que anda de olho…

O Treinador

Fonte: PZPN

Adam Nawalka, de 60 anos, está à frente dos destinos da seleção da Polónia desde finais de 2013 (tendo disputado o primeiro jogo apenas em janeiro de 2014), depois de ter deixado o comando técnico do Górnik Zabrze. Sucedeu a Waldemar Fornalik que havia falhado o acesso ao Mundial de 2014.

Como treinador, orientou ainda mais três clubes: Jagiellonia Bialystok, Wisla Kraków e Katowice. Como jogador, só conheceu as cores do Wisla Kraków, numa carreira que terminou muito cedo por lesão, e marcou presença no Mundial de 1978, ao serviço da ‘sua’ Polónia.

Reconhecido por ter uma personalidade forte e uma capacidade de trabalho fora do normal, Nawalka é amante do futebol italiano e duro na disciplina tática. Contudo, não é louco ao ponto de castrar a criatividade ofensiva do seu 4x2x3x1. Quase cinco anos de trabalho neste projeto fazem esta armada polaca cada vez mais robusta.

Nawalka entrou com o objetivo de se qualificar para o Euro 2016. Cumpriu, e chegou aos ‘quartos’. Agora, apurou-se para a Rússia de forma destacada. É sem dúvida uma equipa que pode bater o pé a qualquer uma!

Quão alto pode sonhar?

Fonte: PZPN

Bom, antes de mais, num grupo H com Japão, Colômbia e Senegal, a Polónia parece-me ser claramente favorita a ocupar um dos primeiros lugares e garantir um lugar nos oitavos-de-final.

Depois, é sempre meio o clichê, meio a realidade do sorteio que pode ditar o percurso de uma seleção neste tipo de competições. É certo que é ‘outsider’, pois claro.

O seu selecionador gosta muito de sublinhar uma palavra: “consistência”. Pois, numa prova curta e tão arduamente disputada, a consistência e frieza que esta seleção demonstra dentro do campo pode bem pender os pratos da balança de forma favorável. Entre o cinismo organizacional e o sentido prático ofensivo, esta Polónia é um perigo para quem tiver a ousadia de não lhes prestar a devida atenção.

Foto de capa: PZPN

Rúben Tavares

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