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Revista do Mundial 2018 – Portugal

Gonçalo Taborda · 5 min

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Em maio de 2016, poucos diriam que a Seleção das Quinas estaria, em junho de 2018, a embarcar para a Rússia na condição de Campeã da Europa. Mas já tudo foi dito e escrito sobre aquele mágico capítulo da história do futebol nacional. Chega, então, a altura de começar a escrever um novo.

Resta saber o que os rapazes de Fernando Santos nos irão dar: uma nova epopeia ou um horror? 

TRIVIA

– A melhor participação num mundial ocorreu em 1966, quando uma seleção protagonizada por Eusébio atingiu a meia-final. Caiu perante a Inglaterra (vencedora daquela edição) e garantiu o terceiro lugar após uma vitória face à União Soviética (URSS);

– O jogador com mais internacionalizações é Cristiano Ronaldo, que conta com 149 jogos de quinas ao peito;

– O melhor marcador é também “CR7”, com 81 golos;

 O PERCURSO

Fonte: FPF

A caminhada de Portugal para o Mundial não podia ter tido pior começo: num jogo em que ainda era aparente o efeito da euforia da conquista do Europeu, a Seleção Nacional foi à Suíça perder por 2-0.

Ao longo da qualificação, foi-se tornando aparente que esta derrota poderia sair cara. Desde cedo, os portugueses e os suiços surgiram destacados nos dois primeiros lugares, num grupo que ainda continha as Ilhas Faroé, Andorra, Letónia e Hungria – à partida, esta última seria a única equipa que ainda poderia causar dificuldades, mas acabou por ter um desempenho muito abaixo do que tivera no Euro 2016.

Entre o segundo e o penúltimo jogo desta fase, Portugal e Suiça não vacilaram: oito jogos e oito vitórias para cada. Assim, quando se chegou ao jogo final, entre as duas equipas, no Estádio da Luz, a Seleção das Quinas via-se obrigada a ganhar para garantir o acesso à fase de grupos do Mundial. Dito e feito: Johan Djourou marcou um autogolo e André Silva fez o 2-0, resultado final. Portugal estava, pela quinta vez consecutiva, na fase final de um Campeonato do Mundo.

Ao longo desta campanha, um dos grandes destaques foi o já referido André Silva. Com nove golos em dez jogos, foi o quarto melhor marcador da fase de qualificação europeia. Revelou desde cedo um fantástico entendimento com Cristiano Ronaldo (outro dos destaques, claro está), algo que certamente deixou muitos adeptos ansiosos por ver o que esta recente dupla poderá trazer à Seleção na em junho e julho, na Rússia.

A ESTRELA DA COMPANHIA

Fonte: FPF

Explicar porque é que Cristiano Ronaldo é a estrela da Seleção Portuguesa acaba por ser equivalente a explicar por que razão é que é saudável beber água. Assim, interprete-se estes parágrafos como um lembrete de tudo o que o extremo do Real Madrid representa para o futebol português.

Já foi aqui dito que é o melhor marcador de sempre da Seleção (81 golos), bem como aquele com mais internacionalizações (149). Em 2016, em Paris, tornou-se no primeiro capitão português de sempre a levantar o troféu de um torneio internacional de séniores. É um dos avançados mais completos no futebol atualmente, se não mesmo o mais completo.

Mas ser um avançado completo não significa ser um avançado infalível: muitas vezes, acaba por ser visto como um bode expiatório quando não corresponde às elevadas expectativas que os adeptos depositam em si. Caso as coisas corram mal a Portugal, a forma como “CR7” irá lidar com as críticas será fundamental na capacidade da seleção de dar a volta às situações adversas.

A REVELAÇÃO

Fonte: FPF

Mais do que a capacidade, André Silva tem a necessidade de ser uma revelação: após uma primeira época para esquecer no AC Milan, onde se viu incapaz de ganhar um lugar regular no onze inicial, o ponta de lança formado no FC Porto tem de ver este Mundial como uma chance de recuperar a sua confiança e, no fundo, se pôr na “montra” do mercado de transferências.

Se conseguir dar continuidade à forma que mostrou na fase de qualificação e mantiver a química que mostrou com Cristiano Ronaldo, André Silva poderá ser uma das grandes surpresas do Mundial e provar que esta desventura em Milão foi apenas um percalço.


O TREINADOR

Fonte: FIFA

Muitos lhe chamam “O Engenheiro”, mas uma etiqueta mais justa para Fernando Santos seria “O Cozinheiro”: isto porque, desde os seus tempos a treinar a Seleção da Grécia, aprendeu a fazer omeletes sem ovos. No mundial de 2014, levou os gregos, que tinham uma equipa no máximo mediana, aos oitavos de final pela primeira vez na história do país; em 2016, com a seleção portuguesa… bem, como já antes se disse, pouco mais pode ser acrescentado a essa discussão. Para resumir, levou uma equipa que, apesar da sua inegável qualidade, estava longe do brilhantismo da Geração de Ouro ao primeiro troféu internacional de séniores da sua história.

Fernando Santos é um treinador pragmático, sabe reconhecer as fragilidades das equipas que treina e consegue ajustar-se às mesmas. Sob a sua alçada, nem sempre há a garantia de um futebol bonito, mas haverá sempre a garantia de organização e disciplina.

Provavelmente irá apostar num 4-4-2, tal como fez no Mundial, com André Silva e Cristiano Ronaldo como atacantes.

Irá confiar na qualidade técnica destes dois e na de Bernardo Silva (que provavelmente jogará nas alas), aliada a uma forte coesão defensiva que terá William Carvalho como pilar no meio campo.

Desta vez, até se poderá dizer que Fernando Santos terá mais ovos; agora resta ver o que fará com eles.

QUÃO ALTO PODE SONHAR?

Fonte: FPF

Muitas vezes, parece que é moda ser pessimista relativamente à seleção nacional, independentemente da qualidade dos convocados. Aliás, o europeu foi uma das alturas em que este sentimento era mais vincado e, talvez, mais justificado. Mas todos sabemos como isso acabou.

Será errado, porém, estabelecer como expectativa mínima uma vitória no Mundial, esperar uma repetição do que aconteceu em 2016. Os jogadores são outros, os adversários são outros e a exigência é outra. Sendo pragmático, ao olhar para o grupo em que Portugal se insere, podemos esperar um segundo lugar, atrás da Espanha. Isto significa enfrentar o primeiro classificado do grupo A, composto por Rússia, Arábia Saudita, Uruguai e Egito. São quatro seleções que Portugal tem certamente a capacidade de derrotar, ainda que os uruguaios e os egípcios se possam revelar treiçoeiros (no amigável de março, Salah e companhia deixaram isso bem claro à Seleção Portuguesa).

Assim, sonhar com os quartos de final é mais que razoável. A partir daí, quem sabe o que pode acontecer? A partir do momento em que só se encontram oito seleções em competição, o pragmatismo começa a perder algum efeito; os favoritos deixam de o ser.

Foi dito no início que não se falaria mais do Europeu de 2016. Mas é necessário abrir aqui uma exceção. Porque se há coisa que essa competição ensinou àqueles de Quinas ao peito é que é possível ir mais longe. Já não somos a eterna seleção do “quase”.

 Foto de capa: FPF

Gonçalo Taborda

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