Revista do Mundial’2014 – Croácia

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cab croacia mundial'2014

Primeiro jogo do Mundial. O início da festa da Copa em São Paulo com um Brasil vs Croácia. É caso para dizer que tinha que calhar a fava a alguém. A selecção em que todos os jogadores parecem terminar em “ic”, comandada por Niko Kovac, pode ser uma das revelações deste Mundial, desde logo pelos nomes sonantes de jogadores como Modric (Real Madrid), Rakitic (por enquanto no Sevilha), e Mandzukic (Bayern de Munique), num grupo A em que se prevê uma difícil luta pelo 2ºlugar contra México e Camarões (o Brasil, esse, só com uma catástrofe não irá assegurar o 1ºlugar).

Com um apuramento bastante tremido, a Croácia ficou em 2º no Grupo A de Qualificação, a 9 pontos do 1ºlugar, a Bélgica. O play-off foi posteriormente discutido com a modesta Islândia, e a classificação para o Brasil foi apenas concluída no jogo em casa com um resultado de 2-0 (na Islândia tinha-se dado um empate sem golos), um pouco aquém daquilo que seria de esperar.

O que pode dar a Croácia neste Mundial? Um bom futebol de ataque, seguramente, já que os seus três médios criativos (Rakitic, Modric e Kovacic) estão acima da média no panorama mundial e podem dar azo a excelentes exibições em casa de um país conhecido pelo seu “joga bonito”. Desde 1998 (quando ficou em 3º) que a selecção vermelha e branca não passa da primeira fase, e 2014 parece um bom ano para o fazer.

A selecção croata acaba por ter pouca pressão, já que pouca gente acredita numa excelente prestação sua neste Mundial, não aparecendo sequer numa 2ª ou 3ª linha de favoritos. O que se espera, sim, são bons jogos contra México e Camarões, selecções com estilos de jogo muito distintos da Croácia, sendo certo que uma boa exibição na jornada inaugural contra o anfitrião brasileiro, com os olhos de todo o mundo postos na televisão, poderá fazer toda a diferença no seu trajecto.

 OS CONVOCADOS

Guarda-Redes – Stipe Pletikosa (Rostov), Danijel Subasic (Monaco) e Oliver Zelenika (Lokomotiv Zagreb);

Defesas – Darijo Srna (Shakhtar Donetsk), Dejan Lovren (Southampton), Vedran Corluka (Lokomotiv Moscou), Gordon Schildenfeld (Panathinaikos), Danijel Pranjic (Panathinaikos), Domagoj Vida (Dínamo de Kiev), Sime Vrsaljko (Genoa);

Médios – Luka Modric (Real Madrid), Ivan Rakitic (Sevilla), Ognjen Vukojevic (Dínamo de Kiev), Mateo Kovacic (Inter de Milão), Marcelo Brozovic (Dínamo Zagreb), Ivan Mocinic (Rijeka) e Sammir (Getafe);

Atacantes – Mario Mandzukic (Bayern de Munique), Ivica Olic (Wolfsburg), Eduardo da Silva (Shakhtar Donetsk), Nikica Jelavic (Hull City), Ante Rebic (Fiorentina) e Ivan Perisic (Wolfsburg).

A ESTRELA

Modric comandou o Real Madrid a La Decima Fonte: thepfa.com
Luka Modric
Fonte: thepfa.com

O artista da Croácia dá pelo nome de Luka Modric, um médio completo, formado no Dínamo de Zagreb, escola mítica de jogadores balcânicos, mas com uma vertente bastante completa no que toca à dimensão cognitiva. Viu a sua carreira ascender a outros palcos, talvez ao mais combativo da Europa, quando chegou ao Tottenham e à Premier League. Num país onde o futebol perde a táctica e a racionalidade, onde o coração manda mais que a razão e onde os adversários se atrevem a jogar sem coberturas e com constantes desequilíbrios defensivos, Modric adaptou-se, ganhou massa magra, e foi génio em terras de Sua Majestade.

Chegado ao Real Madrid pela mão de José Mourinho, Luka encontrou o famoso duplo pivot da era moderna, serviu de “volante”, mas não serviu o Real. Ainda que o croata não saiba jogar mal, sem grande expressão passou o primeiro ano na capital espanhola abaixo das expectativas.

Emergiu o verdadeiro jogador, puro, criativo quando confrontado com outra dinâmica, outro sistema de jogo. Carlo Ancelloti promoveu um 4-4-2/4-3-3 ao longo da temporada que permitiu ao croata recuperar toda a sua magia, mostrando a capacidade de acelerar o jogo sem correr e de caminhar entre-linhas como só os grandes jogadores sabem. A virtuosidade e a simplicidade do croata são compatíveis com a medalha da Champions que ganhou no passado dia 24 de Maio no Estádio da Luz e que certamente fará dele uma das coqueluches deste Mundial.

O TREINADOR

Niko Kovac Fonte: croatiaweek.com
Niko Kovac
Fonte: croatiaweek.com

Niko Kovac: O treinador croata de 42 anos, que enquanto jogador chegou até a ser capitão da selecção dos Balcãs, assumiu a função de seleccionador nacional em Novembro de 2013 (sendo o seu irmão Robert Kovac o seu adjunto), antes mesmo do derradeiro play-off de acesso ao Mundial contra a Islândia. Quando calçava as chuteiras passou por clubes como Hertha de Berlim, Bayer Leverkusen, Bayern de Munique e Red Bull Salzbug, e quando as retirou treinou apenas o Red Bull Salzburg e a selecção sub-21 croata antes de se impor como seleccionar nacional.

Talvez a experiência enquanto jogador na posição de meio-defensivo – com características que, além de lhe permitir ganhar a bola no meio-campo defensivo, também o possibilitavam de levar a bola no pé para o ataque -, o tenha feito assumir o 4-2-3-1 na selecção croata, com um meio-campo formado por Rakitic (o mais recuado dos três), Modric e Kovacic (com um papel mais livre no ataque), todos jogadores com poucas aptidões defensivas.

O ESQUEMA TÁTICO

11 croácia

Existem desde logo dois apontamentos a fazer. Em primeiro lugar, Mandzukic não poderá jogar o primeiro jogo do Mundial (contra o Brasil) por estar suspenso, e certamente Jelavic irá assumir o papel de número 9 na estreia da selecção croata.

Em segundo lugar, é uma incógnita como Kovac irá montar o meio-campo croata, já que que nenhum dos 3 supostos titulares (que o treinador utilizou em ambos os jogos do play-off) tem características defensivas, ainda que sejam bastante diferentes entre si. É possível que no jogo contra o Brasil o seleccionar croata ponha em campo um médio defensivo como Vukojevic (actualmente no Dynamo Kiev) de modo a assegurar a solidez defensiva da sua equipa, sendo, no entanto, algo pouco provável já que este, que é o único real médio-defensivo croata, teve apenas 2 minutos de jogo desde que Kovac está no comando técnico.

 

O PONTO FORTE

A criatividade no meio-campo. Não é fácil encontrar um meio-campo neste Mundial com características como as do meio-campo croata. Com a utilização do mais que do provável triângulo formado por Rakitic, Modric e Kovacic, a selecção dos quadrados vermelhos apresenta três médios criativos, playmakers, que, ainda que possa ter algumas deficiências a nível de solidez defensiva, permitem um estilo de jogo atractivo e bastante ofensivo.

Por infelicidade, Niko Kranjcar (Queens Park Rangers), mais um talento croata que poderia fazer parte deste meio-campo criativo, não pode estar presente neste Mundial por se ter lesionado no último mês de Maio.

O PONTO FRACO

A falta de explosão nas alas. Olic (34 anos) e Perisic (25 anos) não são os habituais extremos técnicos e velozes que sozinhos podem decidir um jogo. Se há criatividade que chegue e sobre no meio-campo, nas alas a questão é bem diferente e acaba por ser o principal handicap desta selecção. Resta a possibilidade de Kovacic jogar a extremo no caso de se der a entrada de um médio-defensivo no meio-campo croata.

Redação BnR
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