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Chile 0-1 Uruguai: Cavani desbloqueia e “Celeste” evita Colômbia nos quartos

Filipe Carvalho · 4 min

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A última jornada da fase de grupos da Copa América colocou frente a frente, o Chile e o Uruguai, em jogo decisivo do grupo C (não por questões de qualificação, mas sim de classificação). O Uruguai precisava dos três pontos para se qualificar em primeiro lugar e assim defrontar um “mais apetecível” Perú nos quartos de final, (em vez da congénere da Colômbia, liderada por Carlos Queiroz), enquanto que os chilenos precisavam apenas de um empate.

Adivinhava-se um jogo bastante tático e de “estudo” constante entre duas das favoritas à conquista do troféu, e assim foi. Apesar do equilíbrio, foi o Chile que entrou com ligeiro ascendente, impondo um jogo de posse, que teve como segredo a superioridade numérica na zona nuclear do meio campo (três homens de “La Roja” contra dois do Uruguai).

Os comandados de Reinaldo Rueda apresentaram-se com um 5-3-2 no processo defensivo que se desdobrava em 3-5-2 ofensivamente, o que lhe garantia segurança e domínio em todos os setores. Incrível como os chilenos ganhavam sempre as primeiras e segundas bolas, nesta fase da partida, graças à forte reação à perda.

Passada a fase inicial do primeiro tempo, a “Celeste” “lembrou-se” que o primeiro posto seria melhor que o segundo e começou a crescer no jogo. Suárez aos ’22 fintou o guarda-redes e teve tudo para fazer o golo, mas não levantou a cabeça e desperdiçou assim uma oportunidade, como não é hábito desperdiçar.

Fonte: AUF – Selección Uruguaya de Fútbol

Na segunda parte a equipa chilena manteve-se superior na partida. Mais rápidos, mais agressivos, mais incisivos, só lhes faltava o golo, mas para isso tinham de ultrapassar duas torres: Gímenez e Godín. Não se afigurava tarefa fácil aos avançados do Chile.

Voltou ainda mais apático do balneário, este Uruguai. Os jogadores não se mostravam apressados em resolver, o mais rápido possível, as contas do grupo. Estranho, no mínimo. Parecia que não tinham receio de enfrentar a já mais que provável Colômbia. Ou isso, ou tinham fé nos seus homens-golo, que não precisam de muitas chances para marcar.

Um jogo quase sem ocasiões dignas de registo, até que ao minuto ’69, o central do Atlético de Madrid, José María Gímenez teve que saltar em cima da linha de baliza para tirar de cabeça, uma bola de Díaz que levava selo de golo.

Com as entradas de Nández e de Rodríguez, o Uruguai ganhou fulgor ofensivo e mais gás para pressionar a saída de bola dos adversários na sua zona mais recuada. Bem visto pelo experientíssimo Óscar Tabárez, ao colocar duas flechas apontadas à baliza chilena, não pondo em causa a segurança defensiva da sua equipa.

Os adeptos de ambas as seleções já se contentavam com as respetivas posições e já se previa um empate a zero. Quando menos se esperava aconteceu. Um golpe de classe de Cavani aos ’82 (com assistência do ex-Benfica, Jonathan Rodríguez), colocou a “Celeste” no primeiro lugar do grupo, livrando-se da Colômbia, bem organizada pelo português Carlos Queiroz.

Depois do golo, o Uruguai limitou-se a defender, perante as investidas de Alexis Sánchez e companhia. Apesar da vitória uruguaia, este foi um daqueles jogos que ninguém merecia perder. O Chile foi superior durante 80 minutos. Foi melhor em quase todos os aspetos do jogo, menos no mais importante: o da finalização.

Encerrada a fase de grupos da Copa América 2019, o Uruguai qualifica-se para os quartos de final, onde irá defrontar o Perú, enquanto que o Chile vai ter pelo caminho a Colômbia, num jogo que teria todos os ingredientes necessários para ser uma final da competição, não fosse o sorteio ditar este encontro já na próxima fase da competição.

 

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Chile: Arias, Maripan, Jara (Castillo, ’90), Medel (Lichnovsky, ’55), Opazo, Díaz, Pulgar, Aranguiz, Hernandez, Sanchez e Vargas (Fernandes, ’77)

Uruguai: Muslera, Cáceres, Godín, Gímenez, González, Bentacur, Valverde (Coates, ‘90+1), Lodeiro (Nández, ’46), De Arrascaeta (Rodríguez, ’76) Cavani e Suárez

A FIGURA

Fonte: AUF – Selección Uruguaya de Fútbol

Edinson Cavani – Não só pelo golo decisivo que marcou, mas também pelo que trabalhou defensivamente na ajuda a Bentacur e Valverde. O seu jogo foi beneficiado com as substituições realizadas. Hoje não foi um 9 como costuma ser no PSG. Também não foi um número 10. Pode-se dizer que foi um 9,5 de excelência, de grande classe. É pena que esteja num clube destinado ao fracasso na europa. Merecia mais e melhor. Ainda vai a tempo de sonhar com outros voos.

O FORA DE JOGO

Fonte: Federación de Fútbol de Chile

Seleção chilena – É quase um crime ter que eleger alguém que tenha estado mal nesta partida. Mas jogos desta natureza são decididos por detalhes. E os chilenos cederam nos últimos dez minutos. Sofreram com a saída do seu capitão e patrão da defesa, Gary Medel. A não ser por limitações físicas, não vejo razão para ter sido retirado de campo. A equipa e principalmente a defesa não voltou a ser a mesma. Desordem, anarquia e confusão. É o que acontece quando não há um líder.

 

Foto de Capa: AUF – Selección Uruguaya de Fútbol

Filipe Carvalho

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