Chile 0-3 Peru: “Incas” aproveitam condição de “outsider” e surpreendem bicampeão em título

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Na segunda meia final, um corajoso Peru venceu o Chile por três bola a zero, e irá defrontar o anfitrião Brasil na final, no mítico Maracanã. Os golos de Flores, Yotún e Paolo Guerrero deixaram assim pelo caminho, uma das seleções favoritas à conquista da Copa.

Os “Incas” entraram com vontade de visar a baliza chilena. A primeira ocasião de perigo ocorreu logo aos dois minutos: remate fraco de Cueva, a passar próximo do poste da baliza chilena. Ainda assim, serviu para deixar em sentido a ainda adormecida defesa do Chile.

A alta pressão exercida pelos peruanos, não deixava os comandados de Reinaldo Rueda praticarem o jogo apoiado e a construção entre linhas que costumam utilizar para desbloquear as defesas contrárias. Exceção feita a uma boa jogada pelo corredor esquerdo, finalizada por Aránguiz.

Praticava-se um futebol bastante intenso, exigente do ponto de vista físico. Como se diz na gíria, estava um “jogo partido”: bola cá, bola lá. Empolgante para os adeptos e bom para o espetáculo. Quem não costuma gostar deste tipo de jogo são os treinadores.

O Perú, a surpresa nestas meias finais, a beneficiar de jogar sem tanta pressão, jogava mais “solto”, sem problemas em sair para o ataque ou de fazer posse de bola no meio campo adversário. As combinações entre Flores, Cueva e Carrillo nas costas de Guerrero, faziam as delícias dos “Rojiblancos”.

Já do outro lado, os chilenos pareciam acusar um nervoso miudinho, inerente ao favoritismo que detinham. Apostavam mais num jogo direto (que em nada os favorecia), em vez do seu estilo de jogo habitual: mais rendilhado e construído a partir de trás pelos médios de “La Roja”.

Adivinhava-se uma mexida no marcador. Aos 21’, Edison Flores, na sequência de um pontapé de canto, apareceu sozinho ao segundo poste, a rematar cruzado para o fundo da baliza de Gabriel Arias, após toque subtil de cabeça de André Carrillo no coração da área. Um a zero para os “Incas”.

Na reação ao golo sofrido, o Chile, agora com mais posse, tentava encostar às cordas o Perú, mas perdia muitas bolas em zonas de construção. Muitas delas, sem oposição ou pressão peruana.

À passagem do minuto 38, Yotún faz o 2-0 para os pupilos de Ricardo Gareca. Saíde “em falso” do guarda redes chileno deixa Carrillo à vontade para cruzar para a entrada da área, com o médio peruano a rematar certeiro para uma baliza deserta.

Numa fase em que o Chile ganhava superioridade no meio campo contrário, o Perú faz o segundo golo numa jogada caída do céu. Acontecia de tudo aos bicampeões da Copa América. Não era, definitivamente, a noite de Vidal e companhia.

À imagem do seu capitão, 11 “Guerreros” peruanos dominavam por completo, um Chile sem ideias e de certa forma, apático… ou surpreendido. A estratégia do selecionador argentino do Perú ditava o resultado.

Fonte: CONMEBOL

Após o intervalo, Aléxis Sánchez e Eduardo Vargas eram dos poucos inconformados, com vontade de inverter a situação. Ficou registada bola no ferro aos 50’ após cabeceamento de Vargas na sequência de um livre.

Apesar de tentativa dos chilenos, as melhores chances de golo continuavam a ser do Perú. Primeiro, Yotún falhou na concretização de um contra-ataque quase perfeito aos 59’. Depois foi Cueva a tentar de longe aos 62’.

A partir da última meia hora de jogo, deu-se início a um festival de golos falhados. Foram várias as oportunidades. Tentou Aránguiz, Beausejour, Sánchez, Vidal e até Isla, mas a bola não queria entrar. Quando não saía fora do alvo, era Gallese que não deixava.

Após “limpar” a Colômbia do caminho até à final, o Chile pensou que o jogo com o Perú fosse um jogo de treino para marcar calendário…, mas enganou-se. Aproximava-se o final da partida, e o Perú geria a seu belo prazer, a posse de bola longe da sua baliza. Ouviam-se “olé’s” vindos das bancadas da Arena do Grémio. O Perú divertia-se a trocar a bola. O Chile corria atrás dela.

Até que, já no tempo de compensação, o experientíssimo Paolo Guerrero, com classe, ultrapassa Arias e “mata o jogo”.

No último minuto dos descontos, o VAR descobre (corretamente) um penalti que dava ao Chile, a oportunidade para um golo de honra. Mas Vargas, displicente, à “panenka”, permite a defesa a um dos homens em destaque na partida, Pedro Gallese, o guardião peruano.

Se o futebol fosse um desporto linear, em que o mais forte vence sempre o mais fraco, ninguém imaginaria este desfecho nas meias finais desta Copa América. São este tipo de jogos que fazem qualquer apaixonado pelo desporto rei, abstrair-se de todos os milhões e polémicas que rodeiam este espetáculo, focando-se apenas e só, no mais importante: o jogo dentro das quatro linhas.

Desta, nem os deuses do futebol esperavam. Vitória sem questão do Perú. Corajosos e guerreiros. Souberam aproveitar as armas que tinham. Alguém lhes deve ter dito: “bola no pé, cabeça levantada, vamos fazer uma gracinha”, e assim foi.

A final da competição será dia 7 de julho às 21h, hora de Portugal continental. 

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Chile: Arias, Beausejour, Maripán (Castillo, 89’), Medel, Isla, Pulgar, Aránguiz, Vidal, Fuenzalida (Sagal, 46’), Alexis Sanchéz e Vargas.

Perú: Gallese, Traúco, Abram, Zambrano, Advíncula, Tapia, Yotun, Flores (Gonzáles, 49’), Cueva (Ballón, 79’), Carrillo (Polo, 70’) e Guerrero.

Filipe Carvalho
Filipe Carvalhohttp://www.bolanarede.pt
O Filipe é um adepto do futebol positivo, diretamente do Alentejo, deu o salto para a Beira Interior em busca do sonho: a formação em Comunicação que o leve à ribalta do jornalismo desportivo.                                                                                                                                                 O Filipe escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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