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Copa América Centenário 2016: Uma estreia a medo na 1.ª jornada

Paulo Sousa · 7 min

Copa América Centenário 2016: Uma estreia a medo na 1.ª jornada

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Cabeçalho Futebol Internacional

Terminada a 1.ª jornada desta CA, segue um curto rescaldo do que foram os jogos de abertura de cada um dos grupos. Podemos perceber que algumas equipas se estrearam a medo – mais interessadas em não perder do que ganhar – talvez pelo fato de alguns dos jogos colocarem frente-a-frente favoritos do grupo.

GRUPO A

No rescaldo deste grupo A – visto como o mais equilibrado da CA – assistimos a uma Colômbia a mais para um EUA a menos, no jogo da abertura. Algo previsível, diga-se! Vimos uma Colômbia com uma intensidade forte e um futebol com critério. A Colômbia levaria facilmente de vencido o desafio com os EUA (2-0), fruto de uma 1ª parte sólida e de um futebol com critério, que só não foi alargada na 2ª parte porque Bacca foi infeliz numa das finalizações. Previsibilidade essa estendida ao jogo entre Costa Rica x Paraguai (0x0). Um futebol bem ao estilo de cada uma das seleções, que se equivaleram em termos de competitividade e no resultado. Creio que ambos os desfechos eram os esperados.

Os colombianos entraram com o pé direito Fonte: Copa América Centenário
Os colombianos entraram com o pé direito
Fonte: Copa América Centenário

Anatomia do golo em destaque da 1ª jornada no Grupo A vai para o 1 a 0 da Colômbia – marcado pelo veterano Zapata – após um lance de canto estudado. Aposta declarada dos EUA em defender homem-a-homem, quebrada pelo excelente movimento de fuga à marcação e uma estratégia de bloqueios previamente pensada. Um remate fulminante que uma defesa zonal teria evitado o golo.

A exibição de destaque vai para o talentoso jogador Colômbiano do Monterrey – Edwin Cardona, com a camisa 8, que foi o grande impulsionador do meio campo e que esteve presente em alguns dos melhores momentos da sua seleção.

GRUPO B

O grupo B, teve um jogo entre Haiti e Peru (0-1), onde o resultado se aceita, pecando por escasso, mas compreensível dadas as inúmeras baixas com que o Peru se apresenta nesta CA. Ainda assim, poderia e deveria ter feito mais golos se ainda quer discutir uma eventual qualificação para a próxima fase, já que os golos poderão vir a ser um critério de desempate no grupo. A figura do jogo acabou por ser o Guarda-redes do Haiti (Johnny Placide) Ojogo em destaque, teve um Brasil que demonstrou receio em assumir as rédeas do jogo e arriscar-se por uma vitória frente ao perigoso Equador. Dunga previsivelmente montou o seu meio campo mais preocupado em não sofrer golos do que os marcar, com: Casemiro, Elias e Renato Augusto para manter a posse de bola e trabalhar a sua circulação, mas prescindiu de um meio campo criativo e com capacidade de construir situações de golo. Assim, terminou o 1º jogo com uma percentagem de 91% de acerto nos mais de 570 passes realizados – 522 passes certeiros – mas que pouco ou nada valeram no resultado, já que apenas rematou 3 vezes à baliza. O Equador por outro lado mostrou-se bem sólido na defesa, com J. Paredes e A. Mina a serem as referências mais agressivas do quarteto, e poderia ter mesmo vencido o jogo caso o frango de Alisson não tivesse sido erradamente invalidado – já que a bola, no momento do remate do 23 Bolaños, não saiu.

O Brasil desiludiu na estreia Fonte: Copa América Centenário
O Brasil desiludiu na estreia
Fonte: Copa América Centenário

Anatomia do golo em destaque da 1ª jornada no Grupo B vai para o lance de ataque do Brasil logo ao minuto 5 do jogo, após recuperação de bola de Elias no meio campo ofensivo, deixa a bola para o irreverente Willian desequilibrar no 1 para 1 em cima do Ayoví e cruzar para a frente da pequena área, onde apareceu P. Coutinho a finalizar para excelente defesa de Esteban Dreer.

A exibição de destaque vai para guarda-redes do Haiti J. Placide que dada a sua concentração e posicionamento permitiu que o Haiti conseguisse discutir o resultado até ao último minuto do jogo. Caso contrário teria destacado o J. Paredes do Equador pelo seu exímio desempenho defensivo nos duelos individuais.

GRUPO C

O grupo C começou com um apático Jamaica x Venezuela (0-1). A equipa Viño Tinto acabou vencendo o jogo contra a Jamaica, mas não merecidamente. Já que esta se não se tivesse visto privada de Rudy Austin – expulso ainda no 1º tempo – e de duas bolas no ferro poderia ter feito uma graça inesperada. Com menos um jogador a Jamaica merecia ter saído com pelo menos 1 ponto. Ainda assim, este grupo C tinha como aliciante um dos ‘jogos grandes’ desta CA: México x Uruguai. E, não defraudou as expectativas! Como havia referido no artigo de antevisão desta Copa Centenária, estava ansioso e confiante para ver a prestação deste México nesta competição realizada nos EUA (perante praticamente o seu público mexicano). O México entrou e terminou com tudo o jogo frente a este aguerrido Uruguai. Podemos afirmar que ficamos, apenas após este jogo, com a sensação que a CA tinha, de fato, começado! Este México (3-1) Uruguai foi um jogo tipico do futebol latino-américo: intenso, de verticalidade, de raça, de euforia, de fúria, de imprevisibilidade, de patriotismo, de ameaças ao árbitro e de muitos conflitos entre jogadores. Venceu quem: foi mais eficiente (a equipa que rematou mais vezes à baliza: 6/12 contra 1/6); e fez mais passes 315 (254 certos) contra 238 (207 certos). O Uruguai foi mais eficaz nos remates (100% com golo no único remate entre os postes) e nos passes (com 87% de acerto face aos 81% do México), só que fez tudo a menos que o seu adversário!

Herrera foi um dos marcadores Fonte: Federación Mexicana de Futbol Asociación, A.C.
Herrera foi um dos marcadores
Fonte: Federación Mexicana de Futbol Asociación, A.C.

Anatomia do golo em destaque da 1ª jornada no Grupo C vai para o golo da vitoria Venezuelana que após passe errado de um meio-campista jamaicano, recupera a bola, faz 4 passes rápidos, uma triangulação perfeita e um movimento de ruptura com conclusão irrepreensível de Josef Martínez.

A exibição de destaque vai para os 10 minutos de Raúl Jiménez (México), pois foi o autor das duas assistências que deram os golos da vitória do México. Ao longo da época se revelou o desbloqueador das decisões finais nos jogos do Benfica e parece ter trazido a mesma tónica de suplente de luxo para o México.

GRUPO D

No grupo D, tal como no grupo C, teríamos um jogo de menor expressão e um jogo de grande destaque. O grupo abriu com um Panama x Bolívia (2-1), onde já se esperava um Panama mais preparado dada a melhor forma recente em relação à Bolívia. No final, as estatísticas demonstraram o porquê de um vencedor. Ainda que as mesmas digam que foi equilibrado ao nível do nº de passes (Panama – 245 e Bolívia – 248), o mesmo já não se pode dizer da eficácia dos mesmos (Panama – 82% e Bolívia – 75%) e referente ao nº de remates (Panama – 16, 7 à baliza e Bolívia – 5, 2 à baliza). Em destaque esteve o veterano Blas Pérez do Panama. O grande jogo da jornada foi o Argentina x Chile (2×1). Um jogo ao nivel do México x Uruguai do Grupo C. A Argentina jogou com qualidade e inteligência. Soube ser paciente e apostou forte nas transições ofensivas e no contra-ataque rápido. Aproveitou os espaços concedidos por uma falta de organização defensiva evidente do Chile. Conseguiu um resultado importante frente a um adversário difícil que tem crescido muito nos últimos anos. Verdade, que a Argentina sem o astro Messi teve em Di Maria e Éver Banega os homens do jogo, mas não foi superior em tudo. Aliás, apenas nos remates: 16 contra 9. Mas, valeu-lhe Romero na baliza (até ao último lance do jogo que deu o golo do Chile) já que defendeu 5 dos 6 remates entre os postes (uma delas soberba a remate de Alexis Sánchez). Já na posse e circulação de bola, contabilizando o número de passes, o Chile fez 523 contra 351 da Argentina.

Dí Maria esteve em destaque Fonte: Copa América Centenário
Dí Maria esteve em destaque
Fonte: Copa América Centenário

Anatomia do golo em destaque da 1ª jornada no Grupo C vai para os dois golos da argentina que são praticamente uma fotocópia um do outro. No primeiro é Banega que recupera a bola no meio campo e progride com ela pelo meio libertando para Di Maria na esquerda finalizar ao 1º poste; e no segundo é Di Maria que progride com a bola pelo meio desde o meio campo e passe para Banega na esquerda finalizar ao 1º poste. Tudo idêntico onde creio que Claudio Bravo (Chile)poderia e deveria ter feito mais!

A exibição de destaque vai para Di Maria (Argentina), pois assumiu o jogo no lugar de Messi, mesmo condicionado emocionalmente, como demonstrou no final do jogo, com a morte da sua avó. Por esta razão o destaque vai para si, que também teria sido igualmente merecido para Banega.

Concluindo, será relevante apontar:

Jogo da Jornada: México [3 x 1] Uruguai

Equipas em destaque da Jornada: México e Argentina

Figuras da Jornada: Placide (HAI); J. Paredes (EQU); B. Pérez (PAN); Di Maria (ARG) e R. Jiménez (MEX)

Fora-de-jogo da Jornada: Higuaín (ARG); A. Vidal (CHI), Elias (BRA), Cavani (URU) e C. Bravo (CHI)

Paulo Sousa

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