Real Madrid CF 3-7 Club Atlético Madrid: Uma goleada à antiga com cheirinho português

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Em mais um jogo da Taça Internacional dos Campeões (International Champions Cup), o calendário ditou um clássico madrileno por terras americanas. O Atlético Madrid venceu o Real por sete bolas a três, nesta que foi uma goleada das “antigas”.

Adivinhava-se um jogo com muitos golos, a partir do momento em que Diego Costa marca o primeiro aos 44 segundos, após passe da nova “coqueluche” do Atlético, João Félix. Era notável a agressividade defensiva do Atlético e a simplicidade de processos no momento ofensivo.

Primeiro assistiu, depois marcou. Bastou um toque subtil de Félix, no coração da área, para fazer o dois a zero, após passe de Saúl (8’). Início estrondoso dos comandados de Simeone: dois remates, dois golos.

Do lado do Real Madrid, o único inconformado era Vinícius. Foi ele o dono da maioria das investidas ofensivas Merengues, ainda que em nenhuma tenha tido grande sucesso. E quando o Real aparentava sinais de querer melhorar, Correa aproveitou a desorganização da defesa adversária e marcou o terceiro golo para o Atleti (19’).

O Atlético a jogar no contra-ataque, a não dar hipótese ao eterno rival. Eficácia extrema. Há que dar mérito aos “colchoneros”, mas este Real tem muito que trabalhar, sobretudo defensivamente. Isto é, se quiserem voltar aos tempos não muito longínquos de glória europeia. Tempos esses, que por acaso, coincidiram com a presença de um tal de Cristiano Ronaldo no Santiago Bernabéu.

À passagem do minuto 27’, novamente o matador do costume, Diego Costa, a rematar certeiro, após recuperação de bola de Saúl, fruto da pressão alta exercida pelos dois médios do Atlético no pontapé de baliza do Real. 4-0.

Só depois da primeira meia hora é que o Real Madrid começou a tentar mandar no jogo. Mas a circulação de bola era lenta e demasiado previsível. Assim tornava-se cada vez mais complicado ultrapassar a muralha defensiva do Atlético, que defende com os onze jogadores!

A primeira situação de golo do Real surgiu apenas aos 38’ minutos da primeira parte, através do remate de Vinícius Junior ao poste da baliza de Oblak. E que mais poderia acontecer ao Real neste jogo? Um penalti convertido por Diego Costa (hat-trick), na sequência de uma entrada imprudente de Isco sobre o próprio Diego, em cima do intervalo.

O Atlético foi muito superior aos merengues
Fonte: Club Atlético Madrid

Na segunda parte, era a continuação do pesadelo para o Real Madrid. Processos simples e futebol vertical. Livre indireto, bola em João Félix, que faz mais uma assistência primorosa para o “póquer” de Diego Costa, que com frieza coloca a bola por cima de Keylor Navas e faz o sexto golo para o Atletico (51’). Mais uma vez, com a defesa do Real a dormir…

Aos 59’, Nacho fez o primeiro golo do Real, na resposta a um cruzamento de Hazard. Titular neste encontro, mas só à hora de jogo é que o génio belga conseguiu criar o primeiro desequilíbrio.

E como um dérbi não é um dérbi sem confusão e polémica, o autor de quatro dos sete golos do Atlético, pontapeou Dani Carvajal, que ripostou, acabando ambos com ordem de expulsão. Diego Costa a “borrar a pintura”. Um excelente jogador, antes do sangue começar a ferver. É pena não ser tão frio nas relações com os adversários, como é em frente à baliza.

Ao minuto 70’, já depois de muitas mexidas de parte a parte nos onzes titulares, Vitolo fez o que quis da defesa do Real, antes de rematar para o sétimo golo do Atlético (70’).

À medida que se aproximava o final da partida, o jogo tornava-se mais calmo, ou seja, mais de posse para ambas as equipas. E ainda deu para se notar a qualidade de alguns jovens da cantera dos rojiblancos, em especial Sergio Camello.

Aos 84’, o antigo jogador do FC Porto, Héctor Herrera cometeu falta dentro de área e Benzema fez de penalti o segundo golo dos blancos. Antes do apito final, Sánchez fez o terceiro golo do Real Madrid, fixando o resultado final em 7-3.

Certamente, nem nos melhores sonhos, Diego ‘El Cholo’ Simeone imaginaria este resultado. Mas aconteceu, e por mérito do Atlético. Podemos observar, a espaços, o que pretende o técnico argentino para a nova temporada. Defensivamente: linhas muito próximas; agressividade à perda da bola; e todos defendem. Ofensivamente: o contra-ataque habitual de Simeone, aliado à simplicidade de processos; jogo vertical; extremos por dentro; laterais dando profundidade. Os adeptos colchoneros bem podem estar otimistas para o que aí vem.

Se o Atlético já tem rotinas e já joga como um todo, o Real é quase o oposto. Parece que começaram a pré-epoca no dia anterior a este jogo. Correu tudo mal. E não dá para entender especificamente o porquê. É notório que ainda têm bastantes excedentários, jogadores jovens, jogadores contrariados… Mas é importante que o treinador francês comece a impor o bom futebol que a equipa praticou aquando da sua ultima passagem pelo Bernabéu. Com adeptos exigentes como os que têm, rapidamente pode “chover” lenços blancos…

ONZES E SUBSTITUIÇÕES

Real Madrid: Courtois (Navas, 46’), Marcelo (Bale, 62’), Nacho, Ramos (Sánchez, 62’), Odriozola (Carvajal, 46’), Kroos, Modric (Kubo, 62’), Isco (Rodrygo, 62’), Hazard (De La Fuente, 62’), Vinicius (Vázquez, 46’) e Jovic (Benzema, 28’).

Atlético Madrid: Oblak, Lodi (Sanchez, 66’), Hermoso (Montero, 66’), Savic (Felipe, 66’), Trippier (Munoz, 66’), Lemar (Sanabria, 66’), Koke (Llorente, 66’), Saúl (Herrera, 66’), Félix (Vitolo, 66’), Morata (Correa, 13’) e Costa.

Filipe Carvalho
Filipe Carvalhohttp://www.bolanarede.pt
O Filipe é um adepto do futebol positivo, diretamente do Alentejo, deu o salto para a Beira Interior em busca do sonho: a formação em Comunicação que o leve à ribalta do jornalismo desportivo.                                                                                                                                                 O Filipe escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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