Publicidade

A força desafiadora que encantou o mundo do futebol

César Mayrinck · 4 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

A seleção do Haiti terminou de forma brilhante a sua participação na Copa Ouro de 2019. Os haitianos terminaram a fase de grupo com 100% de aproveitamento e ficando assim à frente da Costa Rica. Na semifinal, o adversário foi o favorito México. Jogando um bom futebol, o Haiti sucumbiu apenas na prorrogação. Mesmo eliminado, não teve motivo de tristeza para os haitianos. O futebol no país caribenho até certo ponto é surpreendente devido a tudo que o país passou nos últimos anos. Pois, se pensarmos em um pequeno país sofrendo com furacão, terremoto, crise econômica e estado de calamidade, não vislumbraríamos que teria força para algo como o esporte. Porém, o futebol tem a sua força e une um povo.

A Seleção Haitiana

O Haiti tem apenas três jogadores que atuam no próprio país. Os grandes destaques são o lateral esquerdo Guerrier, do Karabakh-AZE, e o jovem atacante Frantzidy Pierrot, do Mouscron-BEL. Na última temporada Pierrot marcou oito gols no campeonato belga.  Muitos jogadores que atuam pela seleção praticamente nunca viveram no país. Alguns foram adotados ainda quando bebês. A Federação de Futebol do Haiti, mesmos sem recursos, realizou uma rede de observação pelo mundo para ver quais jogadores poderiam atuar pela seleção. A intenção era fortalecer o elenco com atletas que tivessem mais estrutura do que os que viviam no país. Em 2011, o Haiti foi treinado pelo brasileiro Edson Tavares. Em uma entrevista, o brasileiro relatou um pouco sobre o desafio de treinar o Haiti:

Aqui os jogadores fazem uma refeição por dia. E isso já é um privilégio, em comparação com o resto da população. O centro de treinamentos está sendo construído, o campo é duro. Não temos bolas suficientes. Já tivemos um fornecedor de material esportivo, hoje não temos mais. É tudo fruto de doação. Eu é que tenho de correr atrás para conseguir um fornecedor, para ver se a gente consegue passar para um patamar mais profissional – lamenta ele em entrevista dada ao portal O Globo.

Oito anos se passaram desde essa entrevista com o ex-treinador da seleção haitiana. Atualmente, o cenário melhorou um pouco. O Haiti conta com uma patrocínio de material esportivo que entrega à Federação materiais, como uniformes e bolas, e recurso financeiro. Nada muito grandioso comparado a diversas seleções, mas é uma ajuda muito importante.

O Haiti participou da Copa do Mundo de 1974 (eliminado na primeira fase) e conta com dois títulos em sua história. A CONCACAF Championship (atual Copa Ouro) em 1973 e a CFU Championshp de 2007, competição disputada apenas pelas seleções do Caribe.

O Futebol no Haiti

A alegria da torcida haitiana na Copa ouro comoveu e foi um espetáculo à parte na competição.
Foto: FHF

Fazer o futebol haitiano crescer é o grande objetivo de todos que amam o esporte naquele país. O campeonato nacional conhecido como Digicel Première Division é disputado por 16 equipes e assim como ocorre em muitas ligas latinas é dividido em dois turnos, Ouverture e Clôture. Sendo que o campeão de cada turno é considerado como o campeão nacional. Apesar de serem clubes profissionais, na prática ainda são muito amadores. A maioria dos jogadores precisam ter outra ocupação para completar a renda. No Haiti, jogador de futebol que apenas se dedica ao esporte é exceção.

Um país que ressurge das cinzas

O Haiti é o país mais pobre das Américas. A situação econômica se tornou mais grave após o terremoto que atingiu o país em 2010. Cerca de 200 mil pessoas morreram. Muitas destas foram, enterradas em valas comuns. O caos aumentou, ainda mais, quando em 2014 o furacão Matthew passou pelo Haiti deixando mais um rastro de mortes. Todas essas tragédias causaram pânico e deixaram a população quase sem infraestrutura. Com um sistema de esgoto precário um surto de cólera atingiu a sociedade. Estamos falando de várias situações graves em um pouco espaço de tempo. Muitos haitianos deixaram o país em busca de melhores condições de vida em outros lugares. Entretanto, apesar de todo o caos o país vai ressurgindo das cinzas, literalmente. Um plano de reconstrução do Haiti, que inclui a construção de moradia para a população atingida está em prática. Ainda de maneira lenta, mas aos poucos as pessoas voltam a terem uma rotina.

A esperança que vem do futebol 

A alegria em hoje fazer parte das grandes seleções da CONCACAF, alegra os haitianos que se reunem para assistir os jogos da seleção. Torcer pelo Haiti é um momento para esquecer um pouco os problemas. Um momento para se sentir ainda mais haitiano e ter orgulho disso. O futebol do Haiti continua evoluindo. Evidente que a situação complicada do país inibe alguns avanços. Mas dentro das possibilidades o futebol cresce e o povo se alegra em ter o nome do seu país sendo destaque nos jornais de maneira positiva e não apenas pelas tragédias. Atualmente apenas podemos afirmar uma coisa: O futebol no Haiti pulsa e vive!!!

 Foto de Capa: CONCACAF

César Mayrinck

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quatro pontos de distância, muito mais em jogo | Braga x Sporting

O Estádio Municipal de Braga recebe, esta sexta-feira, 9 de outubro, às 20h15, um dos encontros mais aguardados da oitava jornada da Primeira Liga portuguesa 26/27. Braga e Sporting estão separados por quatro pontos, num duelo que pode ter consequências importantes nas ambições das duas equipas. Os leões ocupam o terceiro lugar, com 15 pontos, ainda sem derrotas, mas já a seis do líder FC Porto. Os arsenalistas seguem na sexta posição, com 11 pontos e um jogo em atraso, procurando aproveitar o fator casa para se aproximar dos lugares cimeiros. A equipa de Carlos Vicens chega ao encontro depois de um empate sem golos diante do Santa Clara, numa temporada em que tem revelado consistência defensiva, mas também algumas dificuldades na concretização. Com apenas sete golos marcados em seis jornadas, o Braga apresenta números ofensivos modestos para as suas ambições. Do outro lado, o Sporting de Rui Borges continua invicto, mas os empates consecutivos frente a Famalicão e Arouca impediram os leões de acompanhar o ritmo do FC Porto. A formação leonina soma 17 golos em sete partidas, mas já consentiu oito, um indicador das dificuldades que tem sentido para controlar determinados momentos dos encontros.

Tiago Campos · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.