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Portugal 4-0 Rep. da Irlanda (sub19): Domínio coletivo assinado por Gonçalo Ramos

Alexandre Candeias · 4 min

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De olhos postos no jogo decisivo do Campeonato da Europa, as seleções sub19 de Portugal e República da Irlanda defrontaram-se na primeira meia-final da competição, disputada na Arménia. A turma lusa chegava a este encontro após uma vitória de 4-0 sobre a equipa anfitriã, assegurando o primeiro lugar do grupo A. Por seu lado, os irlandeses vinham de uma vitória pela margem mínima (2-1) ante a República Checa, que lhes garantiu o segundo lugar do grupo B, atrás da França.

Portugal, conforme se esperava, assumiu desde início o controlo da posse de bola, procurando variações rápidas de flancos e ataques velozes, de forma a tentar desmontar o “autocarro” estacionado pelos irlandeses em frente à baliza de Maher. Com certeza conhecedores do facto dos três golos sofridos pela Irlanda no torneio terem partido de cruzamentos pela direita da sua defesa, os jogadores portugueses iam apostando sobretudo na exploração desse corredor, com Tomás Tavares e Félix Correia em evidência.

Apesar do “banho de bola”, cortesia dos lusitanos, as oportunidades claras tardavam em aparecer, sobretudo devido à enorme quantidade de homens que a equipa irlandesa colocava atrás da bola. O primeiro remate com algum perigo surgiu ao minuto 22, pelo criativo Fábio Vieira, que, perante tanta dificuldade em conseguir entrar na área oposta, apostou numa tentativa a meia distância, passando a poucos centímetros do poste da baliza adversária.

Ao minuto 30, nova oportunidade para a equipa nacional marcar, desta vez soberana: após um exímio domínio de Fábio Vieira, a bola chega a João Mário, que tira subtilmente um adversário do caminho, tendo este recorrido à falta e “oferecendo” uma grande penalidade a Portugal. Chamado a marcar, o capitão Vitor Ferreira converteu com tranquilidade, tal como havia acontecido frente à Arménia. Estava “quebrada” a “muralha” irlandesa.

Esperando-se que a Irlanda passasse a subir linhas e a procurar o golo do empate, essa resposta foi imediata, com dois lances muito perigosos: primeiro, através do criativo Coffey, com um remate tirado em cima da linha pelo lateral direito Costinha; logo a seguir, foi o médio-centro McGuiness a “disparar” forte, sendo desta feita a barra a “salvadora nacional”. Os irlandeses criaram mais perigo entre os minutos 34 e 36 do que em todo o resto do jogo, até então.

No entanto, a “equipa das quinas” não se deixou intimidar e voltou a pegar no jogo (com a ajuda da pausa para hidratação, ao minuto 37, que permitiu serenar os ânimos), tendo agora mais espaço para explorar nas costas da defesa da Irlanda.

Aproveitando esse espaço, bem como os oito minutos de compensação dados pelo árbitro estónio Kristo Tohver, o sempre irrequieto João Mário avançou pela ala esquerda e tirou o cruzamento para a área, ao qual o ponta-de-lança Gonçalo Ramos correspondeu afirmativamente, fazendo jus ao papel de número 9 que lhe foi atribuído. O 2-0 não podia ter surgido em melhor altura, levando Portugal para o descanso com uma vantagem mais confortável, mas alertados para a capacidade do coletivo irlandês.

Portugal foi para o intervalo a ganhar 2-0 na partida
Fonte: UEFA

O segundo tempo iniciou com um ritmo mais calmo, sobretudo devido às elevadas temperaturas que se têm feito sentir. Até ao minuto 60, os jogadores pareciam andar em ritmo de passeio, mas foi nesse momento que os “miúdos” portugueses decidiram acabar de vez com as esperanças irlandesas. O pensador Vitor Ferreira recuperou a bola e abriu para a direita, onde João Mário repetiu a parceria com Gonçalo Ramos, que confirmou o estatuto de “pistoleiro” desta geração ao assinar o 3-0, tanto na frente da baliza como no momento da celebração.

A partir deste momento, a prioridade do selecionador Filipe Ramos passou a ser o descanso e a recuperação física das principais figuras da equipa, poupando Vitor Ferreira e João Mário, entre outros, do esforço que seriam os 90 minutos. Quanto ao jogo, e apesar das mudanças, Gonçalo Ramos ainda não tinha acabado o espetáculo, e só descansou de vez quando assinou o “hat-trick”, com uma finalização no canto inferior esquerdo da baliza irlandesa, desferindo o remate já dentro da área.

Uma exibição sólida e com um “show” de posse de bola dos jovens pupilos lusitanos faz com que sigam para a final do próximo sábado, aguardando o vencedor do encontro entre Espanha e França. Venha quem vier, esta seleção terá pela frente uma tarefa mais complicada que a de hoje, mas uma equipa que detém o melhor ataque da prova só pode ter boas perspetivas para o futuro. Resta trazer o “caneco” para o nosso Portugal!

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

Portugal – Celton Biai; Costinha; Gonçalo Cardoso; Gonçalo Loureiro (Levi Faustino, 81’); Tomás Tavares; Diogo Capitão; Vitor Ferreira (Samuel Costa, 69’); Fábio Vieira (Rodrigo Fernandes, 76’); Félix Correia (Daniel Silva, 76’); João Mário (Tiago Gouveia, 69’); Gonçalo Ramos.

Rep. da Irlanda – Maher; Lyons; McEntee; McGuiness; Ledwidge; Hodge (Omobamidele, 81’); Kavanagh (James, 46’); Coffey (Grant, 67’); Brennan (Ebosele, 42’); Everitt (Wright, 81’); Reghba.

A FIGURA

Fonte: UEFA

Gonçalo Ramos – Não fossem os três golos deste “menino” e o destaque iria para o domínio coletivo da posse de bola. Mas, quando se faz um “hat-trick”, todos os holofotes recaem sobre nós, e não pode ser diferente com o ponta de lança do SL Benfica. Classe e frieza na frente da baliza, é o matador que os criativos da nossa seleção merecem ter na frente de ataque.

O FORA DE JOGO

Fonte: UEFA

Rep. da Irlanda – Tirando a dupla oportunidade aos minutos 34 e 35, mais nada se viu desta equipa. Apresentaram-se com um “autocarro” na frente da baliza e desde cedo se percebeu que iriam entregar a iniciativa a Portugal… mas entregaram-se demais. Não conseguiram manter a bola e, consequentemente, não foram capazes de construir jogadas apoiadas, tentando explorar o contra-ataque mas sendo constantemente anulados. Uma despedida inglória para os irlandeses.

Foto de Capa: UEFA

artigo revisto por: Ana Ferreira

Alexandre Candeias

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