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Ora o engenheiro do Euro falou e decidiu então quais os privilegiados que irão representar a “equipa das quinas” nesta estreia na competição. E como se costuma dizer popularmente, “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, e Fernando Santos não ficou para trás, anunciando algumas diferenças entre a convocatória do Europeu de 2016 e a convocatória atual.

No total são oito diferenças, com sete jogadores a trocar de lugar com anteriores escolhidos e um jogador a entrar diretamente na lista – são 24 jogadores em vez dos habituais 23. É nestas diferenças que me irei focar nesta publicação: terão estas oito alterações maiores hipóteses de triunfar? Qual é, à partida, a melhor convocatória em termos equilíbrio e valores teóricos? Para levar este exercício a cabo da forma mais profissional possível peguei em dados dos jogadores à data da convocatória para o Euro 2016 – 17 de maio de 2016 – e à data do anúncio da convocatória atual – 25 de maio de 2017.
As primeiras alterações estão na baliza – ou melhor, provavelmente nos suplentes para a baliza: enquanto que para França Fernando Santos escolheu Rui Patrício, Anthony Lopes e Eduardo, desta vez apenas mantém confiança no guardião do Sporting, substituindo os dois restantes por Beto e José Sá. Analisemos primeiro a teórica segunda linha: Anthony Lopes vs Beto. O guarda-redes do Lyon chegou ao Europeu de 2016 titularíssimo pelo clube gaulês – com 50 jogos realizados em 2015/2016, Anthony chegava à Seleção com 58 golos sofridos, uma média de 1,16 golos sofridos por partida. Já Beto Pimparel chega à Seleção este ano – ainda que a saída por motivos pessoais de Anthony tenha ajudado – com o estatuto de guarda-redes suplente do Sporting, mas com uma época bastante segura – realizou apenas 9 jogos, tendo sofrido 6, uma média, ainda assim, positiva, com 0,67 golos sofridos por jogo. Aqui é complicado decidir qual das opções é melhor: apesar da maior regularidade de Anthony, Beto já demonstrou ser uma peça essencial para a união do grupo em momentos anteriores.
Então e a terceira linha de guarda-redes (se é que era necessária)? Eduardo e José Sá protagonizam o duelo de convocatórias: enquanto que o primeiro chegava a França no ano passado como titular do campeão croata Dínamo de Zagreb – e com média positiva de 0,84 golos sofridos por jogo (37 g/44 j) –, José Sá parte para a Rússia com apenas 6 jogos realizados esta época – com 5 golos sofridos –, deixando no ar a dúvida se é realmente necessário haver três guarda-redes. Aqui tem vantagem Eduardo.

Passamos agora ao setor defensivo, com 2 alterações: Nélson Semedo entra para o lugar de Vieirinha, enquanto Luís Neto substitui Ricardo Carvalho. Começamos então na lateral-direita: apesar de Vieirinha chegar a França com o título de melhor jogador da Bundesliga na posição, dou vantagem aqui ao jogador do Benfica. Semedo foi um autêntico todo-o-terreno! Chega com 48 jogos nas pernas – Vieirinha chegava com 37 – e mostra ser uma opção mais válida do que aquela que oferecia Vieirinha. Semedo oferece mais velocidade, enquanto que o jogador do Wolfsburg oferecia mais polivalência. Cédric Soares que se cuide!
Já no duelo entre Luís Neto e Ricardo Carvalho: a par de Vieirinha, Carvalho não mais voltou a vestir a camisola das quinas desde o Europeu. Quando no ano passado chegou do Mónaco, vinha de uma época com 20 jogos e 2 golos. Já Neto regressa do Zenit com 38 partidas disputadas e nenhum golo marcado. São duas hipóteses semelhantes sendo que, à partida, Neto será a quarta opção para central.
Avancemos para o meio-campo, apenas com uma alteração: o miúdo-maravilha não está convocado. Se foi estratégia para o termos no Europeu de sub-21 ninguém sabe, mas o certo é que Renato Sanches teve uma época de desilusão no Bayern, sendo assim “substituído” pelo ex-companheiro de Benfica Pizzi. Há que dizer que são dois jogadores incomparáveis, contudo, arrisco dizer que aqui Pizzi ganha o duelo. Foi o melhor jogador da Liga NOS 2016/2017, com uma inteligência tremenda ao longo de 52 jogos (!), juntando a isso bom faro de golo, com 13 tentos marcados. Está em todo o lado, veremos se estará também no onze titular da Seleção.

Acabamos, como de costume no fim. A linha avançada. E é aqui que a “porca torce o rabo”: Éder, o herói da final, não está convocado. Para o seu lugar entra André Silva. Por mais simbolismo que a ausência de Éder tenha, parece-me óbvio que o avançado do FC Porto é uma melhor opção. Seis golos para o avançado do Lille em 2015/2016, contra 26 do jovem ponta-de-lança este ano. De seguida, para terminar, temos uma substituição de um por dois. Sai Rafa Silva e entram Bernardo Silva e Gelson Martins. Se o à época jogador do SC Braga teve uma boa prestação em 2015/2016, o certo é que parece óbvio que Bernardo e Gelson são opções mais válidas, ameaçando mesmo à entrada no onze inicial, algo que Rafa nunca conseguiu fazer. São a estrela do campeão francês e o melhor assistente do nosso campeonato, respetivamente.
Assim, a conclusão parece-me francamente positiva: a Seleção Nacional leva para a Rússia uma lista de convocados, à partida e teoricamente, mais competente do que aquela que levou para França. Mais poder de fogo, mais juventude com alguma bagagem, e mais tempo de jogo, assistências e golos do que aqueles que ficaram para trás, nas memórias do Europeu. Agora é só esperar que o desfecho seja o mesmo de há um ano: que a Taça seja nossa!
Foto de Capa: UEFA








