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Portugal 2-2 Uruguai (4-5 após g.p.): Mel(e) amargo

Rúben Tavares · 4 min

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Um Uruguai com a baliza inviolável era a equipa que partia para este encontro dos ‘quartos’ do Mundial Sub-20. Quatro golos em quatro jogos era algo que indiciava uma média calculista de um golo por jogo. Em sentido contrário, Portugal era uma equipa em ascensão que vinha de eliminar a organizadora, Coreia do Sul.

Logo aos 55 segundos, Xadas isolou Xande Silva e o avançado, à saída de Santiago Mele, picou a bola sobre o corpo do uruguaio e fez o 1-0. O primeiro golo do jogador do Vitória de Guimarães no mundial.

Disposto em 4x3x3, com um meio-campo triplamente complementar, com Pepê-Delgado-Xadas, a formação de Emílio Peixe tentava contrariar o 4x4x2 clássico e de pressão a meio-campo do Uruguai, o que dificultou várias vezes a saída de bola de Portugal.

Recuperado do choque do golo madrugador, a seleção ‘celeste’ reagiu com uma ameaça, primeiro, após remate dentro da área de Schiappacasse. De seguida, aos 16 minutos, chegou o golo. De canto, aparece o mesmo avançado, ao segundo poste, após saída em falso de Diogo Costa. Cabeceia ao ferro e, na recarga, Santiago Bueno restabelece o empate.

Até final da primeira parte, o Uruguai continuou a controlar o jogo de meio-campo da seleção nacional, pressionando a saída de jogo de Portugal, ora Pêpê, ora Pedro Delgado, escapando a seleção nacional em ocasiões de ataque através da movimentação entre-linhas de Xadas ou do envolvimento dos laterais com os extremos.

É numa diagonal do extremo Diogo Gonçalves, da esquerda para o meio, que acontece o segundo golo de Portugal, aos 41 minutos, e um dos golos ‘top’ deste mundial, que deixou Emílio Peixe com as mãos no rosto, expressando um misto de espanto e de orgulho.

 Diogo Gonçalves tem sido figura de destaque neste mundial. Hoje, na despedida, marcou um verdadeiro golaço Fonte: FIFA
Diogo Gonçalves tem sido figura de destaque neste mundial. Hoje, na despedida, marcou um verdadeiro golaço
Fonte: FIFA

A FIFA já tratava Diogo Gonçalves por ‘the new 7’ (‘o novo 7’) à partida para este jogo. Diogo Gonçalves, ontem, questionado sobre tal rótulo ou sobre o peso nacional de envergar a camisola 7, respondeu que o que “interessa é o jogador e não o número”. E é assim mesmo; o número só confirma, emblematicamente, o craque.

Para a segunda parte, a formação sul-americana entrou mais forte e beneficiou de uma falta evitável de Yuri Ribeiro dentro da área para empatar o jogo, aos 50 minutos, por intermédio de Federico Valente.

A partir daí, o jogo voltou a modo de contenção mútua, mas com identidades diferentes. Portugal, que acabou o jogo com 62% de posse de bola, teve mais o esférico nos pés, mas maioritariamente de forma inócua, muito por culpa da meritória organização defensiva contrária, sobretudo no que toca à pressão a meio-campo.

Houve duas ocasiões até fim do tempo regulamentar para Portugal, com dois remates fora da área de Xadas, primeiro, e Gedson, depois. Para a seleção celeste, registo para o perigo causado num ataque à bola ao segundo poste na sequência de um canto.

No prolongamento, Emílio Peixe tira, primeiro, Diogo Gonçalves, por Zé Gomes, e, depois, ao intervalo, faz entrar Florentino para o lugar de Xande Silva. O trio atacante passou a ser André Ribeiro (que tinha entrado para o lugar de Bruno Costa) na esquerda, Xadas na direita e Zé Gomes no meio.

Os substitutos não estiveram à altura de quem lhes cedeu o lugar. Se André Ribeiro não teve a capacidade de comer espaços no ataque como Diogo Gonçalves, Zé Gomes passou o tempo esquecido numa ilha incerta entre os centrais contrários. A equipa ressentiu-se disso na criação ofensiva.

Nos penáltis, chegou-se até ao 14.º. Primeiro, Rodrigo Amaral, o 10 uruguaio, teve a oportunidade nos pés para decidir e falhou. Depois foi o pé direito de Zé Gomes que podia ter resolvido a questão para as cores lusas… Mas, aí, apareceu o show Mele, que defendeu três penáltis consecutivos. Depois, Bueno, o que já tinha faturado em tempo regulamentar, completou o trabalho do compatriota.

Uruguai vai encontrar a Venezuela nas meias-finais Fonte: RTP
Uruguai vai encontrar a Venezuela nas meias-finais
Fonte: RTP

O guarda-redes tentou desestabilizar, olhos nos olhos, cada um dos portugueses que bateram a bola dos 11 metros. Mel(e) amargo este que envenenou Portugal.

Portugal é eliminado nos quartos-de-final. Cai de pé. Sim, cai. Mas, assim, dói mais.

Foto de Capa: Diario Deportivo

A FIGURA

Fonte: Diario Deportivo
Fonte: Diario Deportivo

Santiago Mele (Uruguai) – Depois do golo de Diogo Gonçalves, pensei para mim: já está escolhida a figura. Bem me enganei. Não é que o extremo tenha piorado ao longo do jogo e não é que não tenha feito uma excelente exibição, mas é que há muitos jogos dentro de um mesmo jogo.

Eis-nos chegados ao desempate por grandes penalidades. Aí entramos noutro jogo, mais pequeno, mais curto. Ao longo do tempo regulamentar, é bom sinal que os donos da baliza passem despercebidos.

Mas, nos penáltis, é bom que eles dêem nas vistas. Santiago Mele deu, e muito. Adivinhou praticamente todos os lados para onde os adversários atiraram a bola, defendendo três bolas consecutivas.

Bueno apenas imprimiu o ponto final.

 

O FORA-DE-JOGO

Fonte: globoesporte
Fonte: globoesporte

Diogo Costa (Portugal) – Acabei de escrever “Zé Gomes”, mas apaguei. É verdade que o ponta-de-lança do Benfica começou fora de jogo no sentido físico do termo, mas, também, depois de entrar, não se deu conta dele.

Todavia, o guardião de 17 anos tem um imenso potencial, mas não esteve nos seus dias. O primeiro golo do Uruguai denota uma saída dos postes intempestiva e desorientada.

E, quando chegou a hora da verdade, ao contrário do homem das luvas celestes, que disse “presente”, Diogo Costa, em 7 penáltis, não defendeu nenhum e raramente adivinhou o lado.

Emílio Peixe não foi feliz nas mexidas.

Rúben Tavares

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Tiago Campos · 4 min de leitura
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