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Solução Central

Diogo Pires Gonçalves · 3 min

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O problema não é recente e divide opiniões. Depois do problema de avançados, quando não se encontravam “descendentes” à altura de Nuno Gomes ou Pauleta, surgiu recentemente o problema da substituição da dupla de defesas centrais da seleção nacional.

Mais uma vez, a questão não é de agora. Aquando da convocatória para o Euro 2016, levantaram-se vozes contra o facto de não se assistir a uma renovação mais profunda e duvidou-se bastante da longevidade de Pepe e José Fonte. Para não falar de Ricardo Carvalho, que disputou três jogos com 38 anos.

Desde a competição vencida em 2016, na final de Saint-Denis, Portugal contou sempre com as presenças de três defesas centrais extremamente experientes: Pepe, José Fonte e Bruno Alves. O primeiro, o mais internacional de todos, vestiu a camisola das quinas por 103 vezes, Fonte por 36 e Bruno Alves por 96. Os três patrões da defesa foram convocados para o Europeu de 2016, Taça das Confederações 2017, Mundial 2018 e até para a Liga das Nações. Na verdade, na prova mais recente de seleções europeias, nos quatro jogos realizados, Pepe alinhou em três, José Fonte num e Bruno Alves não foi convocado. Surge, no entanto, uma revelação pouco desconhecida: Rúben Dias.

O jovem defesa do SL Benfica alinhou nos quatro jogos da Liga das Nações e formou dupla ora com Pepe, ora com Fonte. Nele está personificada a revolução que há muito se pedia no setor defensivo. As laterais são constantemente renovadas e não suscitam qualquer dor de cabeça. Cédric Soares, João Cancelo, Ricardo Pereira, Raphaël Guerreiro, Nélson Semedo, Kévin Rodrigues, Mário Rui… As hipóteses são imensas e só jogam dois.

Rúben Dias ocupou o onze de Rui Vitória e não há reforço que o sente no banco
Fonte: SL Benfica

No entanto, e apesar de surgir a opção Rúben Dias, de enorme qualidade, parece ainda prematuro retirar do seu lado Pepe ou José Fonte. Ao serviço de Besiktas JK e Lille OSC, respetivamente, os experientes defesas portugueses assumiram papéis relevantes nos clubes para onde se mudaram. Fonte chegou mesmo a ser nomeado capitão, ao cabo de apenas sete jogos pelo clube francês. Luís Neto, de 30 anos, nunca foi uma alternativa óbvia e o seu percurso de 19 internacionalizações é pouco claro. Parecem, então, faltar alternativas no eixo da defesa, para fazer parceria com Rúben Dias.

Domingos Duarte, central de 23 anos cedido pelo Sporting CP ao RC Deportivo de La Coruña, alinhou em 15 dos 16 jogos da equipa na segunda liga espanhola. Domingos lidera a segunda melhor defesa do campeonato e o interesse do Sevilla FC na sua contratação já é notícia.

Gonçalo Cardoso, central de 18 anos da formação do FC Penafiel e do Boavista FC, leva já cinco jogos pelos axadrezados na Primeira Liga, mais dois na Taça de Portugal, e foi um dos destaques positivos do último dérbi da invicta. Apontam-lhe um erro no golo sofrido, mas esquecem o acerto e rigor nos restantes 94 minutos. Um valor a ter em conta. Igualmente jovem e promissor é Diogo Leite. Com 19 anos, alinhou na Supertaça Cândido de Oliveira e em três jogos da Primeira Liga pelo FC Porto, tendo marcado um importante golo no Jamor, frente ao Belenenses SAD. Perdeu o lugar apenas para o “furacão” Militão.

Talvez não estejam aptos para se imporem já numa fase final pela seleção nacional, mas uma adaptação gradual e chamadas constantes fariam destes jovens defesas centrais os próximos patrões em frente da baliza nacional.

Foto de Capa: FPF

Diogo Pires Gonçalves

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